Ano 5, Número 37
23 de julho de 2010
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Memorial da Cultura Brasileira

A Sorte de Brasília



           Em 15.12.1957, quando o Oscar fez cinqüenta anos, o Presidente Juscelino escreveu-lhe:
          “Quando intelectuais e artistas brasileiros comemoram o seu cinqüentenário, prestando-lhe significativas homenagens, que são o reconhecimento pela obra que realizou, cujo valor e repercussão o colocaram entre os mais destacados arquitetos contemporâneos, venho manifestar-lhe a alegria com que vejo o nome do prezado amigo aclamado como uma das mais autênticas expressões da arte e da cultura brasileira.

          Reivindico para mim a honra de ter sido dos primeiros a reconhecer o seu valor, tendo-lhe confiado, desde os tempos de Prefeito de Belo Horizonte e Governador do Estado de Minas Gerais, importantes trabalhos, dando-lhe a oportunidade de pôr em prática as suas idéias e realizar o seu talento de artista e a sua elevada capacidade profissional.

          Ao empreender a mais arrojada obra de urbanismo e arquitetura de nossa história, a construção de Brasília, que devia ser um empreendimento novo e moderno, como o espírito que inspirou a sua fundação, não vacilei um instante em incumbi-lo dos projetos dos edifícios públicos e a supervisão da parte arquitetônica da Nova Capital.

          Tenho a certeza, pelos trabalhos já apresentados e que pude apreciar, onde a ousadia da concepção, os valores plásticos e funcionais dão a medida exata de sua capacidade criadora, que o conjunto de Brasília será a sua obra definitiva, onde o seu gênio viverá em todo o seu esplendor”.

          Quando, em 15.12.2005, o Oscar completou 98 anos, pensei na sorte imensa que Brasília teve e tem de poder contar, ainda hoje, com o seu talento extraordinário, vendo ser realizada a sua obra maior na Capital, a Esplanada dos Ministérios.

          Fico imaginando a inauguração do Museu, que está sendo construído, numa área de 15.000 metros quadrados, e a Biblioteca, com 14.500 metros quadrados, complementando a beleza do conjunto arquitetônico da Esplanada, com o Palácio do Planalto, O Supremo Tribunal Federal, o Congresso, os Ministérios da Justiça, das Relações Exteriores e os vários outros ministérios, além da Catedral .

          Ao receber o “Praemium Imperiale do Japão”, no mês de outubro de 2004, sendo elogiado pelas suas belas obras, desde o conjunto da Pampulha até Brasília, Oscar deve ter se lembrado das palavras do Juscelino “Brasília será a sua obra definitiva, onde o seu gênio viverá em todo o seu esplendor”.

          O Oscar diz que se inspira nas curvas do corpo da mulher e das montanhas do nosso País.
           Ele sabe que a natureza é a maior arquiteta, já criou tudo. Então, se deixa fluir, permitindo que a beleza o inspire, transformando-se em co-criador com a essência, com a alma, com a vida.

          A vida, esta passagem pelo Planeta que nos permite o privilégio de viver numa mesma época e percorrer uma mesma estrada em que um gênio, chamado Oscar Niemeyer, habita e transita.

           Em que outro gênio, chamado Juscelino Kubitschek , teve a ousadia, que só os grandes estadistas possuem, de criar uma cidade, além da sensibilidade e competência de escolher para ajudá-lo os talentosos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.




Vera Brant – escritora
www.verabrant.com.br

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