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26/11/2008 - Último Segundo / Agência Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

PF ataca fraude em venda de importados chineses


A Polícia Federal prendeu ontem 13 pessoas durante a operação "Negócio da China", que desmontou um suposto esquema fraudulento de importação de produtos chineses envolvendo a rede de varejo Casa & Vídeo, uma das maiores do Rio. Um décimo quarto suspeito, que não teve o nome revelado, está foragido.

A investigação, feita com a Receita Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, também culminou em 20 mandados de busca e apreensão em lojas e estoques da empresa no Rio e no Espírito Santo.

De acordo com o superintendente regional da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, os presos serão indiciados por crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas, descaminho (contrabando), lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. "Foram dois anos de investigação. Acreditamos que nesse período tenham sido sonegados cerca de R$ 100 milhões." Na operação, foram apreendidos 8 carros blindados e 80 carretas de produtos.

Fundada em 1988, a rede Casa & Vídeo tem 70 lojas - 61 no Rio, 8 no Espírito Santo e 1 em Minas Gerais - e, segundo fontes do setor, cerca de 30% do mercado fluminense de eletroeletrônicos. A rede sempre teve a imagem associada a preços baixos, com estratégia de marketing agressiva.

Segundo a Polícia Federal, o suposto esquema tinha início na China. De lá, importadores intermediários traziam produtos com valor subfaturado na nota fiscal. A diferença entre o preço real e o declarado era pago aos exportadores chineses. Com isso, incorriam nos crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas.

"A rede varejista fazia um planejamento de compras. Uma outra empresa, extensão dessa mesma rede, comprava essas mercadorias e pagava o preço acertado com o exportador, mas emitia nota subfaturada. Os produtos chegavam ao Brasil com preço muito abaixo do que era pago lá fora, e assim pagava-se menos impostos", detalha Caetano. Segundo a PF, mais de 50 empresas faziam parte do suposto esquema, muitas com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

A Receita apurou ainda que os intermediários emitiam notas fiscais frias para abater imposto. Os recursos para pagar as compras têm origem duvidosa, já que também vinham das Ilhas Virgens. Segundo as investigações, o movimento caracteriza lavagem de dinheiro.

"Esse é o tipo de esquema que só pode ser identificado numa operação conjunta. Uma fiscalização normal não conseguiria apanhar todas as irregularidades. A empresa e seu grupo de filiais trabalham de tal forma que fica difícil até identificar os reais proprietários", acrescenta Eliana Polo Pereira, superintendente da Receita Federal.

Em nota, a Casa & Vídeo afirmou que "aguarda com serenidade a apuração dos fatos relativos ao acontecimento". A empresa disse ainda que é "idônea, com mais de 20 anos de atuação no mercado, e sempre se pautou pelo absoluto respeito ao consumidor e à legislação vigente no País e responde pela geração de mais de 6 mil empregos diretos".

Entre os presos estão Luigi Fernando Milone e Atílio Milone, apontados pela PF como sócios da rede, e Samuel Gorberg, que seria sócio da importadora Asian Center, apontada como intermediária.

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