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25/03/2009 - Midiamax Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpista agora inocenta PRF, Vander, Delcídio e delegada

Por: Jacqueline Lopes


Condenado em dois processos por estelionato, preso do regime semiaberto de Aquidauana, conhecido por transitar entre políticos, Ademar Pereira Mariano, 35, está preso na delegacia de Terenos. Após ter sido flagrado no dia 15 de março na BR-262 com carteira de identidade falsa e vindo ŕ tona que tinha dívidas com a Justiça, por isso a prisăo, ele foi pivô de uma confusăo que envolveu nomes de políticos e agentes policiais que estariam supostamente envolvidos num esquema de venda de casas construídas pela Agehab (Agęncia Estadual de Habitaçăo).

Segundo o advogado dele, José Roberto Rodrigues, Mariano disse que mentiu porque foi vítima de tortura psicológica (*), pressăo em troca da liberdade. “Ele foi torturado psicologicamente. A polícia a partir do momento que faz uma prisăo em flagrante tem que preservar a integridade física do preso e deixar claro que ele năo é obrigado a falar”, defende o advogado.

Ŕ PRF (Polícia Rodoviária Federal) Mariano disse que fazia parte de um esquema que fraudava aquisiçăo de casas da Agehab. Desde janeiro, a Dedfaz (Delegacia Especializada de Defraudaçőes e Crimes Fazendários) investiga a prática do crime. Há Boletins de Ocorręncia Policial contra Mariano.

Segundo o advogado, o cliente dele mentiu ao citar os nomes do senador Delcídio do Amaral, deputado federal Vander Loubet, ambos do PT, da delegada da Dedfaz Rosely Aparecida Molina e da escrivă Kátia Miranda, como supostos implicados na trama. Ele teria tido a promessa de que se falasse tudo seria liberado pela PRF. “Por isso ele falou tudo. Mas, já explicou que sofreu tortura psicológica”, disse.

O advogado acompanha Mariano e prepara a defesa, pois săo muitos os boletins de ocorręncia contra ele, diz. “Vamos tentar fazer com que ele fique no regime semiaberto na cidade onde moram os pais dele em Aquidauana”.

Os parlamentares acionaram a PF (Polícia Federal) para que apurasse o caso. Mariano chegou a dizer que agiu a serviço de Loubet para prejudicar Delcídio nas eleiçőes internas do PT. Os petistas se uniram contra Mariano e agora cobram explicaçőes. Mariano já foi ouvido pela PF, mudou a versăo que acabou divulgada pelas tevęs e gerou crise dentro da PRF.

Mas, segundo o advogado, a PRF é uma instituiçăo séria e que năo pode ser julgada por um caso isolado. O fato do depoimento ter vazado para a imprensa resultou no afastamento do policial rodoviário Volney de Almeida Lima, 52.

Outro lado

Há 30 anos na PRF, ele disse que está preparado para se defender. Almeida sustenta a informaçăo de que Mariano contou a mesma versăo para seis policiais, quando foi preso ŕs 23 horas do dia 15 de março no posto de fiscalizaçăo policial de Terenos. Almeida contou ainda que na hora da prisăo, ficou sabendo pelo próprio Mariano que ele tinha um mandado de prisăo em Aquidauana por furto.

Almeida disse que năo sabe filmar e năo tem câmera e que năo divulgou o depoimento do estelionatário. Ele é alvo de procedimento administrativo. O advogado dele Antônio Cézar Lacerda disse que Mariano, ao mudar a versăo do que disse, demonstra ter sérios problemas psicológicos.

“Ele [Mariano] foi pego pelos colegas e perguntou quem era o mais antigo porque queria falar e que era um arquivo vivo. Eu disse que a foto da identidade dele estava errada e que o documento era falso. Ai ele falou tudo aquilo, mas năo falou que a delegada recebia para năo descobrir culpados. Tentei contato com os promotores do Gaeco para acompanhar o depoimento, mas năo consegui encontrar”.

Lima se defende e afirma que năo passou o material de vídeo para a imprensa. Que no mesmo dia, uma jovem adolescente foi surpreendida com 9 quilos de cocaína ali no posto de Terenos. Havia uma equipe de TV em Jaraguari.

Segundo ele, a assessoria de imprensa da PRF foi ao posto, acionou os jornalistas para que fossem até Terenos e lá registrarem tanto o caso de tráfico como também o depoimento do golpista.

“Eu estava ocupado, correndo com os flagrantes. Soube que a fita acabou e o pessoal da TV foi embora e a assessoria gravou e mandou depois. É isso que eu sei”.

Agora, afastado, Almeida disse que virou ‘bandido’ da história, mas que está pronto para se defender da acusaçăo de ter facilitado o acesso da imprensa ao depoimento do golpista confesso.

O advogado dele disse ao Midiamax que vai acompanhar o procedimento administrativo, que o cliente cumpriu com a responsabilidade profissional e que o momento é esperar para ver o desenrolar do processo. Sobre Mariano, Lacerda diz que acredita que os nomes das autoridades na suposta fraude é "insanidade".

“Falar do senador Delcídio... Quem é que acha que o deputado Vander vai colocar um homem como ele [Mariano] para fazer algo como isso [o esquema da venda de casas]?”, finaliza.

(*)

Art. 243ş Tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos, segundo o Código Penal:

1 Quem, tendo por funçăo a prevençăo, perseguiçăo, investigaçăo ou conhecimento de infracçőes criminais, contra-ordenacionais ou disciplinares, a execuçăo de sançőes da mesma natureza ou a protecçăo, guarda ou vigilância de pessoa detida ou presa, a torturar ou tratar de forma cruel, degradante ou desumana para:

a) Obter dela ou de outra pessoa confissăo, depoimento, declaraçăo ou informaçăo;

b) A castigar por acto cometido ou supostamente cometido por ela ou por outra pessoa; ou

c) A intimidar ou para intimidar outra pessoa;
é punido com pena de prisăo de 1 a 5 anos, se pena mais grave lhe năo couber por força de outra disposiçăo legal.

2 Na mesma pena incorre quem, por sua iniciativa ou por ordem de superior, usurpar a funçăo referida no número anterior para praticar qualquer dos actos aí descritos.

3 Considera-se tortura, tratamento cruel, degradante ou desumano, o acto que consista em infligir sofrimento físico ou psicológico agudo, cansaço físico ou psicológico grave ou no emprego de produtos químicos, drogas ou outros meios, naturais ou artificiais, com intençăo de perturbar a capacidade de determinaçăo ou a livre manifestaçăo de vontade da vítima.

4 O disposto no número anterior năo abrange os sofrimentos inerentes ŕ execuçăo das sançőes previstas no nş 1 ou por ela ocasionados, nem as medidas legais privativas ou restritivas da liberdade.

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