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25/03/2009 - Abril Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Camargo Corrêa fez remessas ilegais de ao menos R$ 20 milhões ao exterior, diz MPF

Operação Castelo de Areia da PF prendeu dez pessoas nesta quarta; quatro diretores da construtora e quatro doleiros estão entre os detidos.

O Ministério Público Federal informou no final da tarde desta quarta-feira (25) que a construtora Camargo Corrêa – investigada na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal – realizou remessas ilegais de dinheiro ao exterior de pelo menos R$ 20 milhões. Nesta manhã, a 6ª Vara Federal Criminal Especializada em Lavagem de Dinheiro e Crimes Financeiros de São Paulo decretou a prisão de dez pessoas envolvidas no esquema de evasão de divisas da empresa por intermédio de doleiros que atuam no Brasil e no exterior.

Quatro diretores do grupo e quatro doleiros tiveram a prisão preventiva decretada. Outras duas pessoas, secretárias dos diretores, tiveram a prisão temporária (de cinco dias, renováveis por mais cinco) ordenada pela Justiça. A PF também cumpriu 16 mandatos de buscas e apreensões.

De acordo com o MPF, os investigados são acusados de criarem um sofisticado sistema, que inclui operações de câmbio e transferências bancárias com aparência de legalidade. Um dos doleiros constituiu uma empresa de fachada, localizada numa estrada de terra no Rio de Janeiro. Essa empresa emitia remessas aparentemente legais para o exterior, rotuladas como pagamento de fornecedores.

O caso começou a ser investigado após uma denúncia anônima recebida pela PF em janeiro de 2008, que relatava além da remessa ilegal de dinheiro ao exterior, câmbio ilegal e lavagem de dinheiro, com uso de documentos falsos e laranjas.

Foi descoberta, ainda, pelo menos uma obra superfaturada, a construção de uma refinaria em Pernambuco e doações não-declaradas (ilegais) e declaradas do grupo empresarial para partidos políticos. Segundo o MPF, “ainda é preciso apurar quem são as pessoas e ou campanhas políticas beneficiárias dos recursos. As interceptações telefônicas autorizadas judicialmente indicam que pelo menos três partidos receberam doações”.

Em nota, a PF informou que os principais crimes investigados são evasão de divisas, operação de instituição financeira sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações. Somados, esses crimes podem resultar em penas de até 27 anos de prisão.

Os diversos clientes dos doleiros, de acordo com a PF, podem responder por crime de evasão de divisas, com pena de até seis anos de prisão.

Animais

A investigação começou a tomar corpo após a identificação de um doleiro suíço, naturalizado brasileiro, ex-funcionário de um grande banco. Ele falava com os diretores do grupo em código, usando nomes de animais para se referir a pessoas e moedas. Os mais usados eram coelho, camelo, girafa, canguru e gaivota.

Segundo o MPF, os empresários utilizavam sistemas difíceis de interceptar como os comunicadores por IP Voip e Skype, além de sistemas telefônicos criptografados. Quando não tratavam diretamente com os diretores, os doleiros conversavam com as secretárias, demonstram conhecer os códigos.

Para o MPF, a extrema cautela e estratégia dos investigados e sua intenção de se ocultar da Justiça são motivos suficientes para a decretação das prisões temporárias e preventivas.

Defesa

Em nota divulgada nesta manhã, a construtora se disse "perplexa" e afirmou que até o momento não havia tido acesso ao teor do processo que autorizou a ação dos policiais. "A Camargo Corrêa vem a público manifestar sua perplexidade diante dos fatos ocorridos hoje pela manhã, quando a sua sede em São Paulo foi invadida e isolada pela Polícia Federal, cumprindo mandado da Justiça", disse o comunicado.

"O Grupo reafirma que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação ... trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas." A empresa ressaltou ainda "que cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações legais".

A equipe do Abril.com tentou entrar em contato com a empresa no final da tarde, mas não obteve retorno.

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