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05/12/2008 - Correio da Manhã Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Milionário deixa buraco de milhões

Por: Luís Lopes / Tânia Laranjo / Miguel A. Ganhão


Após ser descoberto um buraco de 50 milhões na auditoria à BPN-Créditus, que obrigou Óscar Silva, presidente do Conselho de Administração da empresa, a sair pela porta pequena e que motivou, em 2003, buscas ao banco com vista à apreensão dos contratos fictícios, o empresário, hoje com um património que o torna milionário, partiu para outros voos: no Verão de 2006 acompanhou o administrador da Air Luxor Vítor Pinto da Costa na compra da companhia.

Vítor Pinto da Costa, nome então desconhecido na aviação, assumiu em Julho de 2006 a compra da Air Luxor, antes pertença do grupo Mirpuri, alegadamente porque liderava um grupo de investidores luso-canadiano denominado Longstock Finantial. Na verdade, os canadianos nunca foram apresentados publicamente, mas quem aparece no negócio é o economista Óscar Silva, apesar de não ter assumido o novo CA.

Vítor Pinto da Costa surge depois como líder do grupo Biorecolhe, que se envolveria mais tarde na ATA Aerocondor, que perdeu este ano a licença de exploração aérea, ficando as rotas que operava no nordeste transmontano para a Aeronorte. Curiosamente, a Biorecolhe afirma ter a sua sede na Avenida Mário Sacramento, em Ílhavo, no mesmo número onde se situa um hotel de quatro estrelas. Vítor Pinto da Costa, acompanhado de Óscar Silva, mostrou-se interessado, nesse mesmo Verão, em comprar aquele hotel.

Nessa altura, os dois associados foram também acompanhados por um técnico de contabilidade que rapidamente se afastou do duo, por entender que poderiam estar em marcha negócios pouco claros. O próprio hotel, de resto, caracterizava-se pela presença de mulheres supostamente prostitutas.

Discreto na Air Luxor, Óscar Silva aparece todavia numa reunião com o presidente da Aigle Azur, quando esta companhia decide avançar para tribunal reclamando 1,2 milhões de euros de dívidas e danos causados.

Óscar Silva já era nessa altura dono de um património invejável, que passava por várias sociedades e empresas offshores.

LISTA DE BENS

MORADIA

Óscar Silva tem uma moradia de quatro frentes com mais de mil metros quadrados na Foz. Tem também uma casa de campo no Gerês.

CARROS

Para além do carro de uso pessoal, o economista deteve um Porsche, uma moto superior a 1000 cc, mota de água, jet-ski e um pequeno iate.

ARTE E CAVALOS

Para além de valiosa colecção de arte, que inclui Vieira da Silva ou Paula Rego, é proprietário de dois cavalos puro sangue de competição.

OLIVEIRA E COSTA FALSIFICOU A CONTABILIDADE

O último processo de contra-ordenação que foi levantado pelo Banco de Portugal ao BPN tem a data de 17 de Junho e tem como fundamento indícios de prestação de 'informações falsas' à entidade de supervisão, bem como indícios de 'falsificação de contabilidade', de 'inobservância de regras contabilísticas' e de 'violação de normas registrais'. Este é um dos seis processo abertos por Vítor Constâncio à anterior administração do BPN liderada por Oliveira e Costa. O primeiro foi instaurado a 12 de Fevereiro com o fundamento na utilização do sistema financeiro para branqueamento de capitais.

LINHARES E SALGUEIROS COM FROTA DE AUTOMÓVEIS

A família de José Linhares e o Sport Clube de Salgueiros fizeram empréstimos no BPN-Créditus num valor superior a um milhão e 200 mil euros. O dinheiro foi-lhes sempre entregue a troco de supostas compras de carros topos de gama, que os próprios vieram mais tarde garantir que nunca adquiriram.

Aliás, José Linhares e outros seus familiares asseguraram mesmo nas acções cíveis – entretanto interpostas – nunca terem assinado os documentos, sustentando que as assinaturas eram falsas. As perícias feitas pela Polícia Judiciária confirmaram que a letra era de tal forma semelhante que seria quase impossível tratar-se de uma falsificação.

Os processos que o CM consultou – e que fazem parte de um rol de acções interpostas pelo BPN para tentar reaver o crédito mal-parado – mostram, então, que a aquisição de automóveis sustentava a grande maioria das operações bancárias daquela empresa detida pelo BPN e gerida pelo economista da sua confiança pessoal.

No caso de José Linhares, por exemplo, o dirigente desportivo comprou um BMW, um Jeep, vários Mercedes e Lancias que nunca pagou. Em 2003, o BPN avançou com acções para reaver os créditos, fazendo o mesmo a outros devedores.

O problema foi que as penhoras dos carros nunca aconteceram. O BPN acabou por penhorar televisões e louças de casa, para tentar minorar as dívidas.

UM AUDI PARA FUNCIONÁRIA DA LIMPEZA

Márcia estava desempregada. Fazia limpezas e ganhava à hora. Muito pouco. Mesmo assim, o BPN-Créditus emprestou-lhe cerca de 40 mil euros. O dinheiro destinava-se à compra de um Audi A4 1,9 TDI, com poucos meses. Quando Óscar Silva deixou a administração da empresa detida pelo banco, Márcia engrossava a lista de crédito malparado. Garantiu em tribunal que não repunha o dinheiro, porque nunca tinha feito nenhum contrato. Também nunca comprara tal carro.

NOTAS

RUI MACHETE: FLAD SAIU EM 2007

A Fundação Luso-Americana e o seu presidente, Rui Machete, esclareceram ontem que deixaram de ser accionistas da Sociedade Lusa de Negócios em Abril de 2007.

BUSCAS: BRANQUEAMENTO

O mandado do Tribunal da Maia, que levou à apreensão dos documentos na BPN Créditus, fala em suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

O. COSTA: ESCOLHA PESSOAL

Óscar Silva foi uma escolha pessoal de Oliveira e Costa. O economista apresentava resultados na Credifin, uma empresa também dedicada à concessão de créditos.

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