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domingo,
4 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
   
Fraudes Financeiras e Comerciais
As Operações dos Bancos "Fantasmas" Internacionais

Alavancas: Ignorância Técnica, Ingenuidade, Ganância, Irracionalidade, Gostinho do "Exclusivo"



Existe toda uma série de safras sucessivas de bancos fantasmas que, de várias maneiras, tentam conquistar clientes ingênuos para aplicar golpes.
Inicialmente eram os bancos de Antigua (um paraíso fiscal do Caribe, onde existem também vários bancos sérios) e Dominica (que não é a República Dominicana). Depois vieram os bancos de Nauru (outro paraíso fiscal no Oceano Pacífico, este quase só para picaretas e lavadores de dinheiro) e Montserrat. Mais recentemente apareceram vários novos países oferecendo patentes bancárias "fáceis". Um dos mais na moda, por algum tempo, foi provavelmente a República de Montenegro (então parte da Confederação da Yugoslavia), que, porém, entre 2002 e 2003 revogou praticamente todas as patentes bancárias offshore.
Existem ainda os casos nos quais os golpistas nem se dão ao trabalho de conseguir uma qualquer patente bancária, por "vazia" que seja. Simplesmente alegam (mentindo) serem bancos.

Com o advento da internet e a difusão do uso do internet banking, tais "bancos" tem maior facilidade em aplicar seus golpes. Eles se apresentam freqüentemente como modernos bancos internacionais ou "offshore" via internet oferecendo serviços variados que vão do private banking (serviço de investimentos e administração de patrimônios) até financiamentos internacionais para projetos ou capital de giro.
Muitas vezes alguém visita as vítimas potenciais e se apresenta como representante ou diretor de um destes bancos, propondo operações.
Em outros casos eles apresentam as operações já realizadas (são mentiras), os países onde operam ou tem filiais (outra mentira) e outras maravilhas para atrair o cliente.

História de um caso real

Algum tempo atrás um senhor se apresentou a vários meus conhecidos como presidente de um suposto banco de Panamá ... que deveria ser filial de um banco internacional com várias outras filiais e matriz na República de Montenegro. Fui dar uma verificada e na lista oficial do Banco Central de Panamá (http://www.superbancos.gob.pa) não existia nenhuma filial ou banco autorizado com aquele nome, em compensação o nome deste suposto banco aparecia na lista de ADVERTENCIAS do dito Banco Central ... em Montenegro (onde, por coincidência, também tenho amigos e contatos) tal banco, registrado em nome de um senhor russo, não tinha endereço físico real e não aparecia na lista telefônica. Eles tinham um lindo site, hospedado nas ilhas Bahamas e cujo domínio estava registrado em nome de um misterioso senhor Suíço cujo nome, endereço (na Suíça), telefone de contato e e-mail não pareciam existir. O banco tinha mesmo uma patente bancária em Montenegro (sem capital declarado), mas isso é insignificante já que, até 2003, qualquer um podia adquirir uma patente destas por poucos milhares de USD.
Este banco, sem capital e com esta situação pelo menos "nebulosa", oferecia financiamentos por dezenas de milhões de USD, às vezes parcialmente a fundo perdido (diziam serem fundos repassados do Banco Mundial, ou coisas do tipo), a favor de empresas brasileiras (freqüentemente, também, com base em supostos "seguros garantia") ... o que vocês acham que era isso ?? Este banco e todos seus intermediários logo entraram pra minha lista de suspeitos (disponível neste site).
Meses depois conheci várias pessoas que tinham perdido muito dinheiro de várias formas, inclusive abrindo simples contas correntes neste "banco" e depositando dinheiro (que nunca mais conseguiram sacar) ou em supostos esquemas de financiamentos, com este mesmo "banco" ... contaram-me que, antes de perder o dinheiro, foram convidados a visitar o "banco" em Panamá e que tinha lindas instalações num andar inteiro de um prédio bem no centro da cidade !!
Mais alguns meses e a quadrilha foi desmantelada pelas autoridades de Panamá e alguns de seus integrantes presos pela polícia federal no Brasil (o total dos golpes aplicados em território brasileiro foi estimado em várias dezenas de milhões de USD).

Outros tipos de falsos bancos

Existe também um bom numero de outros "bancos" fantasmas que usam uma técnica ainda mais sutil para angariar clientes ou, melhor, vítimas ... eles escolhem nomes muito parecidos com os de grandes bancos internacionais e, depois, se apresentam deixando entender (quando não falam explicitamente) que são filiais, coligados, controlados ou algo parecido, do tal famoso banco. Assim a vítima acaba acreditando na solidez e seriedade da proposta. Afinal o tal grande banco internacional nunca se envolveria em coisas erradas ... pena que nada tenha a ver com estas propostas. O resultado almejado pelos golpistas é fazer com que as vítimas acreditem estar fazendo um negócio seguro e assim caiam facilmente nas fraudes, quais que sejam.

Muitas destas quadrilhas, quando o nome do "banco" ou das sociedades deles fica muito sujo ou quando tem demais autoridades atrás deles, simplesmente somem e depois de algum tempo abrem um novo "banco" e montam uma nova estrutura de sociedades para continuar aplicando os mesmos golpes, com cara limpa.

Os golpes são sempre os mesmos se for pedir dinheiro/financiamentos eles cobrarão algo adiantado e nunca verá resultados, como variante (mais perigosa ainda) eles envolverão você em algum esquema de lavagem de dinheiro. Se for depositar dinheiro para investir, o seu dinheiro desaparecerá misteriosamente, rapidamente e sem volta.

Quando alguém se apresentar como banqueiro ou representante de algum banco propondo operações vantajosas, a primeira coisa que aconselho fazer é pedir referências e dados da instituição e verificar tudo de forma independente e até a última vírgula. Sem dar nada por garantido ou automático.
Oportuno ainda lembrar que muitas vezes estes golpistas exploram extensivamente a técnica de "terceirização da credibilidade" (veja no capítulo sobre a teoria geral das fraudes)

Por fim vale a pena mencionar a existência de falsos bancos on-line, usados por quadrilhas de golpistas africanos para dar melhor aparência aos seus golpes (normalmente variantes do esquema da "Carta da Nigéria" ou falsos sorteios de loterias internacionais). Neste caso o tal banco on-line será usado, no lugar da clássica "security house", para confirmar e comprovar a suposta existência de fundos disponíveis em nome da vítima.
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