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domingo,
4 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
     
Fraudes Financeiras e Comerciais
Operações de Investimento "Casadas" e Mandatos amplos

Alavancas: Ganância, Ingenuidade, Gostinho do "Misterioso/Exclusivo", Ignorância Técnica, Irracionalidade



Este é um âmbito de fraude muito delicado porque envolve uma atividade exercida seriamente, profissionalmente e honestamente por vários bancos, corretoras e empresas de investimentos e "asset management". Quero portanto deixar claro que o esquema explicado nesta seção não se aplica a todos os casos e todas as propostas mas é simplesmente um relato de fatos que podem acontecer e já aconteceram com empresas desonestas ou pouco sérias, tanto no Brasil quanto no exterior.

Na prática uma sociedade de investimentos, com freqüência estrangeira (mas com representantes no país), contata um investidor prometendo um retorno muito bom (mas não impossível, para manter credibilidade) em troca de um mandato amplo de administração dos recursos investidos. Neste mandato será previsto, na prática e com muitas variantes, que a sociedade poderá aplicar os recursos nos títulos ou instrumentos que achar melhores e não será prevista nenhuma responsabilidade para investimentos errados, sendo isso considerado como risco do investidor em relação ao mercado.
Muitas vezes são expressos, nestes mandatos, os tipos de investimentos permitidos. Entre os muito usados vale mencionar investimentos em Derivativos (contratos de vária natureza, normalmente envolvendo opções futuras), em FOREX (compra e venda de moedas estrangeiras ou contratos futuros relacionados à moedas), em Ações de "empresas emergentes" (aquelas cotadas em bolsas tipo a NASDAQ), Commodities etc...
O objetivo da sociedade "malandra" é, na realidade, fazer com que o dinheiro desapareça. É importante ressaltar novamente que existem sociedades seriíssimas pedindo um mandato de administração similar (mas com importantes diferenças) e que cumprem os acordos, administram os recursos profissionalmente e nada tendo a ver com fraudes.

O "desaparecimento" do dinheiro, nos casos das fraudes, acontece normalmente através de uma série de operações casadas ou "especulares", desenvolvidas freqüentemente com a cumplicidade de uma corretora (pode acontecer até em países de "primeiro mundo"), e muito difíceis de serem identificadas e perseguidas.

Exemplo prático do funcionamento do esquema

Vamos fazer um exemplo de uma operação deste tipo para entender melhor como funciona:
  • O investidor assina um mandato de administração amplo em favor da sociedade X para administrar USD 1 milhão depositado em uma conta dele num banco.
  • A sociedade X, com base no mandato, e com a cumplicidade de uma corretora, efetua duas operações intra-dia do mesmo valor sobre um determinado mesmo título, ação, futuro ou índice financeiro.
  • Em uma operação eles compram de manha e vendem a tarde e na outra eles vendem, a descoberto, de manha e re-compram a tarde (pra cobrir a venda a descoberto).
  • O título (ou instrumento) escolhido é sempre do tipo sujeito à amplas oscilações de preço, digamos que o título valesse 10 USD de manha e tenha subido à tarde para 12 USD (poderia ter caído para 8 USD que o resultado seria o mesmo).
  • Uma das duas operações feitas no dia terá ganhado 2 dólares por cada título (ou seja 20%, ou USD 200 mil sobre o milhão do investidor) e a outra terá perdido a mesma quantia.
  • A corretora cúmplice, que normalmente registra ou comunica a titularidade das operações só no fim do dia, registrará a operação que perdeu 20% em nome do investidor e a que ganhou 20% em nome de uma sociedade Y ligada, de forma anônima, aos golpistas da sociedade X.
Resultado o investidor terá oficialmente perdido na bolsa 20% do capital dele e uma sociedade fantasma terá ganho aquele mesmo 20%.

Afinal na bolsa quando alguém perde sempre há alguém outro que ganha. A coisa vai se repetir dia após dia até que não sobre mais nada. Quando descobrir a situação, o investidor não poderá fazer muita coisa porque a perda será apresentada como "azar" que pode acontecer no mercado financeiro, as operações que perderam são reais e poderão ser comprovadas e verificadas pelo investidor junto à própria Bolsa e o amplo mandato concedido à Sociedade de Investimentos preservará os golpistas de qualquer responsabilidade.

Esta técnica é muito usada também para "criar" perdas em outros tipos de fraude como os "Roll Programs", HYIP e esquemas parecidos.
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