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04/11/2008 - Bem Paraná Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha deixou prejuízo de mais de R$ 7,5 milhões na Brasil Telecom

Expert em telemática aliciava funcionários para alugar suas senhas e fraudar contas da empresa de telefonia.

Policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) colocaram atrás das grades uma quadrilha de quase uma centena de pessoas acusadas de usarem o sistema da Brasil Telecom para anular ou diminuir em até 95% o valor das contas telefônicas de residências e empresas nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cerca de duzentos policiais civis deflagraram às seis horas da manhã desta terça-feira (04), a operação Espectro para cumprir 73 mandados de prisão e busca e apreensão, expedidos pelo juiz da VIP, Pedro Luis Sanson Corat, nos três estados do Sul do país. A polícia estima que a quadrilha gerou prejuízos de mais de R$ 7,5 milhões para a Brasil Telecom.

“Um trabalho extremamente profissional, com uso das mais modernas técnicas de inteligência policial realizado pelos policiais do Cope, que prova mais uma vez que o uso da tecnologia no trabalho de investigação só faz com que a sociedade ganhe com isso. O combate ao crime organizado é uma das políticas mais fortes da Secretaria de Segurança desse governo. Esse combate tem obtido sucesso também graças a mão forte do Poder Judiciário, principalmente da Vara de Inquéritos Policiais”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari.

Dentre as fraudes cometidas estão alteração de cadastros, retirada de bloqueio de clientes inadimplentes, e principalmente, retificação indevida de faturas reduzindo os valores originais em até 95%. A quadrilha era composta por Vandré de Oliveira Araújo, acusado de ser o mentor do grupo, nove co-autores, funcionários da empresa e centenas de beneficiários.

“Essa é a primeira etapa da Operação Espectro. Futuramente vai haver outros desdobramentos que serão investigados. Essa fraude só foi possível devido ao grande conhecimento de Vandré de Oliveira Araújo, que já trabalhou em uma empresa que prestava serviços para a Brasil Telecom”, explicou o delegado chefe do Cope, Miguel Stadler.

O esquema estava sendo investigado pelo Cope desde dezembro de 2007, quando o Centro de Operações foi procurado pela Brasil Telecom que detectou a fraude. Segundo a polícia, a quadrilha era comandada por Vandré, que já trabalhou em empresas especializadas em telefonia, e agia nos três estados do sul do País por meio de uma rede de pessoas de confiança. Nove conhecidos de Vandré - incluindo sua sogra e alguns amigos – eram os responsáveis por angariar pessoas que quisessem se beneficiar com a fraude da quadrilha. O serviço começou sendo oferecido para pessoas próximas e foi expandindo.

Todas as fraudes eram possíveis graças a funcionários da Brasil Telecom que o próprio Vandré e pessoas de sua confiança aliciavam. “Eles recebiam uma espécie de aluguel semanal de suas senhas de acesso e de segurança do sistema da empresa”, explica Francisco Alberto Caricati, delegado-chefe da Subdivisão de Operações do Cope, que comandou as investigações. De posse delas, o mentor da quadrilha conseguia entrar a qualquer hora no sistema, abrir ordens de serviço e autorizar as mudanças solicitadas pelos clientes. “As modificações nos valores das contas eram bastante significativas, chegando a ser diminuídas para R$ 0,02”, explicou o delegado.

Os beneficiários com o golpe da quadrilha pagavam 50% do valor devido para os aliciadores, que repassavam na maioria das vezes a metade deste valor para Vandré. Essa quantia era negociada entre o mentor e as pessoas de confiança.

Segundo policiais, a quadrilha funcionava há cerca de cinco anos e foi iniciada por Jeanete Zilli, ex-funcionária da Brasil Telecom que já faleceu. O delegado Caricati afirma foi ela quem passou todas as informações para que Vandré iniciasse sua trajetória criminosa em sua própria residência, que segundo a polícia, funcionava como um verdadeiro call-center.

De acordo com delegado Miguel Stadler, a Brasil Telecom começou a desconfiar do golpe depois de perceber que uma grande quantidade de retificações nos valores de diversas contas estavam sendo feitas por um mesmo funcionário.

Participaram do cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão no Paraná, policiais de Ponta Grossa, Paranaguá, Divisão da Capital, Divisão Especializada, Delegacia de Furtos e Roubos e Estelionato. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, colaboraram policiais do Departamento de Investigações Criminais.

Prisões – Dentre as 59 pessoas presas até às 17 horas, 31 eram de Curitiba, sete da Região Metropolitana, nove do interior do Paraná e nove de Santa Catarina. Vandré de Oliveira Araújo, acusado de ser o mentor da quadrilha, foi detido em sua residência no bairro Boqueirão, por volta das 6h15 e não reagiu. No local foram encontrados documentos, comprovantes de pagamento, dois notebooks, memórias de computador e papéis com números de telefone.

De acordo com o delegado Caricati, as provas que foram recolhidas em todos os cumprimentos dos mandados dão indícios de que a quadrilha também estava fraudando contas de outras empresas telefônicas. “Vamos investigar com precisão, mas pelo que recolhemos parece que a Vivo, a GVT e contas de celular da Brasil Telecom também estavam sendo fraudadas”

Além de Vandré, foram presas oito pessoas acusadas de serem co-autores da fraude, oito acusados de serem partícipes (funcionários da Brasil Telecom e aliciadores dos funcionários) e quarenta e três beneficiários. Também foi encontrada uma central telefônica clandestina no bairro Santa Cândida. Todos os detidos foram encaminhados para o Centro de Operações Policiais Especiais onde serão interrogados. Eles serão acusados de estelionato e formação de quadrilha.

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