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03/04/2009 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpista dos Jardins é presa na Zona Sul do Rio

Ela é acusada de estelionato, falsidade ideológica e por três furtos. Segundo a polícia, jovem de 20 anos queria chamar atenção dos pais.

A jovem Kelly Samara Carvalho dos Santos, de 20 anos, foi presa nesta sexta-feira (3) por policiais da 10ª DP (Botafogo) na Gávea, Zona Sul do Rio.

Ela é acusada de praticar golpes na região dos Jardins, na Zona Oeste de São Paulo, onde chegou a ficar presa na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte. Ela foi indiciada pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e por três furtos.

Kelly foi transferida nesta tarde para a carceragem feminina de Mesquita, na Baixada Fluminense.

Da outra vez que foi presa, em São Paulo, Kelly disse que cometia os crimes havia dois anos e que pretendia chamar a atenção dos pais, que moram em Mato Grosso do Sul.

"Sou obrigada a fazer isso. Vou entregar todo mundo. São pessoas conhecidas", disse, à época. "Sempre tive tudo em Mato Grosso, mas queria chamar a atenção da minha família", afirmou.

Quatro nomes

Segundo a polícia, ela usava pelo menos mais quatro nomes: Kelly Lambertini, Kelly Tranchesi, Alessandra Tranchesi e Daniela Delgado Garcete. Segundo a delegada, ela também dizia que é irmã de um conhecido traficante de cigarros.

Kelly já havia sido presa no dia 1º deste mês e solta no dia 9, por estelionato e falsidade ideológica. Segundo a polícia, ela teria cometido pelo menos três furtos e oito golpes no comércio.

Como já respondia pelos dois crimes, teve de se apresentar na delegacia para prestar novos esclarecimentos. Mas policiais encontraram com ela um cheque de uma vítima, o que resultou no flagrante desta quarta-feira.

A jovem é suspeita ainda de realizar furtos durante programas nas residências de suas vítimas, colocando soníferos na bebidas, golpe conhecido como "Boa Noite Cinderela".

De acordo com a delegada Aline Martins Gonçalves, do 15º DP, a moça não tinha residência fixa e usava cheques furtados para pagar hospedagem em hotéis.

“Ela dava nomes diferentes em cada hotel em que se hospedava. Para cada pessoa que conhecia ela dava um nome. Ela tinha muitos cheques. Como é uma pessoa que sempre falava muito alto, fazia muito escândalo, as pessoas ficavam com o cheque e deixavam ela ir embora”, disse a delegada.

"A polícia está levantando isso. Já tem falsos cheques que voltaram e ela foi reconhecida por pessoas que trabalham em hotéis. É uma coisa muito grande, são muitas vítimas."

Gravura do Mirò

A polícia recuperou uma gravura de Joan Mirò avaliada em US$ 18 mil após a prisão de Kelly. Segundo a polícia, o quadro tem certificado de autenticidade e teria sido comercializado por US$ 1 mil.

A delegada contou que a jovem chegou a registrar um boletim de ocorrência contra a própria advogada, logo após passar nove dias presa sob acusação de estelionato e falsidade ideológica.

Segundo a delegada, ao sair da cadeia, Kelly foi procurar a advogada para pegar alguns pertences. Entre eles, estavam calças e roupas de grife supostamente adquiridos com cheques furtados. A policial conta que Kelly não conseguiu ter acesso às roupas no momento em que esteve no escritório. Sem ter como pagar os honorários da advogada, teria aproveitado a situação. Voltou à delegacia na madrugada do dia 10 para registrar um boletim de ocorrência por apropriação indébita.

“Achei estranho ela fazer um boletim de ocorrência contra a advogada porque ela não queria devolver peças de roupa. A advogada foi chamada, se explicou e entregou todas as roupas da garota. Tinha muita roupa com etiqueta”, disse a advogada. As roupas foram apreendidas e ficaram na delegacia. Essa foi a razão para que a moça fosse chamada novamente à delegacia e acabasse presa novamente em flagrante por portar um comprovante de cheque furtado.

No intervalo entre o dia da liberação e a nova prisão de Kelly, dois boletins de ocorrência foram abertos contra ela. Um deles, de uma idosa de 83 anos, e outro de homem que a conheceu em uma casa noturna. Dele, a suspeita teria levado R$ 5,5 mil em dinheiro e um cartão de crédito. A idosa ficou sem o talão de cheques, segundo a delegada.

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