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01/04/2009 - Portal Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

História do mundo é repleta de mentirosos bem-sucedidos

Por: Claudio R. S. Pucci


O dia 1º de abril é celebrado no mundo todo com muita criatividade e, algumas vezes, com piadinhas sem graça. O que pouca gente sabe é a origem dessa brincadeira. Alguns dizem que foi por causa da mudança do calendário mundial, do juliano para o gregoriano, quando 1º de janeiro passou a ser o início do ano. Como a comunicação na época era precária, algumas pessoas celebravam o Réveillon entre 25 de março e primeiro de abril.

Tudo isso pode ser mentira, porque há quem acredite que o significado da data vem do tempo de Noé, que teria mandado um corvo, bem antes do tempo correto, para ver se as águas do dilúvio que atingiu a Terra já haviam baixado. O corvo não voltou e a data marcou o primeiro dia do calendário hebreu, em abril.

Seja qual for a verdade, é tradição no meio jornalístico e publicitário a criação de factóides para serem publicados nesta data. Nos anos 50, uma emissora holandesa noticiou a queda da Torre de Pisa. Já a rede de fast food Burger King divulgou a invenção de um sanduíche especial para canhotos em uma propaganda nos anos 90.

Quando as mentiras são criadas para divertir, ótimo. Mas a história é feita de governantes contando lorotas para o povão engolir e assinar embaixo de seus desmandos. Ela também registra pessoas que foram espertas o bastante para lucrar com suas falácias (aquelas mentirinhas bem-educadas, como definiu o escritor e jornalista Luis Fernando Veríssimo). Confira, abaixo, alguns dos mentirosos e mentiras clássicas:

O morto que ganhou a batalha
Na Segunda Guerra Mundial, os aliados já estavam limpando o norte da África e a invasão da Europa estava iminente. Para conseguir subir a Itália, o melhor caminho seria através da Sicília, mas ela estava repleta de tropas alemãs. Foi aí que dois integrantes da inteligência britânica, Owen Montagu e Sir Archibald Cholmondley, vieram com uma idéia genial.

Eles pegaram um cadáver, morto por pneumonia, vestiram-no de mensageiro, algemaram uma pasta com informações secretas falando de uma invasão pela Grécia e deram-no o nome mais comum entre os oficiais britânicos: William Martin. Daí foi só jogar o defunto na costa da Espanha, divulgar o nome do cara como desaparecido e pronto. Os homens do ditador Franco entregaram o defunto para os alemães, que copiaram tudo que havia na pasta. Então, devolveram aos espanhóis, que, por sua vez, retornaram aos ingleses. E lá se foram todos os nazistas para a Grécia, deixando a Sicília desprotegida. O resto é história.

A ameaça judaica
Os judeus já foram envolvidos em tramas macabras. Lendas na Idade Média acusavam-nos de se banhar em sangue de crianças cristãs, o que acabou gerando perseguições sem fim. Recentemente, veio a história do Protocolo dos Sábios do Sião, um documento que contaria a idéia judaica de dominar o mundo, mas que, na realidade, teria sido escrito por políticos russos para influenciar o czar Nicolau II.

Obviamente, Hitler usou tudo isso em sua intensa campanha nazista, fazendo com que o povo alemão odiasse os judeus. Ainda dentro do tema, a França do final do século XIX condenou à prisão um oficial do exército, Alfred Dreyfus, acusado de traição e espionagem. No final, comprovou-se que todas as justificativas do exército e do governo eram só causadas por anti-semitismo mesmo e entrou nos anais da justiça mundial como uma das mais graves mentiras já contadas - a injustiça mudou a face da política francesa para sempre.

A grande mentira científica
Esqueça aquela velha história da grande revista semanal brasileira que caiu em uma piada de 1º de abril e publicou que haviam desenvolvido o "boimate", uma mistura genética de boi com tomate. A maior falácia do mundo da ciência foi mesmo o "Homem de Piltdown". Em 1910, o arqueologista Charles Dawson descobriu os ossos do que seria chamado de elo perdido na evolução humana e os levou ao famoso paleontologista Arthur Smith Woodward, que comprovou sua autenticidade.

Foi um auê na comunidade científica. O problema é que, em 1950, estudos mostraram que tratava-se de uma farsa, uma mandíbula de orangotango presa a um crânio de apenas 600 anos. Hoje, todos acham que a culpa da confusão toda foi de Martin A. C. Hinton, um voluntário no museu de Woodward, que misturou as peças para embaraçar seu chefe, que se recusava a lhe dar um salário.

Os dois homens que enganaram os nazistas
Existem duas figurinhas que estão no rodapé dos livros, mas cujas histórias são cinematográficas. Franz Tausend era um alemão fascinado por falsificação de dinheiro desde criança e que começou a enganar empresários alemães com sua descoberta de transformar qualquer metal em ouro. Obviamente, que a maravilhosa experiência chegou aos ouvidos de Adolf Hitler, ainda um jovem político, que passou a investir no "cientista". Em 1929, a farsa foi descoberta e Hitler teve que esperar chegar ao poder para vingar-se. Nos relatos oficiais, Tausend morreu na prisão em 1939.

