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12/03/2009 - Jornal de Negócios Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O ouro e os bandidos

Por: João Cândido da Silva


É fácil e politicamente rentável, sobretudo nos tempos que correm, despejar sobre os bancos as culpas por todos os males do mundo. Acusar as instituições financeiras de ganância transformou-se num lugar-comum. Era bom que a história que levou à actual crise financeira fosse assim tão simples. Mas não é.

É um facto que os bancos cometeram erros graves, para dizer o mínimo, ao longo dos últimos anos. Abusaram de práticas duvidosas, aplicaram os recursos próprios e de clientes com evidente subestimação e, até, ocultação dos riscos, orientaram a gestão de forma a valorizarem mais a saúde financeira dos elementos das administrações do que a dos balanços. Contribuintes e economia real são agora chamados a pagar as contas no fim da festa e a limpar os custos de remoção do lixo acumulado.

Quem fala na ganância dos banqueiros, caindo por vezes no alçapão conveniente da generalização, ignora idêntico pecado praticado por milhares de consumidores. Esta perspectiva rende menos e não se adequa às pretensões ideológicas de quem anseia que a tempestade actual representa a morte e o consequente enterro do capitalismo. Mas nem por isto é menos verdadeira.

O dinheiro fácil e barato, as aplicações "sem risco" mas com remunerações elevadas cegaram muitos banqueiros, mas também os clientes. Uns e outros, raramente fizeram perguntas essenciais a si próprios, como se o fim da história tivesse, de facto chegado, e o risco se tivesse transformado numa palavra em desuso, apenas possível de encontrar num dicionário.

Os subscritores de produtos financeiros de risco que acreditaram estar a colocar o seu dinheiro em instrumentos tão banais como um depósito a prazo não podem clamar por inocência, caso não tenham sido ludibriados pela instituição que lhes vendeu a miragem. Os devedores que contrataram créditos sem se questionarem sobre a possibilidade de pagarem os juros e reembolsarem o capital podem não gostar de o admitir mas foram simplesmente irresponsáveis. E a lista de comportamentos e decisões que expuseram toda a gente ao desastre podia continuar.

É neste contexto que surgem as medidas ontem anunciadas pelo Governo, destinadas a evitar problemas e equívocos futuros na relação entre consumidores e instituições financeiras. Entre boas iniciativas, como o afastamento das limitações às transferências de planos poupança-reforma, e boas intenções, nem tudo se mostra pacífico. O paternalismo que inspira algumas das iniciativas até se revela muito pouco pedagógico. Parece afirmar aos clientes que podem continuar a confiar o ouro sem critério, porque os bandidos estão a ser apertados.

É o que sucede com os tectos às taxas de juro praticadas no crédito ao consumo. É verdade que neste segmento há oferta que propõe preços exorbitantes. Nos cartões de crédito ou nos empréstimos instantâneos propostos por empresas que se dirigem a um mercado-alvo de baixos rendimentos, por exemplo. Mas a solução adoptada é o baixar de braços de um Estado fraco que negligencia os problemas da iliteracia financeira e a sonolência da regulação. Estes são problemas mais importantes, mas redigir um diploma legislativo e impor uma qualquer proibição é muito mais fácil.

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