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18/02/2009 - Jornal de Negócios Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Como um advogado desmoronou o negócio da fraude Stanford

Por: Carla Pedro

R. Allen Stanford, que ontem foi acusado pelas autoridades reguladoras norte-americanas de "fraude em grande escala", garantiu aos seus clientes na semana passada que os investigadores estavam a conduzir meras "vistorias de rotina" à sua empresa texana de consultoria em investimento. Mas, ao mesmo tempo, um advogado do Stanford International Bank em Antígua voltava atrás nas anteriores declarações que tinha prestado, o que aumentou as desconfianças das autoridades.

R. Allen Stanford, que ontem foi acusado pelas autoridades reguladoras norte-americanas de "fraude em grande escala", garantiu aos seus clientes na semana passada que os investigadores estavam a conduzir meras "vistorias de rotina" à sua empresa texana de consultoria em investimento. Mas, ao mesmo tempo, um advogado do Stanford International Bank em Antígua voltava atrás nas anteriores declarações que tinha prestado, o que aumentou as desconfianças das autoridades.

O multimilionário norte-americano, com 58 anos, agora acusado pelas autoridades reguladoras de “fraude em grande escala”, passou as últimas semanas a tentar tranquilizar os seus clientes, mostrando-se indiferente às intimações para que prestasse contas relativamente a oito mil milhões de dólares do dinheiro que tinham investido junto de Standord, divulgou a Bloomberg citando a Securities Exchange Commission (SEC), entidade reguladora do mercado de capitais dos EUA.

Foi um dos próprios advogados de Allen Stanford que acabou por emergir como a figura-chave que levou os reguladores a darem entrada com uma acção em tribunal contra o multimilionário, que no ano passado ocupava a 605ª posição da lista dos homens mais ricos do mundo elaborada pela “Forbes”, com uma fortuna avaliada em dois mil milhões de dólares.

Os reguladores meteram em tribunal Stanford - e o Stanford Financial Group - depois de um advogado do banco de Antígua ter voltado atrás em relação a tudo quanto tinha dito às autoridades. “Este passo atrás do advogado é uma bandeira vermelha”, um sinal de fraude, comentou à Bloomberg um professor de Direito Criminal e de Mercado de Capitais, Peter Henning.

“Retornos improváveis, se não mesmo impossíveis”

O processo civil intentado pela SEC acusa o Stanford International Bank, sedeado em Antígua, de apregoar retornos “improváveis, se não mesmo impossíveis” para os certificados de depósitos (CD) que vendia a investidores há mais de uma década. Um juiz federal em Dallas autorizou o congelamento de activos e nomeou um responsável por contabilizar os perto de 8 mil milhões de dólares que os investidores dispenderam nos certificados de depósito.

O advogado que acabou por “ajudar” a SEC é Thomas Sjoblom, da Proskauer Rose LLP, confidenciou à Bloomberg fonte próxima do processo. Sjoblom é um especialista em fraude financeira que trabalhou durante 20 anos na SEC, antes de integrar o Proskauer Rose em 1999.

A SEC vinha a investigar desde o Verão passado o Stanford Group, sedeado em Houston, no âmbito das suas vendas de certificados de depósitos. A investigação intensificou-se depois da detenção, em Dezembro, do gestor Bernard Madoff, que alegadamente cometeu uma fraude no valor de 50 mil milhões de dólares. Madoff é acusado de ter montado um esquema piramidal em que prometeu aos investidores iniciais sólidos retornos – que foi pagando com o dinheiro dos participantes mais tardios.

As mentiras

O Stanford Group, que vendia os CD através de uma rede de consultores financeiros, dizia aos clientes que o seu dinheiro seria investido essencialmente em instrumentos financeiros facilmente vendáveis, supervisionados por mais de 20 analistas e auditados pelas autoridades reguladoras de Antígua, referiu a Bloomberg, citando a SEC.

Mas, em vez disso, a “grande maioria” da carteira era gerida por Allen Stanford e pelo director financeiro da sua subsidiária em Antígua, James Davis. “Uma parte substancial do ‘portfolio’ foi investido em acções e imobiliário”, adiantou a autoridade reguladora do mercado de capitais norte-americano.

De acordo com a SEC, a empresa de “clearing” Pershing LLC, comunicou ao Stanford Group que deixaria de processar as transferências electrónicas para a sua filial em Antígua, justificando a medida com as suspeitas em relação aos retornos sobre investimentos que estavam a ser reportados.

Nas últimas semanas, à medida que os investigadores enviavam intimações na tentativa de saberem onde estava a ser aplicado o dinheiro dos investidores, Stanford e Davis não compareceram para prestar os seus testemunhos e não forneceram qualquer documento.

No passado dia 6 de Fevereiro, Allen Stanford decretou uma moratória de dois meses sobre os resgates dos certificados de depósito, segundo a SEC. A 11 de Fevereiro enviou uma carta aos seus clientes para explicar as investigações de que estava a ser alvo e que já estavam a ser comentadas na imprensa, salienta a Bloomberg. “Os reguladores comunicaram-nos que estas visitas fazem parte de vistorias de rotina”, escreveu Stanford num “e-mail”.

Ontem de manhã, as autoridades policiais de Houston enviaram uma “task force” de 15 pessoas às instalações do Stanford Group para confiscarem ficheiros e computadores.

A alegada fraude do Stanford Group não se limitou à venda de CD, referiu a SEC. Desde 2005, os consultores do Stanford Group venderam mais de mil milhões de dólares de um fundo de investimento que apresentava dados de desempenho falsos.

Entre as empresas do Stanford Financial Group contam-se o Stanford Group, Stanford International Bank e Stanford Trust.

Allen Stanford é cidadão dos EUA e de Antígua e Barbuda, depois de se ter nacionalizado naquela nação das Caraíbas há 10 anos, segundo a biografia que consta no “site” da empresa. Foi ordenado cavaleiro pelo governo de Antígua em 2006 e usa agora o título de “Sir”.

O Stanford Group tem 19 escritórios nos EUA e mais de 43 mil milhões de dólares sob gestão ou consultoria.

Panamá e Venezuela em campo

Os reguladores da banca no Panamá anunciaram ontem que assumiram o controlo da filial local do Stanford Financial Group, depois de ter sido noticiado que Allen Stanford e três das suas empresas estão no banco dos réus, o que levou a uma corrida aos depósitos no Stanford Bank Panama, revela a Reuters.

Por outro lado, segundo a agência britânica, o Stanford Bank Venezuela está a tentar tranquilizar os clientes, dizendo que os seus activos não estão ligados ao Stanford International Bank. Além disso, pediram para terem no conselho de administração um representante da autoridade nacional da banca.

“De forma a tranquilizar os seus clientes, o Stanford Bank solicitou um representante permanente da superintendência bancária no seu conselho de administração para que haja uma maior transparência”, anunciou a administração daquela filial venezuelana.

Além dos bancos no Panamá e na Venezuela, o Stanford Financial Group opera bancos, corretoras e outras filiais na Colômbia, México e outros países da América Latina, refere a Reuters.

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