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25/10/2008 - Jornal da Cidade de Bauru Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Gaeco investiga comércio de monografias pela Internet

Por: Tisa Moraes


O comércio virtual de trabalhos de conclusão de curso pode estar com os dias contados. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão vinculado ao Ministério Público, requisitou um inquérito à Polícia Federal para investigar empresas envolvidas com a venda de monografias, teses e dissertações pela Internet.

A iniciativa partiu da troca de correspondências entre um jornalista do Diário de São Paulo e alguns sites de comercialização desse tipo de serviço, explica o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco em São Paulo. Segundo ele, o ato de comprar ou oferecer trabalhos prontos é considerado crime e, portanto, passível de punição.

“Os alunos que compram trabalhos, com o propósito de apresentá-los como seus, cometem crime de falsidade ideológica. Por outro lado, as pessoas dos sites que conhecem a destinação que o aluno irá dar ao material, são co-autoras da conduta”, resume.

Embora sejam crescentes os esforços da sociedade para regulamentar o uso da Internet, a verdade é que esta tecnologia relativamente recente ainda permite muitas brechas para a prática criminal. E encontrar pessoas que ofereçam os chamados TCCs (trabalhos de conclusão de curso) não é das tarefas mais difíceis.

Ao digitar o termo “monografia pronta” em uma das mais populares ferramentas de busca da Internet, instantaneamente surgem mais de 24 mil resultados. Os sites prometem trabalhos prontos usando termos convidativos como “de ótimo nível”, “sem plágio”, “para imprimir ainda hoje” e “com pagamento facilitado” por meio de cartão de crédito.

O negócio na Internet ganhou tamanha sofisticação que as páginas virtuais oferecem o serviço com desconto de até 30% à vista. Com aprovação de crédito, também é possível realizar financiamentos e as parcelas podem ser pagas até mesmo através de boleto bancário. E até mesmo em sites de relacionamento é possível encontrar esse tipo de serviço.

Toda a infra-estrutura demonstra que, por trás do crimes, estão verdadeiras empresas especializadas no assunto, que lucram muito com a demanda de universitários, mestrandos e doutorandos que, por um motivo ou outro, preferem pagar caro para ter esta facilidade. Conforme o JC apurou, os preços dos trabalhos podem variar entre R$ 400 e R$ 2 mil, dependendo do tema, da complexidade, do número de páginas, entre outros aspectos.

Perfil

Na opinião da professora de pós-graduação Therezinha Santarosa Zanlochi, pesquisadora do Núcleo de História da Universidade do Sagrado Coração (USC), a maioria das pessoas que recorre a esse tipo de fraude quer, implicitamente, comprar o diploma. Associada à desatenção do orientador da monografia, elas conseguem driblar a banca avaliadora, já que atualmente o mercado oferece trabalhos exclusivos, sem o risco de serem apontados como plagiados.

“Nas situações em que o plágio passa, ou o professor fez vista grossa, ou então é tão relapso quanto o aluno. Se ele é preocupado com a ciência e com a metodologia de ensino, ele consegue perceber”, pondera Therezinha.

Ela analisa que o perfil dos estudantes que procuram pelo trabalho pronto é de universitários desesperados com o final do curso superior e sem tempo para fazer a monografia, porque trabalha o dia todo ou porque paga pelo curso na universidade e quer fazer o mesmo para receber logo o diploma.

“Um trabalho de conclusão de curso demanda tempo e dedicação. Uma pessoa que não pode se afastar do trabalho, acaba lançando mão desse recurso desonesto para conseguir se formar. Como a oferta desse tipo de serviço é muito grande, acredito que esta é uma realidade que dificilmente vai desaparecer”, pontua.

Coordenador do curso de comunicação social da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o professor Marcos Américo conta que já flagrou formandos que copiaram a monografia da Internet. “Bastou copiar e colar trechos do trabalho dele, na Internet, para logo identificarmos o plágio”, lembra.

No entanto, quando o trabalho é encomendado em sites especializados que confeccionam conteúdos exclusivos, o processo é mais complexo. “Muitas vezes, a gente percebe que o vocabulário do texto não faz parte do repertório do aluno, mas fica difícil conseguir provar a fraude”, analisa.

Mesmo sabendo que se trata de um crime – de falsificação, por assinar um trabalho que não foi feito pelo universitário, ou até plágio, no caso por violação de direitos autorais –, a maioria das instituições de ensino superior acaba concedendo uma segunda chance ao aluno, lembra Américo. “No máximo, o trabalho é reprovado e o aluno tem de apresentar um projeto novo”, comenta.

Condescendência

Para um outro coordenador de curso que prefere não se identificar, esse tipo de comércio é alimentado também pela própria condescendência das universidades ou do orientador da monografia. “Isso ocorre principalmente dentro das instituições privadas. Tem aluno que trabalha e não tem tempo para se dedicar ao TCC. Se não comprar o trabalho pronto, nunca vai conseguir sair da faculdade. Por isso, muitas vezes o orientador percebe a fraude, mas acaba deixando por isso mesmo”, analisa.

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