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20/02/2009 - Infonet Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Polícia Civil prende estelionatários que aplicaram golpe em casa de show

Eles apareciam nas cidades como grandes empresários, arrendavam estabelecimentos comerciais, lucravam com o espaço e produtos e depois fugiam sem nada pagar.

Eles apareciam nas cidades como grandes empresários, arrendavam estabelecimentos comerciais, lucravam com o espaço e produtos e depois fugiam sem nada pagar. Assim agiam os mineiros Paulo Roberto de Franco Mattos, 62 anos, Roberto Antônio Alves, 55 anos, presos ontem, 19, em Aracaju, pela Polícia Civil de Sergipe. A dupla iria aplicar o mesmo golpe nos proprietários da casa de shows, localizado na avenida Paulo Barreto de Menezes, bairro Farolândia, mas foram detidos quando se preparavam para fugir após vender mercadorias, móveis e eletrodomésticos cedidos em comodato e deixar milhares de reais em dívidas com fornecedores, prestadores de serviço e locadores.

Segundo o coordenador da 4ª Delegacia Metropolitana, delegado Alessandro Vieira, Paulo Roberto e Roberto Antônio agiam juntos desde o ano de 1991, praticando estelionatos e falsificação de documentos em vários Estado do Brasil. Eles até foram indiciados, julgados e condenados em outras cidades, mas teria sido desta feita, em Aracaju, a primeira vez que foram presos. Eles vieram de Natal (RN), onde também teriam agido da mesma forma. Em depoimento, os acusados admitiram os crimes e revelaram ter agido ainda em Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG), onde nasceram. A Polícia Civil chegou até eles após uma denúncia dos proprietários do estabelecimento.

As vítimas relataram que alugaram o espaço e toda a estrutura em janeiro deste ano e vinham cobrando o pagamento do aluguel e outros encargos sem sucesso. Os denunciantes passaram a desconfiar ainda mais do comportamento dos acusados depois que eles deixaram de abrir a casa ao público, há pouco mais de uma semana. “Investigamos a conduta da dupla durante dois dias e fizemos as prisões quando percebemos que eles se preparavam para fugir”, explica o delegado, acrescentando que esta era a conduta padrão dos sócios Paulo Roberto e Roberto Antônio. “Os acusados faziam o máximo de dívidas naquela cidade e fugiam apenas quando as cobranças tornavam a situação insustentável”, acrescenta Vieira.

O delegado Alessandro Vieira informa que todas as testemunhas do caso estão sendo ouvidas e solicitações de relatórios sobre a vida dos acusados já foram enviadas às polícias e órgãos de justiça de outros estados. “Vamos comunicar o caso à justiça de Sergipe ainda nesta sexta-feira, e esperamos concluir o inquérito até a próxima semana. Já descobrimos que o modus operandi utilizado em diversos Estados era sempre o mesmo, com a falsificação de declarações de Imposto de Renda e outros documentos que permitiam a obtenção de crédito no comércio e em estabelecimentos bancários. Numa das ações, Paulo Roberto falsificou uma declaração de renda, atestando movimentação anual de R$ 6 milhões”, explica.

Ainda segundo o coordenador das investigações, a partir da obtenção do crédito e da confiança na praça, Paulo Roberto e Roberto Antônio geravam lucro ilícito mediante a aquisição de mercadorias e serviços com a utilização de cheques sem provimento de fundos ou simplesmente sustados sem justa causa. “Para ganhar a confiança de todos em Sergipe, Paulo Roberto chegou a dizer que era parente do deputado federal e ex-governador Albano Franco. A situação foi levada até o momento em que as cobranças ficaram mais fortes. Eles informaram que iriam fugir na manhã de hoje para Salvador, onde pretendiam curtir o Carnaval. Depois da festa eles voltariam para Belo Horizonte”, acrescentou.

Paulo Roberto ainda chegou a quitar as dívidas de Roberto Antônio recentemente, para usar o nome dele em algumas negociações e abrir contas em bancos em Aracaju. Pesquisas realizadas através da Divisão de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) indicaram uma quantidade elevada de ações judiciais, protestos e negativações em nome das diversas empresas de propriedade dos 'sócios' estelionatários, inclusive com condenações judiciais pelos crimes de estelionado e falência fraudulenta. Foram apreendidos com eles diversos documentos e três veículos importados (Audi, Cherokke e Corolla), em uma casa de praia localizada na Aruana.

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