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08/02/2009 - Diário do Grande ABC Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Internet pode facilitar crimes

Por: Fabiana Chiachiri


No Brasil, pedofilia, extorsão mediante sequestro e estelionato são os crimes mais comuns cometidos a partir do uso da internet. Nesta semana, um homem de 31 anos foi preso em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, acusado de pedofilia, atentado violento ao pudor e corrupção de menores. O crime só foi descoberto após a família de um garoto de 10 anos de São Bernardo suspeitar que ele estava sendo molestado por meio de sites de relacionamento ( texto ao lado).

A grande dificuldade na investigação desses crimes é a inexistência de legislação específica para a internet, o que dificulta o trabalho da polícia. Um dos maiores problemas, segundo o delegado do GAS (Grupo Anti-Sequestro) de São Bernardo, Fabiano Fonseca Barbeiro, é a necessidade de autorização judicial para identificar o IP (uma espécie de endereço do computador) de um suspeito.

Outro empecilho é o caráter internacional dos crimes cometidos pela internet. "Muitas vezes, um site de conteúdo racista ou pornográfico hospedado em um servidor brasileiro é feito por uma pessoa na Europa, e vice-versa", explica Barbeiro.

O delegado responsável pelo CIP (Centro de Investigação Policial) da Delegacia Seccional de São Bernardo, Mitiaki Yamamoto, afirma que esses crimes são recorrentes e que o grande problema é a falta de informação dos pais. "Muitas vezes a família não tem conhecimento do que acontece atrás da tela do computador. Por isso, é importante que os adultos acompanhem as crianças para que elas não caiam em ciladas", diz.

Para Yamamoto, o mesmo cuidado que se tem com o traficante deve-se ter com o pedófilo. "Muitas famílias não enxergam que esses dois tipos de criminosos fazem mal para seus filhos, pois eles orientam, ensinam e oferecem dinheiro. É preciso estar atento a qualquer mudança de atitude da criança", explica.

CUIDADOS - Especialistas em situações pós-traumáticas dizem que crianças e adolescentes demonstram quando algo de errado aconteceu. "O comportamento muda. Eles ficam mais assustados, ansiosos e angustiados. É preciso estar atento a essas mudanças", afirma Aderbal Vieira Júnior, psiquiatra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Entre as dicas que o profissional dá está o clima de aconchego e conforto que deve ser transmitido às crianças. "Os pais precisam ganhar a confiança de seus filhos. É fundamental deixar claro que eles não são culpados pelo que aconteceu", diz Vieira Júnior.

Delegacia do Interior lança cartilha

Preocupado com o grande número de casos de pedofilia, o delegado responsável pelo Deinter 1 (Delegacia do Interior 1), que abrange a região de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, Godofredo Bitencourt, lançou uma cartilha de orientação a pais e responsáveis sobre os riscos da internet. O livro traz um apanhado de experiências de diversos policiais.

O delegado da seccional do Litoral Norte de São Paulo - subordinada à Deinter 1 e responsável por Caraguatatuba, Ubatuba, São Sebastião e Ilhabela - Mucio Mattos Monteiro de Alvarenga, diz que a cartilha está sendo distribuída em pontos estratégicos.

Para Alvarenga, o pedófilo está acima de qualquer suspeita. "A maioria desses criminosos possui objetos que atraem as crianças, como brinquedos. Os pequenos são pegos em seus segredos e obrigados a se manter calados para não sofrerem consequências", diz.

Acusado mantinha conteúdo pornográfico em página no Orkut

No dia 2, a polícia de São Bernardo prendeu um segurança de 31 anos acusado de violentar um garoto de 10 em Ilhabela. O menino, morador da favela do DER, foi levado à Delegacia Seccional de São Bernardo por parentes, que suspeitaram que ele havia sido abusado sexualmente durante a viagem ao Litoral.

Três dias depois, quando estava sendo levado para a cadeia, o suspeito desvencilhou-se dos policiais, pulou a janela do terceiro andar da delegacia e foi internado em estado grave no Hospital Mário Covas, em Santo André. "A intenção dele era fugir para a favela do DER", disse o delegado do GAS (Grupo Anti-Sequestro), Fabiano Fonseca Barbeiro.

Segundo Barbeiro, o segurança ia sempre a São Bernardo visitar uma tia, também moradora da favela do DER. "Ele é conhecido na vizinhança e sempre conversava com os meninos do bairro. Alguns ele levava ao McDonald''s ou ao Habib''s e dava presentes."

Com o tempo, o acusado ganhou a confiança da família do menino e teria convencido os pais a deixá-lo viajar. A suspeita do abuso sexual surgiu porque o garoto queria sempre acessar a internet para bater-papo. "Em uma das conversas, ele falava sobre como o tempo que passaram juntos foi bom, mas com teor inapropriado."

Na página de relacionamentos Orkut do acusado, segundo o delegado, há fotos de meninos e imagens de sites pornográficos com menores de idade, o que já o enquadra no crime de pedofilia, corrupção de menor e atentado violento ao pudor.

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