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quarta-feira,
7 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
   
Fraudes em operações ilícitas ou suspeitas
As variantes da "Carta da Nigéria" na era digital

Alavancas: Ganância, Gostinho do "Exclusivo" e do "Proibido", Irracionalidade



A partir do final dos anos 90, iniciei a receber da Europa e também de várias empresas e pessoas brasileiras, uma longa série de denúncias interessantes e divertidas. Ficou evidente que os bandidos "africanos" se modernizaram e introduziram importantes variantes e alterações ao esquema tradicional da carta da Nigéria (veja). Agora a tal carta chega, quase sempre, por e-mail ou, de toda forma, através de sistemas eletrônicos (forum, redes sociais, chats etc...).

Os países envolvidos não são mais só a Nigéria mas também outros países africanos quais África do Sul, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Tanzânia, Congo, Angola, Ghana, Argélia e vários outros países que passam ou passaram por "turbulências" (IRAQ, Líbia, Afeganistão, Egito...), não só na África mas no mundo todo. Ou, ainda, países em forte processo de desenvolvimento, China, Índia e Rússia são as mais recentes inclusões. Em alguns casos os golpistas fingem estar em países do "Primeiro Mundo" (Holanda, Inglaterra, Espanha, Canadá, Japão...), ou aproveitam comparsas que realmente vivem naqueles países para dar maior credibilidade às suas propostas.

Além disso o objetivo principal não é mais só pegar dinheiro da vítima mas também conseguir informações reservadas quais dados pessoais (documentos, assinaturas etc...) e dados sobre empresas ou contas bancárias, no país ou no exterior, que depois são usados para tentar outras fraudes envolvendo “roubo de identidade” (sobretudo a do "esvaziamento da conta", veja capítulo específico) ou como referência para fraudar novas vítimas envolvendo o nome de empresas/pessoas sérias.

O esquema, a história contada e os detalhes podem variar bastante de caso a caso, mas o conceito do golpe é sempre parecido e se remete as fraudes do tipo "advance fee". O foco é sempre criar uma situação que justifique a solicitação de pagamentos adiantados por parte da vítima (na maioria dos casos através de sistemas tipo Western Union ou MoneyGram), supostamente necessários para conseguir um beneficio muito maior, o qual, porém, na realidade não existe.
A seguir alguns dos principais filões explorados nestes golpes:

O Dinheiro desviado de empresa e contratos.

Os golpistas propoem “parceria” e afirmam ter condição de viabilizar o vultoso pagamento de contratos ficticios (ou as vezes supostamente reais) em favor do “parceiro” (a vítima). Em troca da ajuda do parceiro, normalmente para fornecer uma conta bancária onde receber o valor do pagamento, eles oferecem gordas comissões (20-30% do montante total sempre na casa dos milhoes de USD). Ao longo do processo aparecem supostas taxas e outros custos a serem pagos de forma adiantada pelo “parceiro” para poder receber os valores.
Os golpistas sempre minimizam este aspecto, focando a vítima nos grande beneficios que estão próximos e evidenciando que tais adiantamentos serão reembolsados através de detração do suposto valor a ser recebido...

O dinheiro escondido de ex-ditadores, políticos ou ricaços ou de seus familiares e amigos.

Tem golpistas que alegam serem parentes do ex-ditador da Nigéria (Gen. Sani Abacha), do ex-presidente da Iugoslávia (Slobodan Milosevic), do ex-dono da multinacional russa Yukos (Mikhail Khodorkovsky), de Saddam Hussein, de Muammar Kadafi, DE Osni Mubarak ou de outros "ex-poderosos", outros dizem ter diamantes, ouro ou caixas de dólares (muitas vezes supostamente extraviados e/ou deixados pelos parentes ex-poderosos) bloqueados ou escondidos ou prontos para serem transferidos por alguma razão, freqüentemente de uma "security house", ou seja uma empresa de custódia de valores, ou de um cofre bancário.
Quase sempre estas pessoas alegam ter problemas para se movimentar (as vezes como refugiados ou perseguidos) ou “temporária” escassez de recursos e por isso solicitam uma ajuda oferecendo generosas comissões. Obviamente sempre aparecerão supostos custos e despesas a serem adiantadas pela vítima para conseguir levar a termo a “operação”.

Os ressarcimentos internacionais por fraudes sofridas.

Mais recentemente apareceram e-mails supostamente vindo das Nações Unidas, FMI (IMF), Banco Mundial (World Bank), OECD, FBI, Bancos Centrais e Governos supostamente oferecendo vultosas quantias para "ressarcimento" dos danos e prejuízos sofridos por causa de golpistas africanos ou “reembolso” de quantias fraudadas supostamente recuperadas.
Na realidade se trata sempre de golpistas aplicando a mesma fraude com uma nova desculpa. Não existe ressarcimento algum e todos os custos ou taxas necessários para obter os supostos “reembolso” ou “ressarcimento” são o verdadeiro objetivo dos golpistas.

