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18/12/2008 - O Estado de São Paulo / Ag. Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A história de Ponzi mostra que um dia a pirâmide cai

Por: Paula Pacheco


Bernard Madoff não é o primeiro milionário a tirar vantagem dos outros por meio das pirâmides financeiras. Na década de 20, o ítalo-americano Carlo (ou Charles) Ponzi entrou para a história como um dos grandes estelionatários especializados no esquema. Ele enganou por volta de 30 mil pequenos empresários nos Estados Unidos com a promessa de pagar altos dividendos em um curto período de tempo - dobrar o capital investido em 90 dias.

Assim como Madoff fez mais tarde, com o dinheiro pago pelas vítimas, Ponzi remunerava quem estava no topo da pirâmide. No tempo das vacas gordas, o rendimento diário do golpista chegou a US$ 250 mil. O esquema naufragou quando as vítimas começaram a pegar de volta seus investimentos. Ponzi foi parar na cadeia.

Ao ser libertado, assim como tantos bandidos que rumam até um paraíso tropical para esquecer dos dias difíceis, Ponzi se mudou para o Rio de Janeiro e viveu no apartamento 112 da Rua Engenho Novo, número 118. Mas a história não teve o final feliz dos filmes, com o bandido tomando uma caipirinha em Copacabana. O golpista morreu na Santa Casa em 1949, paralítico e cego, como indigente. Madoff, ao ser preso, homenageou a fonte inspiradora ao dizer que era "basicamente, um esquema Ponzi gigante" o que ele fazia.

José Dutra Vieira Sobrinho, especialista em matemática financeira, explica por que a pirâmica não tem como dar certo. Segundo ele, trata-se de uma progressão geométrica. Começa com 2, depois 4, 8, 16 pessoas, e não pára mais. "Quem está no topo da pirâmide pode até ganhar algum dinheiro. Mas há um limite. Uma hora quem chega no esquema não vai mais contar com novas adesões. Nem que o mundo todo entrasse seria possível todos ganharem, porque os últimos não terão como ser beneficiados. O raio de alcance é limitado e, simplesmente, deixa de dar certo se alguém interrompe a corrente."

O matemático condena a prática da corrente: "É um jogo de espertalhões que beira a desonestidade. Mas infelizmente ainda tem muita gente que cai nessa conversa na esperança de enriquecer sem esforço".

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