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05/10/2006 - Folha de São Paulo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A Raposa e o Cordeiro

Por: Maria Sylvia Carvalho Franco


LULA PROJETOU, sempre, a figura pacificadora do conservador, distribuindo benesses a ricos e pobres, valendo-se da dominação política tradicional. Mas qual a forma visível desse poder?
Mesmo quando se dizia contrário à ordem estabelecida, Lula nunca apareceu na figura do guerreiro valente, irado e fogoso, no brilho e tilintar dos ferros, com os punhos cerrados e a lança em riste, as presas aguçadas e o olhar flamejante das grandes feras épicas: o leão corajoso, prestes ao assalto, não é metáfora que lhe sirva.
Em vez da imagem armada para infundir temor e respeito diretos no adversário, Lula escolheu a via tortuosa da esperteza, minando as instituições, atingindo o calcanhar de adversários e aliados: o dinheiro, num mundo de mercado e escassez, foi seu astucioso aparato destrutivo; desmoralizou a soberania e a representação do povo, catalisou a desonra de pessoas, admitiu a corrupção de consciências, relegou velhos aliados ao haraquiri para salvar-se, expandiu a desigualdade, pôs à venda, por pratos de lentilhas, a altivez e a dignidade dos pobres.
O retrato que sintetiza todos esses tristes malefícios é o do chefe que afaga e aplaca. O olhar brando, o sorriso largo, montado pela dentição clara, regular e alinhada, as mãos estendidas com generosas palmas abertas para cima, o corpo ataviado na maciez da lã ou do algodão, no enfeite da seda lustrosa, desenham, em tudo, uma figura acolhedora, harmoniosa, cujo mais eficiente recurso foi a mansidão.
Em crise, exibiu o fantasma do cordeiro inocente e abatido, ignorando como e por que foi levado ao sacrifício. Ferido por trapaças recônditas, ou periclitante nas urnas, Lula mostra, em aparência, o mesmo viso melancólico e benévolo, enquanto, por baixo, aguça o ferrão, sugando a riqueza do país em prol de si mesmo, da "companheirada" e daqueles que detêm o poder real, a serviço dos quais se colocou.
Esse o segredo de suas vitórias, agora ameaçadas. Sua fraqueza desponta na auto-indulgência: "nunca ninguém fez tanto em toda a história deste país". Para seu próprio bem. Sob seu jugo, ele vislumbra o "outro Brasil que vem aí, mais tropical, mais fraternal...". Para o presidente que se vangloriou da mãe nascida analfabeta, a semicultura até que vem a calhar, expondo seu elemento na referência a Gilberto Freyre, o amigo da ditadura salazarista, o ideólogo do conservadorismo legitimador da desigualdade, da fraternidade mentirosa, da servidão travestida em liberdade. No entorno do presidente, há assessores ilustrados que poderiam ter-lhe contado essa novidade, poupando-lhe o constrangimento de citar quem desmente a sua propaganda.

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