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sexta-feira,
9 de dezembro de 2016
Atualizado em: 19/11/2016
     
Fraudes no Comércio, C.D.C. e B2B
Dinheiro e Cédulas Falsas

Alavancas: Ignorância Técnica, Escassa Atenção



Desde o lançamento do Plano Real, em julho de 1994, o volume de falsificação aumentou. Sem a inflação para corroer o valor do dinheiro, um "derrame" de notas falsas de R$ 50 ou até de R$ 10 pode ser muito rentável para os falsários, que não terão grande pressa para a distribuição.

Em 2000, os cofres públicos perderam com falsificação o equivalente a R$ 8,8 milhões e, nos 8 meses até Agosto de 2001, a cifra chegava a R$ 5 milhões.

De acordo com o Departamento de Meio Circulante do BC, em 1994, o total de notas falsificadas apreendidas foi de 1.046. Em 2000 foram apreendidas 328 mil cédulas falsificadas. Em 2003, até dezembro, tinham sido apreendidas 444.493 cédulas falsas, representando um valor de R$ 14,606 milhões. Em 2006 o número de cédulas apreendidas foi de 570.386, por um valor de R$ 22,033 milhões. Vale notar que estes números representam as notas falsas apreendidas e não o total das que entraram ou estão em circulação.

Segundo estimativas, a falsificação equivale a 0,01% do total circulante. Mas é necessário olhar o impacto pratico desse ilícito. Um trabalhador que ganhe salário mínimo, por exemplo, e receba uma nota falsa de R$ 50 como pagamento, estará perdendo uma fatia consistente da renda mensal.

Vários consultores especializados reconhecem que mesmo quem lida com dinheiro todos os dias, como os caixas das lojas e supermercados, freqüentemente não conhece as medidas de segurança e as regras básicas para evitar receber dinheiro falsificado. A falta de treinamento específico é ainda um dos entraves principais para evitar que as empresas recebam dinheiro falso.
Vejam neste site as matérias sobre identificação de dinheiro falso e sobre equipamentos para verificação de cédulas.

Segundo dados do Banco Central, em 30/08/2006 existiam em circulação as seguintes quantidades de notas legítimas:

 Denominação  Quantidade  Valor Total
 1,00  480.569.425  480.569.425
 2,00  387.399.738  774.799.476
 5,00  292.434.055  1.462.170.275
 10,00 papel  648.462.604  6.484.626.040
 10,00 plástica  72.038.380  720.383.800
 20,00  260.185.524  5.203.710.480
 50,00  917.114.236  45.855.711.800
 100,00  22.700.523  2.270.052.300
   Total  3.080.904.485  63.252.023.596


A polícia não sabe quanto tempo uma nota falsa consegue ficar em circulação até ser desmascarada. A certeza que se tem é a de que os produtores costumam manter laços familiares entre si, para amarrar cumplicidades. Na distribuição, a estratégia é quase sempre a de pulverizar as cédulas falsas no comércio. Costuma-se misturar uma ou duas notas falsas num bolo de cédulas boas como forma de camuflá-las. Muitas vezes, elas chegam aos bancos e voltam a circular pelos caixas eletrônicos. Mas não se tem verificado ganho de causa para quem reclama ter recebido dinheiro falso na boca do caixa. É difícil provar.

Um exemplo clássico que ficou famoso na imprensa foi o de Manoel Martinho Rafael que, com técnica apurada e um esquema igual ao de qualquer pequena empresa regular, comandou entre 2003 e 2004 um negócio que fez circular a cada mês 1 milhão de Reais falsos. Ele mantinha nove funcionários em três pontos diferentes da capital paulista. Num escritório, recebia encomendas de dinheiro falso. Em outro, produzia notas de 5, 10 e 50 reais. Um terceiro local era o ponto de distribuição. Vendia seu produto à base de 10 notas falsas por uma verdadeira. A polícia calcula que seus clientes, em cinco Estados, revendiam seis cópias por uma de verdade. Martinho fazia remessas por Sedex, motoqueiros ou táxis. Semanas atrás, quando circulava com um pacote de notas frias, foi preso.

