Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

26/09/2008 - Alagoas em Tempo Real Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Família pobre sofre golpe de compra carro de luxo que não comprou

Por: Cícero Santana


Uma fraude ocorrida há dez meses e meio envolvendo nome e documentos do portador de deficiência mental Jamersson Marques Paulino, 25, e só descoberta no inicio da semana, pode levar a polícia a desbaratar uma quadrilha especializada na falsificação de documentos, para aquisição de veículos novos em concessionárias. O rapaz é hoje apontado como comprador de um automóvel Honda Civic – SVK vendido pela revendedora A.C. Veículos, que teve como agência financeira o Banco Finasa, que contratou a firma de advogados Brascobra, representada por Racine Fontineli e Celso Moura, para fazer uma cobrança equivalente há 63.222.29, correspondente a uma atraso de 319 dias no pagamento do veículo.

A denúncia foi formulada pela viúva pensionista Maria do Carmo de Jesus Paulino, mãe do rapaz, que registrou a queixa na Delegacia de Defraudações e está com um firme propósito de comunicar o fato também a Policia Federal, conforme afirmou em entrevista exclusiva ao Alagoas em Tempo.

“Eu, junto com a família, sobrevivemos de uma pensão correspondente a um salário mínimo. Meu filho é um deficiente com vários internamentos no Hospital José Lopes. Ele sequer fala e fomos surpreendidos com a cobrança desse carro e mais um débito de R$ 978.06 de empréstimo que nunca tiramos. Isso é um absurdo e outras pessoas podem estar sendo vítimas dessa quadrilha, mas só vou descansar quando o nome do meu filho ficar limpo no SPC, já que a CDL confirmou o débito”, disse a senhora Maria do Carmo, que reside em uma casa humilde, no bairro Jacintinho.

A reportagem procurou localizar a firma A.C.Veículos, mas o nome não consta no catálogo telefônico e nem no serviço 102.

Perda dos documentos

“Eu não sei como esses documentos foram parar nas mãos desses falsificadores. O que eu me lembro é que em 2005 eu estava desesperada com a doença de meu filho e depois que o internei no Hospital José Lopes, em Bebedouro, peguei um transporte e me desloquei para a casa, mas quando cheguei na minha residência aqui no Jacintinho, senti a falta de meus documentos e de meu filho. Confesso a vocês que estou desesperada, porque nunca tive carro. Essa parte da frente da minha casa onde seria a sala, eu improvisei um barzinho e pra você ver não tem nada, nem cerveja. Agora, como é que uma instituição financeira cai em um golpe desses? Além de limpar o nome do meu filho, vou entrar com uma ação na justiça cobrando indenização por danos morais. Só posso dizer que isso é uma quadrilha, que está pegando documento das pessoas e alterando endereços e rendimentos para aplicarem o golpe. Eu acredito que o meu filho não tenha sido a única vitima”, disse a senhora Maria do Carmo.

O golpe

Foram usados o nome e o CPF de Jamerson Marques Paulino, mas o endereço utilizado na compra fraudulenta foi Avenida Monte Castelo 773, Vergel do Lago, onde o veículo, supostamente, teria sido entregue. No documento apresentado à concessionária consta que Jamerson é proprietário de uma casa comercial, localizada no bairro Farol.

“Moço, esse veículo foi comprado por R$ 52.821,60 e com os juros do atraso já somam R$ 63.222.29. Como vamos poder pagar isso? Nunca fizemos essa compra. Meu filho coitado é um deficiente mental que três vezes por dia tem que tomar o medicamento Carbamazepina, que serve para controlar os nervos. Vou lutar até o fim para limpar o nome de meu filho e para que os responsáveis paguem pelo que estão cometendo não só com o meu filho, mas acredito que com outras pessoas”, concluiu Maria do Carmo Jesus Paulino.

Mais duas pessoas foram vitimas do golpista identificado como Pedro

A quadrilha, possivelmente formada pelos elementos identificados como Pedro e André fez mais duas vítimas, além do deficiente mental Jamersson Marques Paulino, no nome do qual compraram o Honda Civic. Seguindo as denúncias que foram registradas na Delegacia de Defraudações, a reportagem chegou até a residência da senhora Adréia Luiza de Lima Pereira, residente no prolongamento da avenida Monte Castelo, 773. Este foi o endereço usado pelos falsificadores como comprovante de residência para a compra do veículo em nome do deficiente.

Lá, o elemento identificado como Pedro, que alugou parte da casa para colocar uma Lan House, também aplicou um golpe na proprietária do imóvel, débito equivalente a duas contas da Ceal, que totalizam R$ 889.00. Mais uma vez em nome de Jamersson Marques. Ao tomar conhecimento de que o veículo adquirido com uma ação fraudulenta teria sido entregue em sua residência, ela se desesperou e disse ter sido mais uma vítima dessas pessoas. Em seu relato desesperado, ela conta o que eles fizeram com o imóvel alugado.

Segundo informou a senhora Andréia Luiza, parte de sua residência foi alugada a uma pessoa por ela identificada como Pedro, que dois meses depois pegou o recibo da conta de energia que estava em seu nome, foi até a Ceal e transferiu de Andréia Luiza, para Jamersson Marques Paulino, alegando ser um empresário conhecido seu, que tinha uma firma no bairro Farol. “Depois disso, ele me apresentou um rapaz identificado como André, que passou a assumir o controle da Lan House. Ele vinha pagando o aluguel direitinho, mas em seguida passou o ponto a um amigo dele, de nome Alan, que seria filho de um policial civil chamado Jarbas. Esse rapaz começou a pagar a mensalidade tranquilamente, mas de uma hora para outra, desapareceu. Mantive contato com o pai dele que me garantiu que iria resolver a situação e informou que tinha sido também vítima desse Pedro.

A reportagem procurou o sargento da Polícia Militar, Jarbas, pai de Alan Douglas, pai e filho cursam o 3º período de direito. Ele disse também ter sido uma das pessoas lesadas por Pedro. “É um rapaz de conversa bonita, então me vendeu a Lan House, por R$ 17.000, dizendo que mensalmente faturava R$ 2.000. Resultado não chegava a R$ 500 e fui assaltado duas vezes. Terminei vendando a Lan House, por R$ 5.000, para não perder tudo e não fazer uma besteira. O que aconteceu na verdade é que fomos assaltados duas vezes e eu disse a proprietária do imóvel que quando essa pessoa aparecesse me comunicasse para que eu pudesse reaver o meu dinheiro, inclusive cortaram até a energia da casa. Eu e meu filho somos pessoas de bem, estamos terminando o curso de direito e fomos mais uma vitima desse elemento”, disse o sargento Jarbas.

Veículos e servidores do Detran

Durante a entrevista com a senhora Andréia Luiza, a reportagem foi informada de que vários veículos chegavam a Lan House, inclusive funcionários do Detran, também compareceram ao estabelecimento, o que se presume se tratar de uma quadrilha bem organizada, com parceiros provavelmente em empresas e órgãos públicos para facilitar as ações criminosas.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 406 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal