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domingo,
11 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
     
Fraudes no Comércio, C.D.C. e B2B
Fraudes Mercantis e B2B - Empresas "Arara"




As fraudes mercantis, ou seja realizadas por pessoas jurídicas aos danos de outras pessoas jurídicas (B2B), são um fenômeno em constante crescimento e, como toda categoria de fraudes, evolução e adaptação.
É importante, de antemão, definir o conceito de “Arara”. Empresas “Araras” são aquelas criadas ou estruturadas para aplicar fraudes mercantis, sobretudo aos danos de seus fornecedores.
Tais empresas, geralmente, são registradas ou adquiridas através de documentos falsos.
Frequente também o uso de “laranjas” que normalmente são pessoas humildes que cedem seus documentos contra pagamento de quantias modestas, ou malandros em conluio com os fraudadores. Tais “laranjas” passam a integrar o quadro social e, no caso de empresas adquiridas, favorecem a alteração da razão social e do ramo de atividade da empresa.

O esquema clássico do “Golpe da Arara” consiste, essencialmente, em criar ou adquirir uma empresa (as vezes inativa), comprar produtos negociando um pagamento a prazo, vendê-los rapidamente e desaparecer antes que as faturas vençam. Tudo isso tentando ganhar a confiança dos fornecedores no início, para poder aplicar um golpe maior em seguida. Existem obviamente modalidades mais elaboradas e sofisticadas, mas o conceito e mecanismo geral da fraude é sempre bem parecido com este.
Neste tipo de fraude, uma segunda linha de prejuízo advém do fato que os produtos obtidos pelos fraudadores acabam normalmente sendo revendidos no mercado a preços baixos, fato que constitui certo tipo de concorrência predatória e prejudica as empresas que operam regularmente.

Importante também observar que, em sua maioria, as empresas “Arara” não apresentam qualquer tipo de restrição de crédito, protestos ou cheques devolvidos. O que vai permitir a identificação de seu “status” de empresa fraudulenta são, portanto, pequenos detalhes, indicadores e sinais cuja detecção depende de analise atenta e minuciosa além de experiência e rigor.

Bastante comum também o uso de empresas “Arara”, em paralelo as fraudes mercantis, para aplicar golpes aos danos de empresas de fomento mercantil (factoring) e ou de bancos e financeiras (linhas de financiamento), sempre aproveitando o bom nome e a aparente solidez da empresa.

Existem essencialmente dois tipos de empresas “Arara”:

Araras Novas: São empresas criadas desde o inicio com o intuito de serem usadas para fins fraudulentos. Durante um tempo realizam compras à vista e pagam regularmente para ganhar credibilidade. Quando chegarem no “ponto certo”, em curto espaço de tempo realizam muitas compras a prazo e depois desaparecem.

Araras Antigas: São empresas com um bom histórico no mercado que, em certo ponto de sua existência, são adquiridas ou “alugadas” por golpistas (usando documentos falsos). O intuito é usar o histórico e a credibilidade da empresa para poder realizar grande volume de compras a prazo e depois desaparecer sem pagar.

O “Aluguel” de empresas para realização de fraudes é um fenômeno em franco crescimento e uma tendência forte nas fraudes mercantis. Os golpistas afirmam querer adquirir uma empresa com pagamento a prazo, ou entram como sócios de minoria (sem mudar os administradores) propondo trazer operações comerciais ou financeiras vantajosas, para convencer os atuais sócios e administradores (frequentemente em fim de carreira) a aceitar suas propostas.
O objetivo é conseguir usar a empresa, seu histórico e bom nome, para aplicar golpes contra fornecedores ou instituições financeiras, deixando depois os problemas aos antigos sócios e administradores (muitas vezes em boa fé). A vantagem de “alugar” a empresa, além de deixar os problemas a terceiros, vem do fato que desta forma não ha necessidade de mudar estatuto/objeto social e quadro de sócios e/ou administradores, fazendo com que seja mais difícil detectar a fraude nos estágios iniciais e podendo assim explorar plenamente as vantagens do bom histórico e nome da empresa.

Entre as principais medidas preventivas vale mencionar:
  • Verificar o histórico e a atuação dos sócios. Comparar seu comportamento e modo de vida com a situação financeira comprovada e que tenha origem.
  • Prestar atenção a todas as alterações do contrato social (razão, novos sócios ou ampliação do objeto social), sobretudo se recentes e concomitantes.
  • Procurar e verificar referências comerciais de forma independente.
  • Nunca vender sem informações cadastrais completas. Ignorar pressões comerciais ou de mercado assim como a atuação dos concorrentes. Todas as decisões tem que ser ponderadas e sobretudo fundamentadas em fatos e informações completas.
  • Suspeitar do aumento constante do volume de compras e crédito, sobretudo em curto espaço de tempo (meses). Nenhuma empresa pode crescer muito rapidamente a menos que existam condições realmente excepcionais.
  • Não tenha medo de trocar informações no mercado, para calcular seu risco. Também não hesite em informar os órgãos de proteção ao crédito sobre qualquer ocorrência.
Vale lembrar que, em se tratando de combate a fraudes, não existem concorrentes. Por isso é oportuno sempre que possível trocar informações, inclusive sinalizando prontamente todos os casos detectados. Existem diversos serviços de informação e proteção ao crédito que devem ser aproveitados e, também abastecidos com informações. Importante também fomentar qualquer tipo de associação entre empresas com o fim de trocar informações comerciais preventivas.
Quanto maior for o volume de informações disponíveis, maior será a possibilidade de realizar pesquisas e cruzamentos e, com isso, detectar preventivamente situações suspeitas.

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