Falsificação das notas e sistemas de segurança

Do jeito que as cédulas brasileiras estão hoje, apesar da introdução paulatina de mecanismos de segurança como fitas plásticas e marcas d’água diferenciadas, os falsários têm diversas opções. Antes, as quadrilhas costumavam escolher a técnica de lavar quimicamente as notas de 1 real para depois re-imprimir o papel moeda com o de 50 reais (isso aproveitando uma das falhas de segurança do dinheiro brasileiro que é a igual dimensão das notas de todos os valores). Hoje, a maioria dos falsários de fundo de quintal faz sanduíche de papel para imitar o efeito da fita plástica, usa scanners de alta definição para reproduzir os desenhos e impressoras jatos de tinta para repetir as cores originais. A semelhança é cada vez maior.

A nota de 50 R$ é o alvo preferencial das quadrilhas de falsários (chega hoje a cerca de 70% do total de notas falsas apreendidas). A segunda mais falsificada é ainda a nota de 10 R$. Descobriu-se que as atuais cédulas de R$ 20 são as menos falsificadas porque seu tom fortemente amarelo é difícil de ser imitado (além de ter a fita lateral com holografia). Em teoria, até 2005, toda a família do real iria ter novas caras, cores e sobretudo tamanhos. O projeto, que pessoalmente julgava muito importante, evidentemente, acabou sendo adiado por razões que desconheço.

No início de 2009 o Banco Central finalmente anunciou o lançamento da nova família de notas de Real (veja figura abaixo). O processo de emissão foi por etapas ao longo de 2 anos, sendo que foram emitidas primeiro as notas de maior valor. A primeira etapa se deu em dezembro de 2010 com a imissão em circulação das notas de 50 e 100 reais. Nos anos seguintes foram introduzida as notas de 20 e 10 reais e, por fim, as de 5 e 2 reais. As velhas notas continuarão a ter validade, mas serão progressivamente retiradas e substituídas com as novas. Maiores detalhes sobre a nova família do Real acessando ESTA PÁGINA.



Vale notar que já existe falsificação de moedas metálicas também. Sobretudo as moedas de 1 real (bicolor) e de 50 centavos das novas séries que são despejadas em quantidade em ônibus e no comércio.

É também muito fácil encontrar em circulação notas falsas de dólar e de outras moedas estrangeiras, portanto muito cuidado se lhe forem apresentados negócios "bons demais" envolvendo dinheiro estrangeiro. Sobretudo operações de câmbio suspeitas.

Na minha opinião, e baseado nos casos que conheço, hoje as melhores notas em produção, de um ponto de vista de segurança e qualidade, são as notas de "Franco Suíço" emitidas pela Banca Nacional da Suíça (veja em http://www.snb.ch/e/banknoten/noten.html). Em segundo lugar vem, provavelmente, as notas de Euro, quase tão boas quanto as de Francos Suíços.
Os onipresentes Dólares, apesar de serem ainda a mais importante moeda do mundo, e apesar das recentes relevantes melhoras quanto à medidas de segurança (sobretudo a partir de 2003), ainda são uma moeda de concepção antiga e mediamente bem menos segura que as acima mencionadas. Tem tamanho unificado e sobretudo todas as notas antigas, com baixa segurança, continuam valendo. Pessoalmente acredito que a atual nota de 20 Reais seja superior, qualitativamente, à maioria das notas de Dólar em circulação.

O que fazer com notas falsas

As notas falsas não são trocadas pelo Banco Central ou pelo Governo. O Banco Central apenas examina se elas são verdadeiras ou não. O dinheiro suspeito pode ser apresentado, para exame, diretamente no Banco Central ou por intermédio dos bancos.

As pessoas que recebem uma nota falsa, devem procurar uma agência bancária, dando informações sobre como e de quem receberam o dinheiro. Se a nota for falsa, infelizmente, a pessoa perderá aquele valor.

A falsificação é crime previsto pelo artigo 289 do Código Penal, com pena prevista de 3 a 12 anos de prisão. Quem tentar colocar uma cédula falsa em circulação, depois de tomar conhecimento de sua falsidade, mesmo que a tenha recebido de boa fé, pode ser condenado a uma pena de 6 meses a 2 anos de detenção.

Caso receba uma cédula suspeita em um caixa eletrônico, comunique o fato, o mais rapidamente possível, ao banco em que você sacou o dinheiro. Tente comprovar o fato através de testemunhas ou de qualquer outra possível maneira. Caso necessário, dirija-se a uma Delegacia Policial para registro da ocorrência.
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