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12/03/2009 - O Globo Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Perfil: Madoff usava 'aura de exclusividade' para operar bilhões


O financista americano que admitiu culpa em um escândalo de fraudes de US$ 50 bilhões, Bernard Madoff, começou sua carreira aos 22 anos com apenas US$ 5 mil.

Usando o capital levantado em férias de verão trabalhadas como salva-vidas e regador de jardins no distrito do Queens, em Nova York, ele criou em 1960 a empresa de investimento com seu nome.

Agora, depois de quase 50 anos de operações no mercado de Wall Street, sua reputação está em ruínas e suas vítimas questionam por que as autoridades americanas não checaram antes o que estava acontecendo.

Descrito como "afável" e "de alto nível, mas de uma forma discreta", o banqueiro se esforçou para manter sua aura de exclusividade.

Muitos de seus clientes mais ricos foram conquistados em conversas em clubes para abastados em Nova York ou na Flórida, e Madoff dava a eles uma sensação de pertencerem a um círculo privilegiado.

Ele usou esses grandes nomes para atrair outros investidores, até que sua influência passou a se estender a grandes bancos, fundos hedge e até mesmo organizações beneficentes.

Ninguém parece saber ao certo o que aconteceu com todo aquele dinheiro. Ouvido pela Promotoria Federal americana, Madoff teria dito que não tem "absolutamente nada".

Ainda não veio a público se ele gastou tudo, se guardou em algum lugar ou simplesmente perdeu o dinheiro.

"Parece que pelo menos US$ 15 bilhões, muitos dos quais estavam concentrados no sul da Flórida ou na cidade de Nova York, foram para 'o paraíso' do dinheiro", brincou Douglas Kass, da Seabreeze Partners Management, que gerencia fundos hedge.

Fundos hedge são aplicações mais especulativas e arriscadas do que os produtos financeiros convencionais, mas que frequentemente trazem retornos mais altos.

As operações de Madoff, de fato, eram bem obscuras. Além de sua empresa original, a Bernard L. Madoff Investment Securities, ele dirigia uma empresa de assessoria financeira totalmente separada.

Ele nunca revelou seus métodos de operação no mercado ou como ele gerava os lucros substanciais para os investidores que representava.

De alguma forma, em épocas boas ou ruins, ele era capaz de pagar 10% ou mais de rentabilidade todos os anos. "É uma estratégia do meu negócio. Não posso dar muitos detalhes", disse ele certa vez.

Os promotores agora acreditam que sabem muito bem qual era a "estratégia do negócio": usar dinheiro de novos investidores para pagar dividendos aos mais antigos, uma forma de operação financeira ilegal chamada de Esquema Ponzi.

Mas como essa situação não levantou antes a suspeita dos órgãos reguladores?

A resposta envolve provavelmente uma combinação do prestígio pessoal de Madoff com sua exploração cuidadosa de certas brechas no sistema.

Como ex-presidente da Nasdaq, com uma coleção de outras diretorias no currículo, e generoso doador em causas beneficentes, Madoff era um homem que inspirava confiança.

Quanto aos reguladores, a Comissão de Valores Mobiliários (Securities Exchange Commission, ou SEC, o órgão americano que fiscaliza o mercado de capitais) regularmente fiscalizava a Bernard L. Madoff Investment Securities, mas não sua empresa separada de assessoria financeira.

Essa empresa gerenciava um fundo hedge que não estava registrado na SEC até setembro de 2006 - e, de acordo com relatos, nunca foi sujeito a inspeção depois disso.

Detalhes de investigações mais antigas da SEC sobre os negócios de Madoff estão agora sendo divulgados. Na semana passada, a SEC disse que as operações de Madoff com títulos foram investigadas em 2005 e na época concluiu-se que ele havia violado a regra que determina que os corretores obtenham a melhor cotação possível.

Uma segunda investigação da SEC, em 2007, aparentemente não descobriu qualquer irregularidade.

Madoff teria dito a agentes do FBI (a polícia federal americana) que não há "explicação inocente" pelo colapso de seu esquema de investimento.

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