Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
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domingo,
4 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
     
Monitor das Fraudes
Introdução ao Mundo das Fraudes




Desde as origens da economia (alguns milhares de anos atrás) existem, na vida das pessoas e no mundo dos negócios, "golpistas" que se dedicam a por em prática vários tipos de fraudes, armadilhas, sistemas e esquemas para enganar e roubar o próximo.
O código de Hammurabi (aproximadamente 1750 A.C.), um dos mais antigos conjuntos de leis já encontrados, define vários casos de fraudes e suas punições (por exemplo, na lei nº 265).
Pesquisas recentes descobriram, também, que antigos egípcios, por volta de 500 A.C., fraudavam ricos e nobres vendendo falsos gatos e outros animais sagrados embalsamados para suas cerimônias fúnebres ... as múmias de animais fraudulentas, na realidade, continham somente gravetos e algodão, em alguns casos continham também pedaços de ossos de outros animais.

Raio X de falsa múmia de gato.

Suposta múmia de íbis (um tipo de pássaro sagrado), por fora.

Raio X da suposta múmia de íbis, na realidade uma fraude.

As mitologias são outro interessante parâmetro pois, em todas as civilizações, costumavam representar e divinizar situações e caracteres tipicamente humanos.
Nas mitologias Grega e Romana, Hermes (ou Mercúrio), considerado o deus dos ladrões e fraudadores, aplicava vários golpes nos demais deuses e por isso tinha freqüentes problemas com Zeus (o chefe). Sempre pra ficar nas mitologias antigas podemos mencionar o deus Loki, dos antigos nórdicos europeus, que fazia todo tipo de trapaça e enganação enlouquecendo os demais deuses. Na África, a antiga mitologia Yoruba (com mais de 2000 anos e da qual derivou o Candomblé brasileiro), inclui entre seus deuses o trapaceiro Eshu. Outros deuses trapaceiros em várias mitologias são: Sun-Wukong (China), Manabozho (Nativos Americanos), Lemminkainen (Finlândia), Ictinike (Nativos Americanos), Li-Nezha (China), Hare (África), Elegua (África), Akba-Atatdia (Nativos Americanos), Bamapana (Austrália), Anansi (África), Tlacolotl (Maya), Indra (Índia)...

É interessante mencionar que Xenofonte (427-355 A.C.), em seus tratados sobre guerra, aconselhava aos generais de "aproveitar com a trapaça as ingenuidades do inimigo". Vale também lembrar o que escreve o grande Cícero (106-43 A.C.), no capítulo 41 do livro I do "De Officiis" : "Duas ainda são as maneiras com as quais pode-se fazer injustiça: a violência e a fraude; a fraude é própria da raposa e a violência do leão; ambas são contrarias a natureza humana, mas a fraude desperta maior repulsão."
Entre os vários autores e filósofos que, ao longo dos séculos, enfrentaram em algum momento o assunto das fraudes, vale ainda lembrar Homero (850 A.C.), famosas as fraudes de Ulisses contra Polifemo e do cavalo de Tróia, Santo Agostinho (354-430 D.C.) e Maquiavel (1469-1527 D.C.). Este último, no seu "O Principe" (cap. XVIII), escrevia que é necessário "saber entrar no mal, se for necessário", ou seja recorrer às fraudes, quando inevitável.

Na idade média, eram muito comuns as fraudes com pesos e medidas e com adulteração de alimentos e bebidas, como comprovam vários documentos e normativas contras estas fraudes que chegaram até nos. Por volta de 1100 D.C., com a invenção e difusão das letras de câmbio, iniciou também uma nova era de fraudes "documentais" (com certeza bem menos freqüentes naquela época, onde a palavra tinha valor, do que hoje).


Letra de câmbio do XII séc.

Por volta de 1637 veio a famosa "bolha" das Tulipas, na Holanda, uma fraude coletiva que levou à falência milhares de pessoas que tinham especulado no comércio dos bulbos desta flor.


Panfleto da "Tulipamania"

Em 1720 veio outra grande fraude contra investidores, a famosa bolha da "South Sea Co.", uma empresa inglesa de navegação e comércio que, divulgando informações falsas, levava os investidores a comprar sempre mais ações e sempre mais caras (que eram prontamente emitidas), até que o castelo desabou e todos perderam seu dinheiro.


Ação da South Sea Company

Por volta de 1920 vale ainda lembrar a criação do famoso "Esquema de Ponzi", que prejudicou mais de 20.000 pessoas no leste dos EUA.

É interessante mencionar também a origem histórica e etimológica de duas famílias de termos muito comuns e relacionados ao mundo das fraudes:

Conto do Vigário e Vigarista. - Na verdade a expressão inicial era cair na "conta do vigário", pois esses recebiam ouro roubado e pagavam pouco aos escravos que o vendiam (depois de ter-lo roubado, é claro). Várias igrejas foram construídas, segundo alguns pesquisadores, graças à "conta do vigário". Daí que veio a palavra "vigarista", pessoa que agia como os vigários d’então.

Picareta e Picaretagem. - Provavelmente o termo deve sua origem aos romances picarescos (Espanha, século XVI) e á figura do "pícaro" que originalmente eram os soldados esfarrapados, famintos e aventureiros que no século XV vinham da Picardia. Mais em frente o termo "pícaro" assumiu o significado de um tipo inferior de servo, sobretudo ajudante de cozinha, sujo e esfarrapado mas também esperto e sem escrúpulos que usa da mentira, dissimulação, malandragem e astúcia para tirar proveito das situações.

Isso tudo prova que o problema das fraudes é bem antigo. Obviamente, com o progresso tecnológico e a evolução do mundo e das sociedades, também estes fenômenos evoluíram. Os fraudadores são muito criativos, freqüentemente bem informados, mentalmente ágeis e rápidos, flexíveis e adaptáveis a novas situações, por isso novas fraudes aparecem de contínuo se ajustando e desfrutando cada nova oportunidade.

É importante observar que, assim como os demais fenômenos econômicos, as fraudes também se globalizaram. Hoje você encontra os mesmos esquemas de fraude aplicados, com poucas adaptações, em vários países do mundo inteiro. Além disso, da mesma forma que existem as Multinacionais, já existem quadrilhas de golpistas transnacionais, com integrantes de diferentes nacionalidades e "filiais" que operam (ou seja, aplicam golpes) em vários países ao mesmo tempo, através de estruturas centralizadas e com um planejamento global.
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