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22/09/2008 - JC Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

São Paulo: Solicitantes de Habilitação caem em fraude


A máfia das carteiras de habilitação fez vítimas entre as pessoas que procuravam auto-escolas e centros de formação de condutores (CFCs) na capital paulista. Além de fraudar documentos e vender CNHs, o esquema criminoso usou digitais de quem tentava tirar a carteira pelas vias legais para registrar os candidatos que pagavam para não fazer aulas teóricas, exames médicos e o curso de direção. Entre as vítimas estão um aeroviário e um advogado. O primeiro queria tirar carta para dirigir motocicletas e o segundo pretendia mudar sua carta da categoria E.

"Estava no meu escritório, quando apareceram aqui quatro policiais. O constrangimento é evidente", contou o criminalista José Antônio dos Santos, de 49 anos. Santos tem carteira há mais de 30 anos e em março de 2007 procurou a auto-escola JVR para ter as aulas práticas no CFC Borba Gato, um dos cinco primeiros da lista de fraudes na capital paulista feita pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp). A carteira de Santos estava no lote das 264 confeccionadas com apenas 12 digitais.

O advogado disse que pagou R$ 400 por aulas e exames. No dia 20 de junho, ele foi ouvido no Inquérito 314/08 da 2ª Delegacia de Crimes de Trânsito do Detran. "Fiquei quatro horas sentado no Detran, aguardando para ser ouvido." O advogado teve de deixar no departamento suas digitais dos polegares direito e esquerdo para que fossem confrontadas com as de outras CNHs. "Eu acredito na Justiça, mas encontrar os responsáveis por isso será difícil."

Até 30 de julho, o Detran havia ouvido três donos de auto-escolas e três motoristas que tiraram CNH. Nesse ritmo de depoimentos, só para ouvir os comerciantes e os motoristas supostamente beneficiados, o departamento levaria 430 anos para concluir a investigação. Procurada na semana passada, a Borba Gato disse desconhecer investigações sobre o assunto. "Vocês têm de perguntar como o sistema de Prodesp aceita o uso de uma mesma digital para várias carteiras. Nunca utilizamos ‘dedo de silicone’", rebateu Rafael Lima, representante da auto-escola.

O aeroviário Gilberto Alfredo Neves, de 44 anos, foi a segunda vítima identificada pelo Detran. Em maio do ano passado, ele se matriculou na auto-escola Nova Camila, na zona oeste de São Paulo, para tirar a CNH. Neves contou que recebeu duas opções da funcionária da auto-escola: cursar aulas teóricas ou levar uma apostila e estudar em casa, o que é irregular. Durante o processo, porém, a mãe da vítima ficou doente e ele desistiu de tirar a nova carteira. Foi durante seu depoimento que ficou sabendo que suas digitais haviam sido usadas pela máfia das CNHs Aos policiais, Neves afirmou ainda que a única vez em que teve suas digitais capturadas foi antes do exame psicotécnico.

O Detran ouviu, no dia 4 de julho, a proprietária da auto-escola Nova Camila, a empresária Sandra Di Cezar. Ele disse que não identificou nenhuma irregularidade no prontuário de Neves e a biometria dele nunca foi colhida na auto-escola, por causa de problemas no equipamento ou no programa. É por isso, segundo Sandra, que existe "uma data chamada dia do provedor". Conforme a reportagem revelou ontem (21), essa data é usada pelas auto-escolas e pelos CFCs para registrar no sistema estadual aulas e exames de candidatos que não puderam ser registrados por meio da leitura de digitais. Sandra explicou que o dia do provedor possibilita às auto-escolas "regularizar tudo o que estiver irregular". Delegados ouvidos pela reportagem afirmam que a prática é uma porta aberta para todo o tipo de fraudes, uma vez que não há controle sobre a veracidade das informações lançadas.

Ao todo, o relatório da Prodesp mostra que 15.224 CNHs foram tiradas com fraude no sistema de registro eletrônico das digitais - cada vez que alguém vai tirar a carteira, é obrigado a se registrar digitalmente num leitor óptico. O candidato ainda é obrigado a passar seu dedo no leitor depois de cada aula ou exame. A fraude consistia em fazer moldes de silicone das digitais, permitindo assim aos candidatos driblar o sistema. A Prodesp detectou ainda que 310 auto-escolas e CFCs da cidade de São Paulo participariam do esquema. Ao todo, a máfia atuou em 46 municípios do Estado e envolveria 743 auto-escolas e CFCs na Grande São Paulo, no litoral e no Vale do Ribeira.

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