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01/02/2009 - Último Segundo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Ponzi, modelo de vigarista, morreu na miséria em asilo carioca

Por: Nahum Sirotsky


Eu entrevistei Carlo Ponzi, maior vigarista do século 20. Estava lendo “The Trillion Dollar Meltdown,” de Charles R.Morris, da Editora Public Affairs, americana, qualificado de melhor livro até agora sobre o débâcle do sistema financeiro americano. E me lembrei dele pelas semelhanças. As 194 páginas do livro ainda não foram traduzidas. Mas parece história de detetive. Como sabemos, o dinheiro move o mundo. A obra é outro capítulo e como a possibilidade de ganhar mais e mais traduz a fraqueza da natureza humana. No caso, resultou na crise cujo fim não é visível, já custou milhões de empregos e trilhões em perdas. Foi uma sofisticada aplicação do truque da pirâmide.

Carlo Ponzi, ítalo-americano, maior vigarista do século passado, foi quem aplicou tal golpe com extrema perícia. Chegou a ficar multimilionário. Bernard Madoff chegou a ser considerado o mais competente conselheiro de como investir de Wall Street. Subitamente, ao fim de dez anos de tal posição, confessou de público que falia responsável por 50 bilhões de dólares de seus clientes. Nele confiaram universidades e alguns dos maiores economistas do mundo. Ele atraia sua clientela garantindo rendimento acima da média.

Em fins de 1947, ou num dia de 1948, Francisco Alvez Pinheiro, o meu primeiro, inesquecível e maior chefe de reportagem que conheci em minhas décadas de jornalismo, deu-me um endereço de um asilo para velhos pobres e disse que lá fosse procurar um velho de nome Charles ou Carlos Ponzi, que fora o inventor do esquema da Pirâmide. Ganhara milhões de dólares, levara muita gente à falência, tinha se refugiado num asilo carioca depois de perder tudo. Ele criara a ”Securities Exchange Co.” como seu instrumento.

Foi lendo o livro que tudo me voltou à memória.

Fui ao asilo cujo nome não lembro. Passaram-s 60 anos. Mas o cheiro de miséria que senti retornou. Encontrei um homem envelhecido, magérrimo, cujos olhos brilharam quando me apresentei. Ele me disse que “my story worth millions”, minha história vale milhões. Não era tradição pagar. Sei que um jornal de Boston esteve com ele depois. Talvez tenha pagado. Recordo ele me dizer com orgulho que de muitos fizera milionário. E se não tivessem atrapalhado estaria no negócio por muito mais tempo. Uma versão do esquema diz que ele convencia quem nele confiasse dinheiro pagaria o investimento com 50 por cento de juros em duas semanas. O que fazia é que pegava de João para pagar a Antonio. E pagava. Além dos que reinvestiam vinha dinheiro de todos os cantos. Chegou a ter meio bilhão em depósitos num pequeno banco antes de quem vendera móveis baratos ao seu escritório estranhar e dizer na polícia que ele parecia ter ficado milionário em poucos meses. Perdeu a confiança dos clientes. Faliu antes de preparar uma saída com lucros. Do que ele me contou lembro-me de história relacionada com aplicação em cartões europeus de respostas que ele comprava com desconto e obtinha reembolso no valor de face nos Correios americanos. Depois, o que não contou. Verificou-se que só pagava investidores com re-aplicações no mesmo número inicial. Nunca faltam otários. Mas rumores provocaram corrida exigindo pagamento imediato. Foi o fim, ficou a zero, pegou cadeia.

A crise aconteceu com o sistema financeiro multiplicando valores de títulos sem valor de fato. Num certo momento houve falência de quem começara tudo, e foi o pavio que arruinou toda a jogada que era uma pirâmide. No pico não se tinha mais otários a atrair com a diferença de que os governos não podiam deixar os vigaristas falirem. Eram importantes e grandes demais na economia.

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