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22/09/2008 - Expresso Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Falsa juíza tenta ilibar o filho e incriminar o marido

Por: Isabel Paulo


Impressionada com os luxos de uma amiga que "vivia sem trabalhar", Olga Almeida trocou há cinco anos a profissão de auxiliar de geriatria no Hospital de S. João por um ardiloso esquema de burlas sistemáticas. Imitando-lhe o método, Olga durante dois anos leu diariamente os editais de empresas com dívidas ao Estado, anúncios de penhoras e execuções publicados nos jornais. De seguida, contactava os devedores a solicitar-lhes o pagamento urgente de verbas destinadas a evitar o congelamento de contas ou o encerramento das empresas.

Ordens de prisão por falha no pagamento de multas ou a penhora de bens eram outras ameaças invocadas por Olga junto de particulares. Consoante o caso, assumia as funções de juíza, solicitadora, funcionária judicial, gestora financeira do BPI, liquidatária, advogada do Banco Português de Negócios ou até representante do DIAP. As cobranças eram efectuadas por telemóveis pré-pagos, dando às vítimas o número de contas abertas para o efeito.

Hoje, a amiga inspiradora está em parte incerta. Olga , 42 anos, mãe de 11 filhos, o mais novo com 9 anos, está presa em Santa Cruz do Bispo, condenada em 2007 a quatro anos e meio de prisão. Esta semana, voltou ao banco dos réus, acusada de mais 181 crimes de burla qualificada.

Entre Abril de 2003 e Fevereiro de 2005, a falsa juíza arrecadou €230 mil - €150 mil fruto das burlas de que é agora acusada -, arriscando nova pena de prisão efectiva até oito anos. Nos dois primeiros dias de julgamento, Olga admitiu boa parte dos crimes e as artimanhas usadas para extorquir dinheiro a duas centenas de vítimas com dívidas fiscais ou à banca.

No megaprocesso, com audiências até Dezembro, estão implicados outros 46 arguidos, entre os quais o marido de Olga, Hélder Silva, desaparecido, e o filho Daniel, 24 anos, sem trabalho certo e indiciado de 20 crimes de burla, nove de forma tentada.

Ilibar o filho e incriminar o marido tem-se revelado a maior preocupação de Olga, que acusa Hélder de ter sido o grande beneficiado dos delitos. "Trocou de carro cinco ou seis vezes. O último foi o BMW", frisa. "Arrependida", diz ter "investido o dinheiro" na exploração de um restaurante, numa loja de roupa e em coisas para os filhos, como uma "playstation" para os mais pequenos.

Os 46 cúmplices que Olga arregimentou obedecem, maioritariamente, a um perfil padrão: jovens com idades entre os 20/30 anos, desempregados a viver do Rendimento Social de Inserção e residentes em bairros sociais ou zonas problemáticas. Conforme disse ao colectivo de juízes, em alguns casos era a pressão de "dinheiro para a droga" que os movia a abrirem contas e a entregar-lhe as cadernetas ou cartões multibanco.

Por cada nova conta, Olga ou o marido pagavam-lhes €50, mais €100 a 200 por cada depósito das incautas vítimas da lábia da falsa juíza. Segundo a acusação, Olga utilizou ainda as contas de uma filha e de uma cunhada, ilibadas por se ter provado que as respectivas cadernetas da CGD lhes haviam sido furtadas.

Em Janeiro de 2004, numa busca da PJ, foram encontrados em casa da arguida cinco cadernetas da CGD, vários cartões de carregamentos, €1500 e dezenas de objectos de ouro. Metade recolhidos no quarto de Daniel. Após a busca, que lhe valeu um processo crime, Olga em nada alterou o seu ardiloso modo de vida até ser detida em Fevereiro de 2005. