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04/03/2008 - O Tempo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Crime para quem quiser ver

Por: Eugênio Martins

Reportagem de O TEMPO flagra golpe do achadinho em dois movimentados pontos do hipercentro de Belo Horizonte.

Estelionato a céu aberto, durante o dia e em pleno hipercentro de Belo Horizonte. O famoso golpe do achadinho (também conhecido como da tampinha) voltou a ser praticado livremente por pessoas que extorquem dinheiro em um jogo de adivinhação, justamente em pontos da cidade onde a prefeitura tem gastado milhões na tentativa de revitalizar áreas degradadas. No golpe, flagrado pela reportagem de O TEMPO em ruas de grande movimento, na praça da Estação e em frente à rodoviária, os criminosos convidam os pedestres a apostar a sorte para descobrir em qual das três tampinhas colocadas em um tabuleiro está uma bolinha de isopor. Porém, sem que a pessoa perceba, o objeto é retirado e os estelionatários levam o dinheiro da vítima.

Na praça da Estação, um grupo com seis homens, reunidos em volta de um banco, escondia os objetos usados no golpe do achadinho em uma bolsa. Eles convenceram um senhor que caminhava pelo local a participar do jogo e um dos supostos envolvidos no golpe, que se passou por jogador, mostrou à vítima em potencial ter acabado de ganhar R$ 50. Convencido de que também poderia se dar bem, o senhor apostou uma certa quantia em dinheiro, mas, como era previsto, perdeu tudo. Ao perceber que tinha sido lesado, o homem discutiu com o grupo de estelionatários.

Por sorte, uma viatura da Polícia Militar que passava pelo local percebeu a confusão e abordou os suspeitos, que logo fecharam a bolsa onde estavam os objetos utilizados no jogo e mostraram aos policiais uma outra, mas que não continha nada de relevante. Os militares foram embora, a vítima continuou sem o dinheiro apostado e o golpe continuou a ser aplicado. A poucos metros do local, havia três guardas municipais, mas eles não perceberam a jogatina.

A praça da Estação, que já foi um dos pontos mais degradados do hipercentro, recebeu investimentos da ordem de R$ 5 milhões em obras de revitalização, dentro do projeto Centro Vivo. Apesar da iniciativa de universalizar o uso do espaço público ser prejudicada por uma atividade criminosa, a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da assessoria da Secretaria de Administração Regional Centro- Sul, não demonstrou muita reação. Informou que a função de coibir a prática ilícita é exclusiva da polícia e que os guardas municipais devem acionar a PM em caso de irregularidades.

E a polícia enfrenta uma equipe de criminosos bem preparados. Além da pessoa que manipula o tabuleiro, do que finge ter ganhado e do que aborda as vítimas, pelo menos outros dois atuam como olheiros, observando a eventual presença de policiais, fiscais ou de outras pessoas que possam atrapalhar o esquema.

Em outro local ainda mais movimentado do centro, em frente à rodoviária, quatro homens aplicavam o mesmo golpe. A reportagem, convidada a arriscar a sorte, apostou R$ 10 para comprovar a fraude. Como era esperado, os golpistas levaram o dinheiro e ainda incentivaram uma nova rodada, inflando o prêmio para R$ 100. Entretanto, um olheiro percebeu a presença de policiais e alertou os demais envolvidos, que fecharam a bolsa onde estavam as tampinhas e deixaram o local.

O delegado titular da 21ª Delegacia de Polícia do hipercentro, Marco Antônio de Paula Assis, afirma que o golpe do achadinho foi praticamente extinto na região central da cidade há cerca de dois anos. Entretanto, diz o policial, há relatos de que o golpe tem sido aplicado novamente, embora não haja estatísticas sobre as ocorrências. Segundo ele, a mecânica do golpe funciona da seguinte maneira: a superfície onde são colocadas as tampinhas é marcada com pequenas depressões, de modo que a bolinha de isopor possa escorregar para fora do tabuleiro. O estelionatário, ao manipular as tampinhas, deixa que a bolinha corra pelas depressões e a esconde debaixo da unha. "É uma ação tão rápida e sutil que não dá tempo para a pessoa perceber", afirmou Assis.

