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01/10/2006 - Correio Braziliense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Lavanderia conhecida

Por: Gilberto Nascimento


São Paulo — A casa de câmbio Diskline, que comprou parte dos US$ 248 mil apreendidos com petistas que negociavam um dossiê contra tucanos, é suspeita de fazer remessas ilegais de dinheiro ao exterior para políticos, empresários e igrejas, como a Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Um CD com os registros de pelo menos 18 mil movimentações financeiras feitas pela casa de câmbio, entre 1993 e 1997, está em poder da Procuradoria Geral da Republica, da Justiça Federal do Paraná e do Ministério Público de São Paulo. O Correio teve acesso a essa documentação.

No material, aparecem nomes de políticos como o ex-prefeito Paulo Maluf, candidato a deputado federal pelo PP em São Paulo, e o publicitário Duda Mendonça, marqueteiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial anterior e que presta serviços ao governo federal. A Diskline tinha entre seus dirigentes o doleiro Silvio Anspach Junior e hoje seria comandada por outro, um velho conhecido das autoridades que investigam a lavagem de dinheiro no país. A empresa tem sede em São Paulo e no Rio.

Em entrevista à revista Veja, o doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho Barcelona, disse que Cursini havia lhe confidenciado que fizera remessas ilegais de dólares ao exterior, em 1993, para o hoje ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Depois, Barcelona recuou e afirmou não ter provas dessas operações. Bastos negou ter enviado dinheiro ilegal para fora do país. Cursini aparece no CD entregue às autoridades como responsável por várias remessas. Também operaram por meio da Diskline os doleiros Dario Messer — citado por Toninho Barcelona como um suposto operador de contas do PT —, Hélio Laniado, da operadora Split de Campinas (SP), preso em agosto do ano passado na Eslováquia; João Arcanjo, conhecido como o “Comendador”; e o próprio Toninho Barcelona.

A Diskline apareceu agora no caminho do R$ 1,75 milhão (R$ 1,1 milhão e US$ 248,8 mil) encontrado em poder dos petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Os dólares entraram no país por intermédio do Banco Sofisa, de São Paulo, que transferiu as notas para pelo menos 10 clientes, como corretores de valores e casas de câmbio. Entre os nomes que já se sabe, além da Diskline, estão as corretoras EBS, Action e Pioneer. As informações com todas essas operações estão sendo periciadas pelo Instituto Nacional de Criminalística, depois que o Banco Central forneceu os dados à polícia.

Dusseldorf

Duda Mendonça também teria feito uma remessa de US$ 400 mil, em março de 2002, para a conta número 770083533-05, do Ocean Bank, de Miami. Fontes da Promotoria Distrital de Manhattan confirmaram à revista IstoÉ que a conta secreta seria manipulada por Duda, teria cerca de US$ 2,2 milhões e estaria no nome de uma empresa não revelada. Em janeiro, o advogado de Duda, Tales Castelo Branco, disse que, “se efetivamente existe”, a conta “foi aberta por iniciativa administrativa do banco” para facilitar a movimentação de recursos da Dusseldorf (outra conta assumida pelo publicitário). Ele disse também desconhecer movimentações investigadas anteriores a 2002.

Ainda segundo o CD em poder das autoridades, 28 repasses feitos pela Diskline para a conta número 12335, do Multicomercial Bank, de Genebra, na Suíça, com a senha: “Cita para Rubi”, teriam como beneficiário o ex-prefeito Paulo Maluf. Esses repasses totalizaram US$ 3,5 milhões (R$ 8,1 milhões). Segundo um doleiro que se mantém no anonimato, essa via foi utilizada para abastecer a famosa conta Red Rubi (Rubi Vermelho), aberta na Suíça, em 1985, e depois transferida para a Ilha de Jersey em janeiro de 1997. Somava US$ 200 milhões. Maluf nega.

Das 28 operações descobertas, 19 teriam sido feitas entre novembro de 1993 e junho de 1994, em nome de Cláudio Belo Angeli, totalizando US$ 2,6 milhões. Outras nove ocorreram em 1993, somando US$ 899 mil, e o encarregado teria sido Dario Messer.

A Igreja Universal do Reino de Deus também teria utilizado a Diskline para fazer operações de dólar cabo (com valores elevados). Um dos líderes da igreja, o bispo Marcelo Crivella é candidato a governador no Rio pelo PRP e tem o apoio do presidente Lula. As remessas da Universal seriam feitas com o nome “Ildinha/Fé” e enviada para bancos como o Citibank e o Chase Manhanttan Bank, de Nova York, e o Citibank de Miami. A beneficiária seria a Universal Church (nome da igreja em inglês). As operações totalizariam cerca de US$ 11 milhões, conforme a documentação enviada às autoridades.

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