Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

10/10/2008 - Jornal de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Economia paralela vale 21,9 % da riqueza lusa


A economia não registada, que passa à margem dos registos e controlo oficial, corresponde a 21,9 % do Produto Interno Bruto português (cerca de 37,1 mil milhões de euros), segundo estimativas apresentadas num estudo da Faculdade de Economia do Porto.

O estudo cita cálculos feitos pela Organização Para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que apontam para os países da OCDE, em média, uma economia paralela na ordem dos 16,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Os Estados Unidos da América são o país onde há menos economia "sombra" (8,4 por cento), logo seguido da Suíça (9,4 por cento). No lado oposto, encontram-se o Zimbabué (63,2 por cento) e a Geórgia (68,0 por cento).

A economia paralela anda da "mãos dadas" com a fraude, que representa entre 1,5 e 2,0 por cento do PIB. Ou seja, entre 2.745 milhões de dólares e 3.660 milhões de dólares, refere o estudo, ressalvando que estas estimativas foram obtidas utilizando os dados mais recentes do Banco de Portugal (2005) e quantificações de fraudes de outros países, nomeadamente os Estados Unidos e o Reino Unido.

Para o coordenador da Pós-Graduação em Gestão de Fraude da Faculdade de Economia do Porto, Carlos Pimenta, estes números são "assustadores" e defendeu a formação de quadros especializados e o aumento do "controlo interno das instituições, focando todas as áreas de maior risco de fraude".

"Estamos rodeados de economia não-registada e fraude por todos os lados", afirmou o economista nas "Jornadas 08 Seguros", lembrando que, a partir dos anos 80, passou "a haver unanimidade de que há um conjunto de actividades económicas que passam à margem dos registos e do controlo oficiais, institucionais, legalmente constituídos".

Segundo o investigador, "a tendência em todo o mundo é de um aumento da economia não registada e isso repercute-se em Portugal".

A economia não-registada é constituída por quatro grupos essenciais: economia subterrânea (fuga ao fisco), economia ilegal (como por exemplo tráfico de droga), economia informal (tem como razão essencial da sua existência a garantia de uma estratégia de sobrevivência) e a economia de autoconsumo (como agricultura tradicional).

Carlos Pimenta ressalvou que este tipo de economia aparenta ser uma actividade mais adequada para estudos qualitativos, que quantitativos, e que não há estatísticas obtidas como subproduto de actividades sociais ou por recenseamento, que permitam a sua quantificação "oficial".

No entanto, existem muitas quantificações parciais da economia não-registada, que resultam de estudos promovidos por entidades especializadas, como o cálculo das fugas ao fisco feita pelas administrações fiscais.

Há ainda cálculos indirectos, como por exemplo: sabendo-se a área aproximada de cultivo de coca numa determinada região pode-se estimar a que montante de actividades não registadas é que vai dar lugar na economia mundial.

Mais recentemente tem-se retomado os métodos estatísticos e econométricos, mas com modelos mais sofisticados que aliam o tratamento da informação em painel com modelos de relações de causalidade e de consequência da economia não-registada.

Os trabalhos feitos com base nestes métodos apontam "uma tendência para uma correlação negativa entre o desenvolvimento económico e a estabilidade do modo de produção, por um lado, e a economia não registada, por outro, sendo de acrescentar, no entanto, que a natureza dessa economia não-registada pode mudar de uns para outros países", sublinha o documento.

Presente nas jornadas, a directora do Departamento de Investigação e Acção Penal, Maria José Morgado, afirmou que o branqueamento de capitais produzem "vantagens fabulosas, altamente rentáveis para os seus autores", mas alertou que o "facto de se injectar dinheiro sujo na economia é um perigo para o mercado e empresas".

"O crime económico e o dinheiro sujo provoca o aumento dos preços dos serviços, prejuízos para as empresas e a economia poder ser dominada por forças ocultas e não pelo mérito e livre concorrência", acrescentou.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 178 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal