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18/11/2008 - G1/ EFE Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Colômbia insiste em medidas contra "pirâmides" e DMG pede para negociar


Bogotá, 18 nov (EFE).- O Governo da Colômbia reiterou hoje suas garantias para que os mecanismos financeiros ilegais que captam dinheiro conhecidos como "pirâmides" o devolvam e evitem processos penais, enquanto a milionária empresa DMG, que sofreu uma intervenção na última segunda, denunciou uma perseguição e ameaçou as autoridades para "negociar".

O Governo afirmou que as medidas do estado de emergência social, decretada ontem para enfrentar as quebras e fraudes das pirâmides, buscam proteger o público.

O controvertido empresário David Múrcia Guzmán, criador da DMG, pediu para o Governo que se sente para conversar, após a Polícia ocupar as 60 sedes desta empresa que comercializa eletrodomésticos e outros serviços por meio de cartões de consumo.

Múrcia Guzmán, um ex-ajudante de câmera e de origem humilde, declarou no Panamá que de sua sociedade dependem 200.000 colombianos e que nesta empresa há acionistas estrangeiros e era negociada sua franquia para o Brasil e outras nações.

Os advogados e diretores da DMG convocaram uma entrevista coletiva em Bogotá na qual afirmam que este grupo não cometeu nenhum ilícito e acusaram o Estado de "violar de forma flagrante a lei" ao punir a empresa, que "não cometeu ilícito algum".

A Presidência da Colômbia lembrou hoje em comunicado que um dos primeiros decretos ditados ontem dentro do estado de emergência considera "crime sem libertação a conduta de não devolver o dinheiro captado de forma ilegal, qualquer que seja a natureza".

Declarou que as leis locais permitem que os promotores "suspendam a ação penal contra as quais manifestem a vontade de devolver o dinheiro e efetivamente o devolvam".

A crise das empresas ou escritórios que oferecem lucro desmesurado em curto prazo pelos depósitos de dinheiro explodiu na última semana quando os administradores de várias delas em diferentes regiões fugiram deixando enganados os poupadores.

Segundo cálculos oficiais, nos últimos três anos funcionaram no país pelo menos 240 destas companhias piratas que puderam arrecadar cerca de US$ 800 milhões e quebraram, pois suas promessas eram impossíveis de cumprir.

O estado de emergência social, decretado por um espaço inicial de 30 dias, permite medidas de urgência e em virtude dele já foram emitidos quatro decretos, um dos quais aumenta as penas por captar dinheiro sem permissão.

O controvertido Múrcia Guzmán afirmou que a intervenção das sedes de sua companhia lhe tomou por surpresa, declarou que sua entidade "não é nada parecida as pirâmides" e chamou as medidas adotadas de "arbitrárias".

No entanto, disse que o "grande coração" do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, vai tornar possível que conciliem.

Na última segunda aconteceram em Bogotá e em outras cidades colombianas grandes desfiles de clientes vestidos com camisetas da DMG, que apoiaram o empresário.

Múrcia afirmou que o ano passado sua empresa vendeu produtos e serviços por 72 bilhões de pesos (US$ 31,4 milhões) e este ano vendeu mais de 100 bilhões de pesos (US$ 43,4 milhões).

O ministro da Fazenda, Óscar Iván Zuluaga, rejeitou qualquer possibilidade de negociar com a DMG, já que "há alguns processos de tipo penal em andamento" e "o que se está fazendo (a firma) é fomentar a captação em massa ilegal de recursos do público".

Por outro lado, o advogado da DMG, Abelardo de la Espriella, ofereceu uma entrevista coletiva na qual participaram sócios e diretores da empresa, entre eles a representante nos Estados Unidos, Juliette Passer, e seus parceiros, Alexander Altshoul, de origem judaica, e Alexandre Ventura Nogueira, brasileiro.

Espriella denunciou uma "perseguição" das autoridades colombianas e anunciou que levará o caso às entidades internacionais como a Comissão Interamericana de direitos Humanos (CIDH).

"Este é um processo infestado de irregularidades. O Governo tomou decisões de que não são do âmbito de sua competência e os particulares podem fazer tudo o que a lei não proíba. Levaremos este caso até as últimas conseqüências", declarou o advogado.

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