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06/12/2008 - Correio de Uberlândia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Lei de Gérson

Por: Cláudio Vital


Se você tem menos de 40 anos provavelmente não tenha ouvido falar do jogador Gérson. Esse homem, também conhecido como comentarista de sucesso, foi peça-chave na seleção do Brasil que conquistou o Tricampeonato do Mundo no México em 1970, trazendo definitivamente a taça Jules Rimet para o Brasil, que foi posteriormente roubada e derretida. A chamada Lei de Gerson não tem a ver com suas habilidades com a bola, mas com um comercial de cigarro (se bem me lembro a marca era “Vila Rica”) em que era o garoto-propaganda. Em determinado momento do comercial, depois de forçar elogios à marca do cigarro emendava: “Você que gosta de levar vantagem em tudo, fume Vila Rica”.

Essa simples frase dita no comercial aos poucos foi se transformando na “lei de Gérson”. Quando se diz que alguém usa a lei de Gérson, se está afirmando que usa de todos os artifícios — quer lícitos ou ilícitos — para sempre levar vantagem. Sabemos que é simplesmente impossível se levar vantagem em tudo. Mas tem gente que busca negar essa realidade usando da desonestidade para, lesando o outro, ter a sensação que levou vantagem. Ledo engano. A desonestidade embutida no tirar vantagem em tudo é semente de erva daninha que plantamos em solo fértil e que florescerá dando muitos frutos que quando amontoados ou ensacados terão escrito em suas embalagens a palavra “desgraça”. Vou contar um fato que aconteceu comigo. Ano passado em constantes viagens de carro próximo aqui de Uberlândia onde moro, passava por dois laranjais em que dois homens vendiam laranjas em barracas na beira da estrada. Eu comprava laranja fresquinha toda semana para fazer suco para minha família, sempre no mesmo lugar e já tinha até feito amizade com o vendedor — um simpático caboclo, fisionomia de homem sofrido, quase sempre com uma sandália de dedo com tiras esgarçadas, pés sujos e roupas semiesfarrapadas. Vendia vários tipos de laranja e, do local onde se negociava, dava para ver milhares de lindos pés de laranja cheios de pontinhos amarelos, anunciando uma ótima colheita. Uma vez na minha compra semanal de laranja fui surpreendido pelo preço que simplesmente havia dobrado desde a última compra que tinha sido na semana anterior.

Expressei minha surpresa perguntando se eu estava equivocado ou se o preço que ele estava me cobrando era o dobro. Diante da sua confirmação e da minha pergunta do motivo da elevação tão salgada do preço, ele pela primeira vez olhou direto nos meus olhos e afirmou: “Doutor, o senhor não viu na TV a geada na Flórida que queimou os laranjais?”. Nesse momento entendi o que estava se passando e disse a ele que raramente via televisão, mas que não duvidava de sua palavra, mas lhe perguntei o que tinha a ver a geada na Flórida com o preço da laranja que ele produzia, uma vez que aqui o tempo estava ideal para a produção abundante como dava para ver pelo clima temperado e pelos pés de laranja carregados. A partir daí tentou me dar uma simplória aula de economia para justificar seu preço. As compras seguintes de laranja sempre as fiz no seu concorrente que continuava a cobrar o mesmo preço praticado antes da tal geada, cujo laranjal ficava a menos de 10 quilômetros do local. Depois disso, passei alguns meses sem viajar e somente este ano, já próximo à colheita da laranja, passei pelo mesmo local de novo e não acreditei no que vi: todos os pés de laranja que era possível se ver a olho nu do tal caboclo da geada na Flórida estavam secos. Não havia uma folha e muito menos frutos. Sua banca de venda de laranjas estava totalmente vazia e o sujeito nem ali estava. Passei pelo outro laranjal e lá estava o outro vendedor sorridente, com abundância de laranjas na sua banca e os pés de laranja com uma mistura abundante de verde e amarelo. O melhor que cada um de nós pode fazer por si mesmo é ser honesto. A vantagem do primeiro momento gerada pela desonestidade volta-se mais tarde como monstro, devorando tuas entranhas.

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