Já Han Van Meegeren foi um holandês que fez de idiota o grande militar alemão Hermann Goering e quase foi executado por isso. Quando a guerra acabou, encontraram inúmeras obras de arte na casa de campo do alemão, entre elas do artista holandês Vermeer. O governo dos Países Baixos achou as notas de venda e prendeu Meegeren como traidor da nação, crime passível de morte. Só que Han vendeu falsificações feitas por ele mesmo e provou isso pintando um quadro no tribunal, em frente a juízes e advogados. Ele foi condenado a apenas um ano de prisão por falsificação, tornou-se herói nacional, mas faleceu de enfarte apenas 60 dias depois de chegar à prisão.

Políticos & mentiras
Parece que as duas coisas andam lado a lado, mesmo porque ninguém acredita em promessas de campanhas, por mais que elas estejam registradas em cartório e tudo mais. Entre tantas historinhas inventadas no governo militar brasileiro, uma ainda é uma grande mácula: o caso Riocentro. No dia 1º de maio de 1981, em um show em homenagem ao Dia do Trabalhador no Rio de Janeiro, um carro Puma com dois oficiais do exército explodiu no estacionamento do Pavilhão Riocentro, matando seus dois ocupantes militares.

Apesar de ter sido provado, até por confissões, que as bombas eram carregadas pelos dois ocupantes para causar tumulto e morte no show, o governo de João Figueiredo livrou a cara da linha-dura do exército, emitindo um parecer oficial que os dois foram vítimas de um atentado da esquerda. A vergonha foi tão grande que o grande mago dos governos militares, Golbery de Couto e Silva, pediu demissão e se afastou de vez da política. Recentemente, tivemos o nosso presidente negando saber do mensalão, apesar de todos seus principais assessores e braços-direito (e esquerdos também) estarem envolvidos.

O governo americano da segunda metade do século XX e o do começo deste século também colaborou e muito para aumentar a fama dos políticos. Richard Nixon aprontou na presidência e negou o caso Watergate (famoso escândalo político de corrupção nos anos 1970), mesmo tendo culminado em sua renúncia da presidência. Clinton se envolveu com uma estagiária feinha e gordinha e disse que não. E, finalmente, George W. Bush achou armas de destruição em massa no Iraque, só que foi só ele.

Enquanto isso, nos livros de história do Brasil...
A história é contada pelos vencedores, certo, por isso nunca vamos saber o que rolou mesmo. Só que é difícil engolir que Cabral descobriu o Brasil por acaso quando os portugueses já sabiam que havia terra aqui antes do Tratado de Tordesilhas. Dom Pedro I declarou a independência, porque amava o Brasil varonil, certo? Na realidade, ele simplesmente manteve os negócios na família, a conselho do pai, já que todos aqui queriam se livrar dos portugueses e era melhor um cara da turma que um independente.

Além do retrato da independência ser uma obra ficcional (Pedro estava com diarréia e montava um jegue no Ipiranga), nós da filial, ainda pagamos indenização à matriz pelo ato. Já o Duque de Caxias foi sim um militar brilhante, mas extremamente cruel. Reza a lenda que, na Guerra do Paraguai, não hesitava em massacrar cidades inteiras e até fama de motivador de guerra bacteriológica levou, uma vez que mandava jogar corpos de pessoas infeccionadas por cólera nos rios que abasteciam vilas inimigas.

Tiradentes, no final das contas, foi um coitado que usaram de bode expiatório na Inconfidência Mineira para não matar os ricos e poderosos envolvidos. Morreu por acaso e virou símbolo. E, finalmente, Deodoro da Fonseca, o patriarca da república, era na realidade amigo íntimo e pessoal de Pedro II, este sim, um grande republicano. Em tempo, Lampião era cruel e psicótico e Getúlio já foi chamado de racista em revisões históricas. Só que quando a lenda é maior que a realidade, preserva-se a lenda.

E mais algumas rapidinhas que viraram filmes
- Ana Anderson ou Franziska Schanzkowska se passou pela Princesa Anastácia da Rússia, filha do Czar Nicolau, executado pelas forças comunistas, e enganou meia Paris nos anos 1920.

- Ma Barker ficou famosa em livros, filmes e até música da época das discotecas (do grupo Boney M), como a líder de uma gangue formada por seus filhos. Ela não era. Na realidade foi uma mentira inventada pelo chefe do FBI, J. Edgar Hoover, para justificar a morte acidental da anciã, fuzilada pelas forças policiais.

- Conde Victor Lustig é considerado um dos maiores trapaceiros de todos os tempos. Ele não só vendeu a Torre Eiffel várias vezes como também enganou o famoso gangster Al Capone (e saiu vivo para contar a história).

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