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04/03/2009 - Revista Consultor Jurídico / Espaço Vital Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Caí na vigarice de ser escolhido advogado destaque


Em maio do ano passado, recebi um sóbrio e bonito encarte vindo de São Paulo, que dizia-me “ter sido escolhido um dos 60 advogados de destaque no RS (um por micro-região), além de outras 40 autoridades judiciárias, como desembargadores etc... com recepção em Porto Alegre no dia 11.08.2008, Dia do Advogado” — e que o local e demais informações seriam comunicados em 15 dias.

Com ceticismo a esse tipo de evento, joguei o material no lixo e esqueci.

Em meados de julho encontrava-me ausente do RS, e começaram insistentes telefonemas ora de um tal de Norberto, ora de seu assessor Júnior, indicando que poderia consultar o site respectivo, onde efetivamente existiam todos os dados, como ingressos limitados, lotação limitada a 300 pessoas, programação, critérios, metodologia de pesquisa, além de um complexo regulamento com 20 artigos, bem como um questionário de “perguntas e respostas”.

Havia também comentários dos homenageados de outros anos, dentre eles o atual presidente da OAB-RS que, seguramente, teve sua foto usada indevidamente, numa suposta cerimônia ocorrida no ano anterior no Plaza São Rafael.

Obviamente constava, também, o preço dos convites, limitados a 10 por homenageado, a módicos R$ 240,00 por pessoa, que deviam ser depositados em determinada conta no Banco do Brasil, que por si só é ícone de respeito e seriedade.

Consultei a Receita Federal, e lá encontrei o registro da empresa, cadastrada desde 3 de novembro de 2005.

No último dia que me foi concedido à adesão e para o depósito, com irresistível convencimento, mesmo assim ainda fiz alguns cotejos, e soube que no banco onde deveria fazer o depósito, que dita empresa possuía mais de R$ 139 mil na conta corrente, com dezenas de depósitos pequenos provavelmente de outros incautos. O cadastro no banco estava sem máculas e a conta-corrente era de dois anos.

Fiz e-mail à OAB-RS pedindo detalhes — e até hoje não recebi resposta...

Quando os promotores foram por mim instados a dar maiores informações, e a dizer quem eram os outros advogados — pelo menos da região, e de como houve a escolha — diziam que "só poderiam externar o conteúdo existente na Internet, e que precisariam manter o sigilo e coisas e tal". Gera uma enorme desconfiança, mas...

Aí analisei que uma viagem a Porto Alegre faria bem, com a família, uns dois dias, hotéis, talvez depois uma esticada na serra. Pensei que era hora, mesmo, de aliviar o estresse. E ainda admiti o que todos devem ter cogitado: os caras não vão ser loucos de dar um golpe em advogados, desembargadores e afins.

Claro que também eles podem estar contando com o fato de que, por vergonha, ninguém se manifestará, e a coisa fica por isso mesmo.

Eis que, a partir do dia 26 de julho de 2008, até hoje, o site sumiu; o telefone não atende e o tal evento... nunca mais! Veio somente uma mensagem carinhosa no dia 6 de agosto de 2008, que não permitia resposta/retorno, prometendo que “nova data será marcada”, pois naquele dia havia muitos eventos do gênero.

Golpe de profissional!

Ocorreu-me, então, efetuar consulta processual pelo nome do promotor do evento e qual a surpresa, o mesmo é réu de ações contra si e contra a empresa, em todo o país, por golpe semelhante, e em alguns casos muito pior.

Ninguém está livre, mas a gente se sente um trouxa, daqueles de orelhas de burro bem grandes, que apareciam nos desenhos animados, anos atrás. Por outro lado, não vi nenhuma notícia ou reclamação de outros colegas —, o que prova que o golpe foi perfeito.

Com a concordância do editor do Espaço Vital não vou me identificar pelos próprios fundamentos da questão, livrando-me de incontáveis chacotas.

Todavia, todos precisamos, cada vez mais, eliminar essas pessoas, mentoras desses golpes, pois em 2009 outros serão os otários/vítimas. Não se tem tempo de avaliar exatamente, e mesmo com todos os cuidados que tomei, fica provado que se é vitimado, em um golpe muito bem arquitetado, pois do contrário dariam notícias. É o mais puro estelionato!

Não quero o dinheiro de volta — e certamente nem conseguiria — nem que se faça mal ao vigarista. Mas precisamos eliminar essas metástases. Vamos fazê-los trabalhar para se proverem.

Sugiro que o Espaço Vital, de alguma forma, busque avaliar a quantas foi o golpe. Sugiro uma mensagem/resumo, prometendo não divulgar o nomes e dados dos lesados, mas apenas para aferir o número de vítimas que ainda tiverem coragem de eventualmente informar em resposta, unicamente para aferir a dimensão. Quem sabe, uma enquete: “Você foi vítima do Prêmio Advogado do RS de 11.08.2008”?

A essência resultante é que toda vez que alguém receber proposta semelhante, estará informado e não cairá nesse conto do vigário.

Eu, modestamente, me sinto um otário! Meu objetivo é que outros operadores do Direito não caiam na mesma esparrela.

Artigo publicado no site Espaço Vital

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