As heranças de parentes, mortos acidentais e desaparecidos e os fundos descobertos ou bloqueadas em bancos.

Uma interessante variante que apareceu tempos atrás, e já ta virando clássica, é a das heranças e dos supostos fundos "esquecidos" ou "perdidos" nos bancos (normalmente bancos de porte e seriíssimos que nada tem a ver com estas fraudes). A história normalmente é que o proponente seria funcionário do banco ou advogado (com contatos no banco) e teria descoberto que existem fundos (milhões de dólares), no tal banco, que eram de alguém que morreu de repente e não parece ter herdeiros. A proposta é fazer com que estes fundos sejam transferidos para você com alguma desculpa (até fazendo parecer você como herdeiro) e depois divididos como bons amigos !!
Em vários casos chegam ao ponto de afirmar que o dinheiro supostamente esquecido seria de algum morto em acidentes aéreos ou de outro tipo (sem herdeiros ou com dinheiro não declarado), enviando para “confirmação” artigos de imprensa internacional com o nome da tal vítima fatal.
Em alguns casos eles inventam um "morto" com sobrenome igual ou parecido ao da vítima para assim justificar a proposta de apresentar a vítima como herdeiro e depois, supostamente, dividir o dinheiro.
Em outros casos eles se apresentam como advogados ou banqueiros e afirmam que, apos longa pesquisa, descobriram que a vítima é o único verdadeiro herdeiro do tal “morto”, ou que receberam instruções diretas do “dito cujo” para pagar a herança para a vítima (único e remoto parente), e portanto tem real direito a receber a suposta herança. A título de mera curiosidade eu gostaria de saber quem usaria um banco africano para deixar uma herança ... só mesmo se for deixar para um inimigo ou para alguém que se quer sacanear muito.
A fraudes é a de sempre ... conseguir dados e informações da vítima e depois arrumar alguma desculpa para tentar convence-la a pagar alguns supostos custos ou taxas adiantados, que são o verdadeiro objetivo do golpe !!
O país mais usado para este fim, pelo que vi até o momento, é a África do Sul, muito usados continuam sendo a Nigéria e outros países africanos mas vi casos vindo de vários outros países incluindo Inglaterra, China e Índia.

Os ricos, refugiados e soldados e suas propostas de transferência e investimento.

Outra variante comum é a dos supostos empresários ou ex-fazendeiros (quase sempre do Zimbabwe) fugidos ou refugiados no exterior (Holanda, Canadá, Inglaterra, África do Sul ...) em conseqüência de revoltas, perseguições ou golpes de estado, e com o dinheirão deles, ou herdado dos país mortos na revolta, escondido ou bloqueado por alguma razão (freqüente a desculpa de serem refugiados e portanto sem direitos e recursos para ir atrás do dinheiro).
Uma nova safra apareceu mais recentemente como conseqüência dos fatos no Afeganistão, IRAQ, Líbia, Egito etc... Tem supostos parentes de altos funcionários da época de Saddam Hussein (inclusive as filhas do próprio), Kadafi, Mubarak e outros, que propõem operações estilo "Nigéria", alegando uma série de interessantes e complicadas situações. Tem ainda os suposto soldados americanos que, durante uma missão, teriam encontrado um monte de dinheiro (de traficantes de droga, terroristas ou parentes/amigos de Saddam Hussein) e que precisariam de ajuda para tirar este dinheiro do lugar onde se encontra escondido (bem ao estilo do film "Three Kings", com George Clooney).
Recentemente, de uma suposta "security house" da Índia, um suposto investidor problemático queria transferir 10 milhões de USD simplesmente para aplica-los no Brasil, para isso precisava da minha ajuda (sic!).

Variantes aos danos de ONGs e Igrejas.

Algumas divertidas variantes "evangélicas", "sociais" e "ambientalistas" me foram recentemente informadas por visitantes do site e confirmadas por organismos internacionais. Nestas variantes, os proponentes de sempre, alegando às vezes estarem em ponto de morte, ou querendo se redimir, dizem que querem deixar os patrimônios escondidos deles (que, adivinhem, estão numa "security house" !) como doação para alguma Igreja, ONG ou entidade parecida. Até chegaram a propor de deixar tudo para uma pessoa física (perfeito desconhecido), mas com a "promessa" que usasse este patrimônio para fins de bem (sic!).
Em alternativa existem propostas parecidas vindo de falsos fundos sociais ou ambientais, às vezes supostamente patrocinados por bancos, grandes fundações ou organizações internacionais.
O objetivo, obviamente, é convencer tais entidades/vítimas a informar dados bancários (usados num segundo tempo para aplicar outros golpes) e depois a pagar algum valor adiantado para receber um montante muito maior (a suposta doação) que as ajude nas próprias missões ou projetos ... agora estão golpeando até as Igrejas e as ONGs !!

