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22/10/2006 - O Popular Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Princípio da gestão eficiente


A ditadura é o maior obstáculo ao exercício da criatividade. E os efeitos nefastos da censura não contaminam apenas a política, onde é mais fácil imaginar e situar a ditadura, mas também o mundo dos negócios. A inflexibilidade administrativa - assim como a alta carga tributária, a política monetária caolha ou os mecanismos anacrônicos adotados pelos gestores públicos brasileiros - leva mais de 50% das empresas à falência antes de completar dez anos de vida e coloca anualmente na informalidade 590 mil empresários falidos e trabalhadores.
Então, pré-determinar que não se deve privatizar estatais - ou, mesmo que seja o contrário, que se deve vender todas as empresas públicas - é uma ditadura de idéias. É uma imposição de um pensamento econômico e a eficiência de uma economia de mercado está diretamente relacionada ao seu grau de democracia. Assim, dizer que toda privatização de empresas públicas é prejudicial ao País é o mesmo que dizer que todas as estatais ou todos os serviços públicos são excelentes e a população não tem do que se queixar. A ineficiência empresarial do setor público é muitas vezes maior do que qualquer argumento que se possa usar para defender a perpetuação do cabide de emprego, da evasão de divisas para campanhas eleitorais, do apadrinhamento político nos cargos de direção e todas as mazelas da gestão de diversas estatais. Então deve-se vender na feira tudo que a mão invisível do Estado administra? Penso que não. Temos casos diferenciados. Casos onde vejo mais acerto do que erro. Por exemplo, na telefonia. Aliás, cita-se sempre este serviço para defender a privatização no Brasil. É verdade que o setor, tão importante para a modernização de qualquer país, estava engessado e sem nenhuma capacidade de investimento. Estávamos da mesma forma que estamos hoje no setor de geração de energia. O governo Lula praticamente não acrescentou nada no potencial energético do País e já em 2008 existe um risco real de racionamento de energia. É justo uma sociedade pagar 40% de Produto Interno Bruto de impostos e ter de passar por um blecaute energético em um País que tem uma hidrografia como temos, após ter vivido o mesmo drama há menos de uma década? Voltando à telefonia. Dá para imaginar como estaria a telefonia celular e a internet hoje no País se o setor fosse gerido pela administração pública? Estaríamos fazendo fila para comprar internet discada, que seria um luxo de famílias das classes A e B. No caso da telefonia, estamos falando da concessão de um serviço público. Outros negócios públicos são em setores de exploração de bens naturais, como a estatal Petrobras e a ex-estatal Vale do Rio Doce. As duas empresas estão entre as 200 maiores empresas do mundo. São dois exemplos excelentes. A Petrobras é uma estatal de alta eficiência, técnica e de ponta do setor em nível mundial. Precisa ser vendida? Não, pois atende ao princípio básico da boa gestão administrativa. Mesmo porque o destino do que se arrecada com a privatização no Brasil infelizmente é incerto. E a Vale do Rio Doce? Também uma empresa de ponta no setor de mineração mundial, tendo alcançado maior dinamismo após a privatização. E a grande dúvida é: seria tão eficiente se tivesse seus cargos de presidência, direção e gerência loteados entre os partidos que apóiam o presidente? É muito relativo falar sobre hipóteses. Melhor, números e fatos. A Embraer antes de ser privatizada estava sucateada. Hoje, comprada em leilão por fundos de pensão e empresas brasileiras, é líder mundial em jatos empresariais e já começa ampliar seu mercado em aviões de médio porte, incomodando as multinacionais do setor. Seria a referência no setor que é hoje se a cada período eleitoral tivesse o caixa raspado para financiar campanha da situação? Os Correios, reputado como uma dos mais eficientes estatais do País, que inquestionavelmente tem atuação impecável no setor monopolista de postagem, sofreu no início do atual governo pressão política para pagamento de propina. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Petrobras e os Correios são estatais que só não foram privatizadas porque justificaram administrativamente sua permanência como estatal e, enquanto continuarem assim, não vejo grande necessidade de privatização. Tornaram-se empresas financeiramente saudáveis e com capacidade competitiva no mercado. O Brasil tinha um excesso de empresas públicas, em razão da necessidade do Estado criar condições para o desenvolvimento nas décadas de 60 e 70. O enxugamento da máquina foi necessário, pois existia uma carência de gestores públicos profissionais para administrar esses bens públicos, o que dificultava a fiscalização. Assim, a corrupção foi uma marca das estatais brasileiras. A dinâmica da evolução da administração nos negócios é muito maior do que a vã pregação política panfletária consegue enxergar. Para um País que precisa crescer, instituições fortes e uma economia competitiva não combinam com um Estado inchado, paternalista e corruptível.

* Pedro Bittar é empresário e presidente da Acieg

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