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10/10/2006 - Diário de Cuiabá Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Democracia e Corrupção


Nunca se questionou tanto a ética no país como agora, quando os brasileiros gozam de todas as liberdades da democracia. As duas questões - ética e democracia - não podem ser dissociadas nem conceitualmente nem na prática do governo. O fato de as infrações às normas éticas pelos administradores aparecerem com tanta freqüência nas nações democráticas não é porque elas são menos éticas, mas, ao contrário, porque é nas democracias que tais infrações podem ser investigadas e dadas ao conhecimento dos cidadãos. É nos países que distinguem o interesse público e lhe dão prevalência sobre os interesses privados ou corporativos que a corrupção administrativa e política surge como crime e é denunciada como tal.

Nas últimas décadas, com insistência nos anos recentes, o debate sobre a ética tem sido especialmente vigoroso em nosso país, provocado pela série de irregularidades no setor público e nos partidos. Os episódios do valerioduto, do mensalão e dos sanguessugas e, antes, o debate sobre as circunstâncias das privatizações, os escândalos do superfaturamento de obras públicas e dos anões do orçamento e as denúncias que levaram à renúncia do presidente Fernando Collor são, todos eles, fatos que geraram intensa preocupação ética. E todos eles só ganharam essa condição porque as liberdades democráticas permitiram sua investigação, seja pelos mecanismos institucionais, seja pela imprensa livre.

O papel dos meios de comunicação tem sido visto como um dos mais relevantes na condição de representantes informais da opinião pública, ainda que, em alguns casos, tenham eles mesmos incorrido nos resvalões daquilo que se convencionou chamar de denuncismo. Uma investigação realizada pela Transparência Internacional, ONG voltada para o estudo do fenômeno mundial da corrupção, identificou que os países que respeitam a liberdade de imprensa são normalmente os menos corruptos e os mais vigilantes quanto à ética de suas empresas e de suas administrações.

É, pois, nas democracias plenas, ao contrário dos regimes de exceção ou daqueles em que os direitos e liberdades fundamentais são ameaçados, que a questão ética pode ser levantada e seus infratores denunciados. Neste sentido, apesar da desilusão dos cidadãos quando vêem homens públicos envolvidos com mensalões e sanguessugas ou quando tomam conhecimento da corrupção em licitações ou na administração de empresas estatais, não há dúvida de que há reservas morais nas instituições brasileiras e na classe política que podem ser mobilizadas na defesa do aperfeiçoamento ético. Só as democracias permitem que os desvios sejam denunciados e investigados. E só com mais democracia é que os cidadãos saberão escolher seus representantes e que os escolhidos se verão forçados a ampliar o senso de responsabilidade pública e a luta pelo bem comum.

“Só com mais democracia é que os cidadãos saberão escolher seus representantes”

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