Informado pela reportagem sobre os flagrantes, o delegado afirmou que diligências serão feitas nos locais para tentar prender os suspeitos. O golpe do achadinho é considerado crime de estelionato e roubo mediante fraude. A pena pode chegar a oito anos de prisão.

Centro registra 16 casos de estelionato

Conforme o major Márcio Ronaldo de Assis, da 6ª Companhia Especial do 1º Batalhão da Polícia Militar, desde o início do ano foram registrados 16 casos de estelionato no hipercentro, incluindo o golpe o achadinho. Porém, o major acredita que o número de golpes possa ser bem maior porque a maioria das pessoas não registra o boletim de ocorrência. “A vítima fica com vergonha, pois é como se ela assinasse um atestado de burrice ou porque percebe que também queria levar vantagem na situação. As pessoas não têm nos procurado para registrar a ocorrência, o que dificulta até o levantamento de estatísticas sobre os golpes”, afirmou.

Segundo ele, o golpe do achadinho não foi eliminado, mas a incidência diminuiu, entre outras causas, pelas câmeras do Olho Vivo. De acordo com a assessoria de imprensa da PM, o sistema de vigilância opera nos dois locais onde a reportagem de O TEMPO flagrou os crimes de estelionato. “Esse golpe é difícil de ser descoberto pela polícia porque os criminosos trabalham com astúcia”, justificou Assis. A orientação da PM é que as pessoas nunca participem de qualquer aposta ou jogo nas ruas e que evitem ficar paradas observando jogos ou apresentações em praças porque, nesses casos, também costumam agir os batedores de carteiras, especializados em aproveitar a distração da vítima para furtá-la. Se a pessoa se sentir lesada ou constrangida pelos estelionatários, ela deve acionar a polícia e registrar um boletim de ocorrência.

As pessoas também devem ficar atentas a uma outra modalidade do golpe do achadinho. Segundo explica o delegado da 21ª Delegacia de Polícia, Marco Antônio de Paula Assis, nesses casos, os golpistas (que andam em dupla) simulam ter perdido um cheque ou uma carteira. A vítima, que encontra o objeto, o entrega aos estelionatários, que se dispõem a recompensar a pessoa. “Um deles pede para que a vítima o acompanhe até alguma sala de um prédio, mas fala que a entrada com bolsa é proibida. Então, sugere que a pessoa deixe a bolsa com o seu comparsa. Se a vítima deixa a bolsa, ela é furtada. Se não deixa, mas acompanha o outro, é assaltada quando chega ao local”, explicou.

Vítimas do golpe preferem não chamar a polícia

Um funcionário de uma universidade que fica próximo à praça da Estação, que preferiu não se identificar, afirma ser comum pessoas aplicarem o golpe do achadinho, principalmente nas imediações de um shopping popular da região e nas ruas Rio de Janeiro e Guaicurus. “Eles mudam muito de local.

Não ficam muito tempo no mesmo lugar porque quem foi lesado volta para reclamar ou chama a polícia”, relatou. O pedreiro Antônio Eustáquio Freitas, 38, afirma que, há poucas semanas, foi vítima do golpe do achadinho, na esquina das ruas São Paulo com Curitiba. “Eles insistiram muito para que eu apostasse. Perdi R$ 50, isso porque eu parei. Não procurei a polícia porque não adianta nada.

Quem aplica o golpe nunca é encontrado”, afirmou. A dona de casa Maria Auxiliadora Domingues, 52, conta que, ao passar pela avenida Santos Dumont, no hipercentro da capital, aproximou-se de um grupo de pessoas que observava algo e também foi coagida a participar do jogo. “Um homem me mostrou duas notas de R$ 100 e falou que tinha acabado de ganhar porque conseguiu descobrir onde estava a bolinha de isopor. Um outro senhor que segurava a bolsa com as tampinhas falou para mim que era fácil e perguntou quanto dinheiro eu tinha. Eu disse que tinha R$ 20 e eles falaram para eu apostar.

Até chegaram a me segurar pelo braço. Eu me senti tão pressionada que dei o dinheiro e não ganhei”, disse. A dona de casa afirma que não procurou a polícia por se sentir constrangida e por medo de represálias. “Eu sempre passo por aquele local e eles podem me reconhecer”, afirmou.


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