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12/03/2009 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Madoff, guru e estelionatário talentoso das finanças: homem modesto e cortês


NOVA YORK, EUA, 12 Mar 2009 (AFP) - Bernard Madoff, que se declarou culpado nesta quinta-feira de ter arquitetado uma das mais fraudes financeiras da história, conquistou durante décadas a confiança de ricos investidores, graças a uma imagem cuidadosamente cultivada de guru modesto e cortês.

Bancos do mundo inteiro, hedge-funds à procura de grandes rendimentos, donos de fortunas da Arábia Saudita ou da Espanha, associações de caridade passando por Elie Wiesel a Steven Spielberg, parceiros de golfe do "gotha" nova-iorquino: no total foram 50 bilhões de dólares perdidos depois de terem passado pelas mãos do self-made man de Nova York.

Com 70 anos, Bernard Madoff foi detido em 11 de dezembro de 2008 e se declarou culpado nesta quinta-feira de ter montado um esquema de fraude piramidal chamado "esquema Ponzi" no qual a remuneração repassada aos clientes era paga com as aplicações dos novos investidores.

O sistema se caracteriza por um efeito bola de neve em que Pedro é despido para vestir Paulo, um esquema que só funciona enquanto os investidores não precisam sacar suas aplicações em massa, o que mantém uma ilusão de rendimentos.

Mas com a crise financeira, o castelo de cartas desabou e as vítimas de Madoff estão pasmas, perguntando-se agora como uma fraude de uma quantia tão elevada como esta pôde durar tanto tempo.

Quando se viu envolvido numa queda de efeito dominó, sem conseguir reembolsar os clientes que correram repentinamente ao mesmo tempo em busca de seus investimentos diante da crise financeira, Madoff declarou a seus filhos "acabou", dando a entender que havia prejudicado até sua própria família que trabalhava com ele havia anos.

Em Wall Street, "Bernie", como é chamado por seus amigos, era uma lenda da conquista americana, a de um mestre-nadador das praias de Long Island que se transformou em corretor talentoso, que chegou ao topo do mercado financeiro Nasdaq e se tornou uma personalidade apreciada nos meios ricos e influentes.

Madoff garantia a seus clientes rendimentos surpreendentes e consistentes da ordem de 1% ao mês.

Ele tinha o dom para o dinheiro. Foi responsável pela revolução informática na Bolsa, quando os corretores passaram do telefone ao computador, concluindo contratos em segundos em vez de minutos, multiplicando assim os movimentos e os lucros.

Por suas partidas de golfe nos clubes mais restritos, como Old Oaks perto de Nova York ou o Palm Beach Country Club na Flórida e seus círculos filantrópicos, ele atraía suas vítimas com uma atitude de mistério, dando a seus interlocutores o sentimento de serem únicos, segundo seus investidores. A tempestade Madoff provocou vários suicídios de homens arruinados. Diante do juiz, ele se disse arrependido e envergonhado.

Sabe-se que possui três casas, um iate nas Bahamas e um jet privado, mas não fazia alarde de seus gastos e era conhecido mais por suas generosas contribuições a organizações de caridade judaicas e pró-isralenses.

Quatro vezes, após investidores e jornalistas terem levantado suspeitas sobre as condutas do fundo Bernard Madoff Investiment Securities (BMIS), criado nos anos 60, a SEC, órgão regulador do mercado americano, iniciou uma investigação que não foi concluída. Ele calou as dúvidas dos céticos com profundas declarações do tipo: "a estratégia é a estratégia e os rendimentos são os rendimentos".

"Ele era visto como um grande filantropo, um pilar da comunidade (de Wall Street), o presidente do Nasdaq e tudo isso", confiava o dirigente de um dos fundos de investimentos ao New York Times. Investir em Madoff, era tão seguro como colocar seu dinheiro em bônus do Tesouro, disse o empresário.

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