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23/12/2005 - Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Identificada quadrilha que aplicava golpe do falso seqüestro

Por: Daniel Pereira


Uma quadrilha que aplicava o golpe do suposto seqüestro de parentes foi denunciada nesta quinta-feira pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Os 37 integrantes do bando agiam em vários estados. Eles estão inseridos nos crimes de formação de quadrilha, extorsão, receptação, estelionato e lavagem de dinheiro. As informações foram apresentadas ao juiz da 2ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes.

Ainda segundo a denúncia, alguns dos indiciados se organizaram dentro da Penitenciária Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos, de onde partiam as cobranças de resgate. O grupo contava também com a participação de 18 mulheres, que coletavam os dados pessoais das vítimas e garantiam que as ameaças feitas nas ligações telefônicas ganhassem credibilidade. As quantias extorquidas variavam de R$100 a R$ 15 mil.

Nove acusados ainda estão em liberdade, mas a Coordenadoria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Sispen) acredita que até a semana que vem eles sejam capturados. Para evitar fuga, os nomes dos criminosos ainda não foram divulgados. Cerca de 150 CDs foram gravados com conversas telefônicas e serão investigados. Segundo fontes do Sispen, vários políticos e comerciantes foram ameaçados nas ligações.

- Não descartamos a hipótese de outros grupos continuarem com esta prática dentro dos presídios. Nós transferimos os criminosos para outras localidades e eles ensinam os outros presos a cometerem este crime. Normalmente, eles não são perigosos, mas têm muita articulação e poder de convencimento. Agora, já sabemos que pessoas fora da cadeia estão fazendo as ligações - contou.

Uma promotora, que pediu para o seu nome ser preservado por motivos de segurança, contou para o Globo Online detalhes de algumas conversas.

- A forma que eles falavam com as vítimas deixava as pessoas em pânico. Em alguns momentos eles diziam que se a vítima desligasse o telefone teria o filho morto. Outras vezes mandavam um preso simulava gemidos de dor, se passando pelo suposto seqüestrado - disse.

Normalmente, as ligações cobrando o resgate eram feitas para moradores do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e do Distrito Federal. As vítimas eram coagidas para que fizessem depósitos em contas bancárias e adquirissem cartões de recarga para telefones celulares pré-pagos, que seriam usados pelos próprios bandidos.

Em algumas ocasiões, os bandidos faziam-se passar por funcionários de operadoras e convenciam as vítimas a redirecionarem as chamadas dos seus telefones para os números dos aparelhos que os próprios marginais usavam. Para tanto, anunciavam um suposto crédito em minutos de conversação e convenciam os clientes das operadoras a digitar um código de "siga-me" em seus telefones.

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