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02/02/2009 - Portal Terra / New York Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Tecnologia provará autenticidade de documentos no futuro

Por: John Markoff

Uma tecnologia digital de fácil uso tornará mais difícil a distorção da história no futuro.

Nesta terça-feira, um grupo de pesquisadores da Universidade de Washington lançará o componente inicial de um sistema público para autenticar um arquivo de entrevistas em vídeo com promotores e outros membros do Tribunal Penal Internacional a respeito do genocídio de Ruanda. O grupo também vai liberar a primeira parte desse arquivo sobre Ruanda.

O sistema deverá ser disponibilizado no futuro para a preservação e autenticação digital de relatos de primeira-mão de crimes de guerra, atrocidades e genocídio.

Tais ferramentas são de vital importância devido à possibilidade atual de alterar texto, vídeo e áudio digitais de forma praticamente indetectável a ouvidos e olhos humanos.

Os pesquisadores disseram que a história está repleta de incidentes de falsificação, exclusão e contradição de registros escritos. Agora, afirmam, a autenticidade de documentos digitais, como vídeos, transcrições de relatos pessoais e protocolos jurídicos, poderá ser comprovada pela primeira vez.

"A analogia mais próxima são algumas histórias revisionistas do Holocausto que afirmam que pessoas não foram colocadas em campos ou fornos," disse Batya Friedman, professora de Ciência da Computação da Escola de Informação da Universidade de Washington. "Você não precisa ser um gênio para afirmar que daqui a um tempo alguns poderão dizer que não existiram 800 mil pessoas massacradas a facão."

Desenvolver sistemas digitais que possam preservar informação por muitas gerações é um dos desafios mais problemáticos da engenharia. A solução dos pesquisadores foi criar uma impressão digital disponível ao público, conhecida como hash criptografado, que torna possível a qualquer um determinar se os documentos são autênticos e não foram alterados indevidamente. Hans Peter Luhn da IBM foi o pioneiro no conceito de um hash digital no início dos anos 1950. Os pesquisadores da Universidade de Washington são os primeiros a tentar simplificar a aplicação para usuários sem conhecimentos técnicos e oferecer um sistema completo que possa preservar informação através de gerações.

Devido tanto ao ritmo rápido da inovação quanto à tendência dos computadores ficarem ultrapassados em meses ou anos, talvez seja menos provável conseguir ler arquivos digitais antigos do que documentos em papel que sobreviveram a longos períodos de tempo. Processadores de computador rapidamente são substituídos por modelos incompatíveis, programas são desenvolvidos com novos formatos de dados e o armazenamento de mídia digital, seja fita digital, disco magnético ou chip de memória, é efêmero.

Diversos tecnólogos já lutam contra a natureza passageira dos registros digitais.

Em 1996, o cientista da computação Danny Hilis ajudou a fundar o projeto Long Now, alertando a respeito da possibilidade de uma "era das trevas digital." O grupo desenvolve agora um relógio que se move anualmente e é projetado para ter um tempo de vida de 10 mil anos. A intenção é que ele seja um contraponto ao espírito "veloz e barato" do mundo contemporâneo cada vez mais informatizado.

Hillis argumenta que antes da ascensão da informação digital, as pessoas valorizavam documentos de papéis e cuidavam deles. Desde então, presta-se cada vez menos atenção à preservação da informação. Agora a informação é rotineiramente armazenada em mídias que talvez durem apenas alguns anos.

Com esse intuito, outro cientista da computação, Brewster Kahle, fundou o Internet Archive em 1996 para preservar um registro completo da World Wide Web e outros documentos digitais. De forma semelhante, bibliotecários da Universidade de Stanford criaram em 2000 o LOCKSS, ou Muitas Cópias Mantêm Coisas a Salvo na sigla em inglês, para preservar jornais na era digital, disseminando cópias digitais de documentos através de uma comunidade internacional de bibliotecas via internet.

Friedman, porém, diferencia seu trabalho daqueles que se focam na simples preservação do material digitalizado. Ao invés disso, ela tentou desenvolver sistemas digitais completos que teriam o papel de fortalecer instituições sociais ao longo do tempo com a criação de um registro histórico, que ofereceria continuidade através de múltiplas vidas úteis.

"Construir um relógio é um símbolo," ela disse. "A diferença é que estamos tentando resolver problemas sociais reais e significativos."

Já que problemas como genocídio, HIV e Aids, fome, desflorestamento, aquecimento global não serão solucionados no tempo de vida de uma pessoa, ela argumenta que sistemas de informação que garantam a continuidade por gerações são uma necessidade.

Para fundamentar a pesquisa em uma situação real, os pesquisadores começaram a montar um arquivo de entrevistas em vídeo de juízes, promotores e outros membros do Tribunal Penal Internacional envolvidos no caso de Ruanda. O objetivo era desenvolver um sistema que asseguraria que a informação fosse preservada por mais de um século.

Durante o último outono americano, Friedman viajou com um grupo de juristas e técnicos de vídeo para Arusha, Tanzânia, onde o tribunal funciona, e depois para Kigali, Ruanda, para gravar as entrevistas.

Após captar cinco gigabytes de vídeo em 49 entrevistas, o grupo começou a trabalhar num sistema que permitisse aos espectadores se certificarem por si sós de que os vídeos não haviam sido manipulados mesmo sem um computador potente ou conexão veloz à internet.

Apesar de existirem aplicativos comerciais que permitem verificar a hora que um documento foi criado e se ele foi ou não alterado, os pesquisadores quiseram desenvolver um sistema gratuito que pudesse sobreviver a repetidas mudanças tecnológicas.

No cerne do sistema está um algoritmo usado para computar um número de 128 caracteres, um hash criptografado da informação digital de um dado documento. Mesmo a menor modificação do documento original resulta em um novo valor de hash.

Nos últimos anos, pesquisadores encontraram fraquezas nos atuais algoritmos de hash. Por isso, em novembro, o Instituto de Padrões e Tecnologia dos EUA lançou uma competição para a criação de tecnologias mais fortes. Os pesquisadores da Universidade de Washington usam agora um moderno algoritmo de hash chamado SHA-2, mas projetaram o sistema para que ele possa ser facilmente substituído por outro algoritmo mais avançado.

Seu sistema será distribuído como parte de um CD conhecido como "Live CD", que permite a autenticação ou verificação do conteúdo com a simples inserção do disco no computador. O disco também inclui componentes que tornarão possível ver documentos e vídeos que talvez não sejam mais acessíveis por programas no futuro.

O problema é complexo, disse Michael Lesk, professor do departamento de Biblioteca e Ciência da Informação da Universidade Rutgers, porque não apenas prova que a informação não foi modificada no seu formato original, mas também faz com que o hash digital original permaneça válido após uma modificação de formato.

A Fundação Long Now está desenvolvendo uma ferramenta que converte documentos de forma fácil entre formatos digitais, disse Stewart Brand, um dos fundadores do projeto.

"A idéia é conseguir transformar qualquer coisa em qualquer outra coisa," disse.

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