Propostas de trabalho perigosas.

Outra variante recente é um e-mail propondo virar agente "financeiro" de uma empresa ou industria (africana, indiana ou chinesa normalmente) para coletar dinheiro e pagamentos de clientes deles que supostamente teriam dificuldade em administrar por alguma razão.
Propõem uma gorda comissão por este serviço e depois disso eles dirão que os clientes pagaram, pagam ou depositam o dinheiro em security houses e que é de lá tem que ser levantado, adiantando os custos para depois recuperar do valor recebido.

Existe uma variante perigosíssima (e em forte crescimento) desta ultima versão do golpe, que consiste na utilização da vítima, e de seu nome e contas bancárias, para operações de lavagem de dinheiro de origem ilícita, freqüentemente oriundo de outros golpes aplicados (normalmente com variantes do golpe da "Nigéria" ou com operações de "Phishing"). Ou seja os golpistas, para não aparecerem, fazem com que suas vítimas depositem na conta de uma outra vítima (que acredita estar intermediando negócios lícitos, na função de "agente financeiro"), que assim vira cúmplice sem saber.
Depois de recebido o dinheiro fraudado (que a segunda vítima acha ser dinheiro oriundo de uma transação comercial), em troca de uma "comissão", irá repassar os valores para os golpistas, normalmente usando, a pedido deles, um sistema tipo Western Union ou MoneyGram.
Não precisa salientar os perigos práticos e os múltiplos graves riscos legais que se correm ao entrar numa coisa destas. Tem aí praticas de lavagem de dinheiro, cumplicidade em fraudes e outros crimes, formação de quadrilha, exercício ilícito de atividade bancária (receber e compensar cheques para terceiros), possivel evasão fiscal e de divisas etc...
As ofertas neste sentido chegam normalmente por e-mail, na forma de "propostas de trabalho" de supostas empresas ou entidades lícitas. O "trabalho" apresentado é simples, pago na base de comissões e com boas perspectivas de ganho. A função prática é a de recebedor ou coletor de supostos pagamentos em favor da tal empresa ou entidade, que alega querer facilitar assim a vida de seus clientes ou doadores em vista do fato que não tem uma sede no país. Os valores coletados, obviamente, devem depois ser remetidos via Western Union para o exterior.

Os falsos financiadores internacionais.

Sobretudo a partir do final e 2008, com o advento da grande crise global que afetou duramente os canais de financiamento, iniciaram a aparecer novas variantes envolvendo supostos financiadores. O esquema do golpe é sempre o mesmo, freqüentemente administrado pelo mesmos africanos. Neste caso a desculpa e o beneficio oferecido é a disponibilização, por parte de um suposto grupo financeiro, de um financiamento bem ágil, vultoso e em condições vantajosas.
Para liberação do mesmo, porém, além de preencher alguns cadastros e fornecer informações, é necessário realizar o pagamento prévio de taxas e custos variados.
Na realidade, obviamente, não existe financiamento algum, e o objetivo do golpe é conseguir receber os tais pagamentos de taxas e custos adiantados, até quando possível, para depois sumir.

Novas formas de contato via web e medidas de combate.

É interessante mencionar que recebemos algumas denúncias sobre uma nova modalidade usada pelos golpistas africanos para encontrar e abordar suas vítimas. Parece que agora eles vivem freqüentando sites de relacionamentos (às vezes através de cúmplices femininas), salas de "Bate-Papo" e sistemas de rede social tipo Facebook e Orkut. Depois de fisgado um gentil cavalheiro querendo conhecer alguma moça africana bonita, aparece a história triste (refugiados, órfãos, herdeiros...) ou pedido de ajuda ou ainda proposta de negócios ... o resto é tudo igual !!

Sugiro ainda ler a matéria sobre o golpe do "sorteio vencedor na loteria internacional", que em muitos casos representa, de fato, uma variante mais articulada desta mesma classe de fraudes.

Recentemente o governo da Nigéria criou uma entidade governamental que tem como objetivo combater este tipo de crimes, chama-se (EFCC) ou Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros (veja link na página dos links de governos deste site). É oportuno denunciar casos desta natureza a esta Comissão, quando oriundos da Nigéria.
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