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segunda-feira,
5 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
     
Fraudes em operações ilícitas ou suspeitas
A troca de "dinheiro bom" por "dinheiro falso"

Alavancas: Ganância, Gostinho do "Exclusivo" e do "Proibido", Irracionalidade, Ignorância Técnica



Tomei conhecimento desta fraude pela primeira vez na Europa e diretamente com uma vítima. Tenho informações de vários outros casos parecidos que aparecem, periodicamente, também no Brasil. Até já acompanhei alguns.

O esquema geral é o seguinte. Uma pessoa propõe a um empresário ou profissional, reputado e com boa capacidade financeira, de cooperar em um esquema de troca de dinheiro falso por dinheiro bom. A operação supostamente daria um lucro muito grande. O risco da operação seria muito baixo devido a qualidade altíssima dos falsos. São feitos alguns testes, sempre bem sucedidos e envolvendo pequenas quantias, para atiçar a ganância da vítima. Depois na hora da primeira operação com valores elevados, alguma coisa não dá certo e a vítima perde tudo.

No primeiro caso que acompanhei os golpistas contaram que uma organização tinha conseguido exemplares usados (mas ainda bons) das matrizes originais para impressão de notas de um país europeu (que deveriam ter sido destruídas) e de um lote do papel usado normalmente para imprimi-las (veja golpe das "matrizes originais").
Este grupo estava, portanto, supostamente em condição de produzir notas absolutamente perfeitas, mas dizia ter problemas em depositar este dinheiro por causa de falta de origem e por terem antecedentes criminais. Precisavam, portanto, de alguém com o nome limpo e possivelmente reputado para cuidar desta parte da operação.
Em troca estavam dispostos a reconhecer uma generosa participação de 50% nos lucros. Ou seja, o empresário iria comprar as notas por 50% do valor e depois depositá-las em um banco (na Suíça ?) para que virassem disponíveis para uso em quantias elevadas. Em tese, uma clássica operação de lavagem !

As primeiras duas operações de troca foram bem sucedidas, o empresário trocou cada vez mais ou menos o equivalente a 10.000 USD por notas valendo o dobro e as depositou sem problemas no banco dele (as notas provavelmente eram autênticas e não impressas pelos golpistas), levando para casa um lucro de 20.000 USD (nada mal, heim!).
Depois os criminosos declararam que não podiam mais continuar fazendo operações de 10.000 USD sendo que o volume a ser "distribuído" era muito maior e com estas pequenas operações poderiam acabar tendo problemas. Pediram para fazer operações de, no mínimo, 200.000 USD de cada vez.
A vítima, segundo o que me contou, caiu na armadilha. Arrumou os 200.000 USD e foi trocar por 400.000 USD "produzidos pelos golpistas", o problema aconteceu quando ele apresentou estes 400.000 no banco, estes sim eram falsos e até grosseiros.

Como adiantei, "operações" parecidas já apareceram no Brasil, tanto com USD quanto com Reais e outras moedas. Recebi vários relatos neste sentido e até acompanhei de perto alguns casos.
Uma variante desta fraude aconteceu sempre na Europa também com dinheiro a ser supostamente "lavado" porque de proveniência ilícita, mas supostamente autêntico.
O empresário (um outro, obviamente) comprava USD de "suposta" origem ilícita por 50% do valor e os depositava no nome dele numa conta no exterior. Depois das primeiras pequenas operações ele recebia falsos grosseiros (também de origem ilícita, mas por uma outra razão ... a falsificação !).

Em outro caso ainda, na terceira operação, grande, depois das primeiras "boas" e pequenas, os golpistas simplesmente roubavam a vítima na hora da "operação" e sumiam com o dinheiro sem nem entregar dólares falsos em troca. Em alternativa criavam uma falsa situação crítica, com chegada de polícia ou de outros bandidos etc... para conseguir desaparecer na confusão, obviamente levando o dinheiro bom.

É útil lembrar que, neste tipo de fraudes, além do prejuízo econômico direto, existe um risco elevadíssimo de acabar envolvidos em ilícitos graves quais lavagem de dinheiro, falsificação, formação de quadrilha etc...
As histórias inventadas pelos golpistas para justificar a necessidade de trocar o dinheiro são as mais variadas. Além das que já mencionei, vale lembrar as seguintes:
  • Dinheiro não declarado fiscalmente.
  • Dinheiro falso mas perfeito.
  • Dinheiro oriundo de tráfico ou contrabando.
  • Dinheiro roubado (às vezes no exterior).
  • Dinheiro extraviado de bancos ou empresas.
  • Dinheiro extraviado de doações ou fundações.
  • Dinheiro oriundo de corrupção.
  • Dinheiro deixado enterrado por muito tempo.
  • Dinheiro de ditadores.
  • Dinheiro de sequestros.
  • Necessidade de trocar uma moeda por outra (USD por Real, por exemplo).
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