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terça-feira,
6 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
     
Negócios Furados e Perdas de Tempo
Operações com Commodities de vário tipo




É fundamental dizer que operações com commodities (trading e futuros) acontecem todos os dias entre os operadores e traders profissionais e nas bolsas (sobretudo a BMF, no caso do Brasil).

Existe porém toda uma série de operações envolvendo commodities que não tem sustentação ou simplesmente, mesmo parecendo plausíveis, não acontecem quando não são verdadeiras fraudes. Estas operações freqüentemente envolvem soja ou açúcar, mas já vi também com café e outros tipo de commodities (madeira, carnes, couro, minérios, metais, combustíveis e suco de laranja...).

O esquema clássico é você receber uma oferta de venda ou compra por uma quantidade muito grande de alguma commodity.
Às vezes a oferta vem por escrito (na forma de LOI - Letter of Intent) e até acompanhada por referências bancárias de bancos estrangeiros (quase sempre falsas). A partir daí existem numerosas variantes.
Em alguns casos a negociação vai até o fim, com assinatura de contratos e emissão de cartas de crédito etc ... e depois não aparece a mercadoria na hora da entrega ou de eventuais vistorias.
Em outros casos o suposto comprador exige o pagamento de um "performance bond" (quantia depositada pelo vendedor para garantir a entrega) antes de emitir a carta de crédito ... o vendedor deposita o performance bond, a carta de crédito não chega e o performance bond depositado é utilizado de forma indevida ou como lastro para outras picaretagens do suposto comprador.
Existem, em fim, as verdadeiras fraudes descaradas, com cartas de crédito falsas (mas aparentemente perfeitas) entregues ao vendedor para que este libere a mercadoria, que logo depois desaparece. Neste último caso o vendedor chora na hora do saque da carta de crédito.
Em outra variante, desta vez aos danos do comprador, o vendedor exige uma carta de crédito transferível, depois dentro do prazo para entrega da mercadoria, ele sai tentando descontar uma pequena parcela da carta junto a algum banco (normalmente estrangeiro), normalmente com a desculpa de ter que financiar o performance bond. Se conseguir ele terá alcançado seu objetivo que era o de embolsar algum dinheiro adiantado e sumir. Se não conseguir simplesmente acabará por ai mas o vendedor nunca irá entregar a mercadoria pois ele não a tem.

Normalmente estas operações, quando consistentes e boas, são conduzidas por traders profissionais que conhecem bem o mercado.
O conselho, se realmente quiserem entrar neste tipo de negócios, é de verificar pessoalmente e de forma independente cada palavra, informação, referência e documento apresentado pelas contrapartes. Se houver discrepâncias ou omissões sem uma valida justificação, caiam fora imediatamente.

Outro conselho fundamental é não acreditar em milagres. Quase todas as commodities tem preços determinados em bolsas de valores que existem justamente para este fim.
O preço de bolsa é, na prática, o preço que naquele momento se pode conseguir vendendo o produto através da própria bolsa. Não faz sentido alguém oferecer descontos absurdos para o mesmo produto para venda fora da bolsa. Pra fazer uma comparação simples, seria como dizer que eu posso vender o meu carro em qualquer concessionária com segurança pelo preço médio da "4 Rodas" (digamos 10.000 R$) e em vez de fazer isso fico tentando vender para particulares por 20-30% a menos (não a mais !!), ou seja por 7-8.000 R$. Seria doido se fizesse isso, pois é o mesmo que trabalhar mais pra ganhar menos ... mas é isso mesmo que muitas vezes é falsamente proposto nestes "negócios" com commodities.

Por fim é importante salientar que muitas vezes quem faz estas propostas não tem o mínimo de consistência lógica (pra não dizer senso do ridículo) de verificar quais são os números reais de disponibilidade da tal commodity.
Já vi, por exemplo, propostas de supostos vendedores que diziam ter prontas e disponíveis 8 milhões de toneladas de açúcar brasileiro para exportação. No Brasil em 2005 foram produzidas cerca de 27 milhões de toneladas de açúcar e destas foram exportadas 17,5 milhões de toneladas. Ou seja estes senhores alegavam ter em mãos "pronto e disponível" quase a metade das exportações brasileiras de açúcar do ano ou, se preferir, quase 30% da produção anual do país !!
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