Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

05/01/2009 - Gazeta Digital Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

19 operações da PF e 299 presos

Por: Ana Paula Bortoloni

2008 foi marcado por 2 ações dentro do Incra e por investigações contra quadrilhas que atuavam em vários ramos.

O ano de 2008 terminou com 299 pessoas presas nas operações da Polícia Federal em Mato Grosso. No total, foram 19 ações, 3 delas só em dezembro, sendo que a última desmantelou uma quadrilha que funcionava dentro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), falsificando documentos das áreas, transferindo-as para terras devolutas da União ou do Estado, beneficiando os supostos proprietários com indenizações milionárias, sob o pretexto de promover assentamentos. Entre os 14 envolvidos estava o ex-superintendente do órgão, João Bosco de Morais, e dois procuradores, todos eles liberados pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região 48h após as prisões e retornando aos cargos. As denúncias foram tantas que, mesmo após os acusados serem postos em liberdade, a presidência nacional do Incra determinou várias medidas visando "arrumar a casa", como a paralisação de processos e abertura de uma auditoria interna, atitude que foi comemorada pelo procurador Mário Lúcio Avelar, do Ministério Público Federal.

Em agosto, a operação Dupla Face já havia trazido a tona um esquema de corrupção de servidores públicos dentro do órgão federal e da Receita Federal. O procurador Antônio Reginaldo Galdino Delgado foi um dos presos, que voltou a ficar atrás das grades na segunda vez.

No dia 18 de dezembro, a PF desencadeou a "Escambo Branco", que cumpriu 17 mandados de prisão em Cuiabá, Cáceres, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra, Mirassol D"oeste e Várzea Grande. O foco foi uma quadrilha que atuava no roubo de veículos, tráfico internacional de armas, de drogas e sequestros.

Uma das maiores operações foi a "Aracne", que prendeu 41 pessoas, sendo 25 em Mato Grosso. O grupo foi acusado de integrar uma rede associada à facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua no tráfico internacional de drogas. O líder da quadrilha, conforme A Gazeta revelou com exclusividade, era o fazendeiro de Campo Novo dos Parecis, Adalto Aparecido Lemes. Era ele quem articulava 5 grupos criminosos para a compra e venda de drogas que vinham da Bolívia e iam em direção a região Sudeste do País. A estimativa da PF é de que a quadrilha tenha traficado, durante um ano e meio, mais de 15 toneladas de entorpecentes.

Além da "Aracne", outras 4 operações tiveram como foco principal o desmantelamento de quadrilhas que atuavam no tráfico de drogas. São elas: "334", "Boi Branco", "Teimoso" e "Neve do Cerrado".

Voltadas ao combate de crimes ambientais, em 2008, foram deflagradas as operações "Termes" e "Caipora", ambas desdobramentos da Operação Curupira, realizada em 2005. A primeira terminou com o indiciamento de 65 pessoas envolvidas em 3 esquemas de exploração ilegal de madeira, sendo que do total de presos, 29 são servidores estaduais, 14 policiais que eram subornados para assegurarem o transporte das cargas de madeiras nobres, proibidas de comercialização. Uma advogada foi apontada como a líder de um desses esquemas. Segundo a Polícia Federal, policiais recebiam propinas que variavam entre R$ 500 a R$ 5 mil. O grupo foi acusado por crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, passiva e exploração de prestígio. Participavam a advogada, servidores da Sema, do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), além de policiais rodoviários federais, militares e civis, madeireiros e empresários.

Já a "Caipora", que terminou com a prisão de 41 pessoas, colocou fim a um esquema de extração ilegal de madeira na Terra Indígena Vale do Guaporé. Da quadrilha participavam madeireiros, funcionários públicos, policiais rodoviários, militares e índios.

As investigações apontaram que o transporte das toras extraídas era livre na região. Foi apurado que integrantes da PM, PRF e Sema, mediante pagamento de propina, mantinham relações comerciais com madeireiros, alertando-os acerca de eventuais fiscalizações.

Ainda com foco em apropriação ilícita de terras, mediante documentação falsa, foi deflagrada no final de novembro a operação "Terra Fria", que mandou 14 pessoas para a cadeia. Conforme o MPF, a ação criminosa acontecia há mais de 2 anos na cidade de Vila Rica (1.250 km a nordeste da Capital). Os papéis eram utilizados pelos fraudadores para exploração ilegal de madeira, venda de terra que já tinha proprietário e para conseguir financiamentos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e demais instituições financeiras.

Anteriores - Em 2007, a PF realizou 10 operações, sendo que as três que mais se destacaram foram a "Navalha", a "Mapinguari" e a "Lacraia". A primeira revelou um esquema de desvio de recursos públicos federais e que teve como um dos presos o ex-prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB). O foco foi um esquema de fraude em licitações e desvio de dinheiro destinado a obras públicas, incluindo as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Construtora Gautama foi acusada de comandar o esquema, direcionando verbas para obras de interesse do grupo.

A operação "Mapinguari" desarticulou esquema de exploração de madeira em área de preservação ambiental permanente, o Parque Nacional do Xingu. Já a "Lacraia" teve como foco coibir fraudes no cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis, Notas e Protestos do município de Barra do Garças, com ramificações em Água Boa e nos estados de Goiás e São Paulo.

Em 2006, foram 13 operações, sendo a de maior repercussão a "Sanguessuga", que revelou a existência de fraudes em licitações na área de saúde praticadas especialmente por prefeitos e parlamentares da Câmara Federal. Após dois anos de investigação, 241 pessoas já foram denunciadas pelo MPF de Mato Grosso em vários estados, porém não houve nenhuma condenação.

O ano de 2005 foi marcado por 6 operações, sendo que a maior delas a "Curupira", que deu o pontapé inicial para diversas investigações ambientais realizadas nos anos seguintes. Com número recorde de 129 mandados de prisão, visava acabar com uma quadrilha especializada em crimes ambientais, fraudes e falsificação de documentos, além de extração, transporte e comercialização ilegal de madeira. As operações realizadas em 2003 e 2004 somaram 5, sendo 2 no primeiro ano e o restante no segundo.

Embora o número de presos nas operações seja alto, a maioria ganhou liberdade em seguida. Para o procurador Mário Lúcio Avelar, este fato não tira o mérito das ações, já que houve condenações, como no caso da Curupira. "Em alguns casos atrapalha, como no caso desta operação do Incra em que os envolvidos foram postos em liberdade de forma muito rápida (e a presidência determinou uma auditoria e paralisação dos processos em contraposição ao fato de a maioria ter reassumido o cargo), em outros não, porque as prisões temporárias são decretadas para evitar a destruição de provas".

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 238 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal