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17/10/2008 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Empresas clandestinas fazem falsa blindagem de carros


A população brasileira busca cada vez mais proteção contra a crescente onda de violência que assola o país. Mas, nessa onda de insegurança, é preciso ter cuidado para não ser enganado, pois tem empresas oferecendo serviços de proteção que não funcionam, como o carro blindado que não é à prova de balas.

O movimento nas oficinas de blindagem cresce na velocidade em que a violência aumenta e abre espaço para aproveitadores. “De um ano para cá, nós podemos considerar um aumento de praticamente 100%. Nós dobramos o faturamento exatamente com um ano de empresa”, diz o empresário Carlos Antônio Ramos, que tem todos os certificados exigidos para esse tipo de serviço.

Blindar o carro custa entre R$ 35 mil a R$ 45 mil, dependendo do modelo. “Pessoas que poderiam adquirir um veículo de um valor mais alto têm partido para adquirir um bem mais barato para ter a condição de blindar e andar com segurança”, acrescenta Ramos.

O processo de blindagem é artesanal. Toda a parte interna é revestida com uma manta feita do mesmo material usado nos coletes à prova de bala, enquanto as colunas da carroceria são forradas com chapas de aço mais resistente.

Foi em busca dessa segurança que o empresário Joaquim Pedrosa mandou blindar o carro da mulher e das duas filhas, mas descobriu que o serviço não oferecia qualquer proteção.

“O conselho que eu dou é que, ao contratarem uma blindagem, verifiquem em primeira mão se ela é certificada pelo Exército brasileiro”, alerta Pedrosa, que mora na capital pernambucana Recife.

O certificado do Exército separa as empresas sérias das clandestinas que atuam no mercado. Os militares fazem testes constantes para detectar e de punir este tipo de fraude.

Há três tipos de fraudes mais comuns, que não resistem aos disparos. Uma delas é a película colocada nos vidros, que promete proteção contra arma de fogo, mas se quebra ao ser atingida por um disparo de um revólver calibre 38 - a arma mais usada pelos assaltantes.

Na lataria, em vez do aço reforçado, os serviços clandestinos fazem o revestimento com cintos de segurança. Outros, reaproveitam retalhos das mantas do colete à prova de bala ou ainda usam menos camadas dessas mesmas mantas.

“O Exército fiscaliza rigorosamente as empresas registradas, mas há informações de que alguns clandestinos continuam fazendo esse tipo de trabalho fraudulento”, afirma o chefe da fiscalização, tenente-coronel Carlos Nogueira.

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