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25/12/2005 - Diário do Grande ABC Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Celular clonado impulsiona crime

Por: Artur Rodrigues


Os celulares - principalmente os clonados - estão entre as principais armas do crime organizado. Com os aparelhos fraudados, dentro das cadeias, facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) ordenam assaltos, seqüestros, assassinatos e rebeliões. Segundo especialistas, não é mera coincidência que várias facções tenham sido criadas e se expandiram durante a década de 90, época do boom da telefonia móvel.

Em 2001, o PCC organizou, por meio de telefones celulares, um levante que envolveu 29 mil detentos em 29 dos 73 presídios do Estado existentes na ocasião. Na época, celulares haviam se popularizado e o Brasil contava com 28,7 milhões de linhas. Quando o PCC foi criado, em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, os aparelhos ainda eram um luxo nas mãos de pouco mais de 500 mil pessoas. "As organizações cresceram muito em função dessa facilidade", afirma o delegado titular do Setor de Investigações Gerais de São Bernardo, Paul Henry Verduraz.

Os celulares pré-pagos ainda não eram cadastrados em 2001, quando ocorreram os motins, e eram muito utilizados pelos criminosos. Hoje, com o cadastramento, aumenta a procura dos criminosos pelos aparelhos clonados, de preferência pós-pagos. "Mais do que não pagar a conta, eles não querem ser identificados", comenta o delegado do Setor de Investigações Gerais de Santo André, Georges Amauri Lopes.

O delegado exemplifica a argumentação com o relato de um caso em que, por meio de rastreamento de ligações telefônicas, descobriram um estelionatário. "Quando fomos atrás do dono da linha encontramos um empresário de Santa Catarina que não sabia de nada sobre o caso", afirmou.

Crescimento - Até novembro, havia cerca de 82 milhões de linhas móveis no Brasil. Número que está em franco crescimento devido ao barateamento dos aparelhos que, por algumas operadoras e em planos pós-pagos, podem custar até R$ 1. Para a polícia, a Anatel deveria ser mais rigorosa com as operadoras. "Não canso de falar: serviço de telefonia é público. Nosso governo tem sido omisso no que tange a investir em fiscalização. O celular é um instrumento largamente utilizado para fins criminosos. Da mesma forma que é grande avanço tecnológico, também contribui em manter criminosos organizados, conversando de dentro de presídios", argumenta o delegado Paul Henry Verduraz.

Não é só dentro das cadeias que os celulares são usados para cometer crimes. Vários golpes se tornariam inviáveis sem o aparelho. Recentemente, foi preso por policiais de São Bernardo Luis Carlos Bravim, acusado de chefiar uma quadrilha de estelionatários que teria lesado mais de mil pessoas. O grupo usava celulares clonados para vender veículos que não existiam. Bravim, suposto criador do esquema, utilizaria linhas fixas reprogramadas para transferir as ligações para os celulares.

Com os aparelhos em mãos, há duas formas de clonagem. A mais comum é a do rastreador. Mas também há a possibilidade de uma conexão com funcionários da operadora, que venderiam os códigos dos celulares aos criminosos. No ano passado a polícia de Santo André prendeu o homem apontado como maior clonador do Grande ABC, com 3 mil códigos hexa. Cada um dos aparelhos dublês seria vendido a R$ 100.

Quadrilhas - Geralmente, não há quadrilhas muito extensas de clonadores de celulares. Os fraudadores atuam em grupos pequenos, para não dividir o lucro, com um aparelho chamado caça-hexa. Um dos principais locais de atuação desses grupos são aeroportos, onde há grande concentração de linhas móveis pós-pagas, por causa do maior poder aquisitivo dos freqüentadores deste tipo de local.

O modo de conseguir os aparelhos, quase invariavelmente, são os assaltos, afirma o delegado Georges Amauri Lopes. Em agosto, pelo menos R$ 100 mil em celulares só não entraram para o mercado dos dublês porque o dono de uma loja de aparelhos em Santo André perseguiu os criminosos que fugiam em uma Kombi azul e chamou a polícia. Três dos quatro acusados foram presos.

Diretinhos - No mundo do crime, os celulares clonados são conhecidos como diretinhos. A novidade são os bombinhas. "Os fraudadores compram um celular pós-pago com dados falsos e usam até a conta estourar", revela o delegado Paul Henry Verduraz.

Saiba mais

O que é
Celular clonado é um aparelho reprogramado para transmitir o código do aparelho e o do assinante habilitado. Assim, o fraudador usa o aparelho clonado para fazer as ligações telefônicas, que são debitadas na conta do titular da linha.

Como ocorre
Geralmente a clonagem ocorre quando o usuário encontra-se fora da área de mobilidade de origem, ou seja, em "roaming", e operando em modo analógico.

Fraudadores obtêm a combinação código do aparelho/código do assinante por meio de monitoramento ilegal de telefone celular habilitado. Supostamente, cada telefone celular possui um único código. Contudo, após a clonagem, existirão dois telefones celulares com a mesma combinação código do aparelho/código do assinante. Assim, a princípio a central da prestadora de serviço de telefonia celular não consegue distingüir o aparelho clonado de um devidamente habilitado.

Indícios
Dificuldades para completar chamadas originadas
Quedas freqüentes de ligação
Dificuldades para acessar a sua caixa de mensagem
Chamadas recebidas de números desconhecidos, nacional e internacional
Débitos de prestação de serviços muito acima da média.

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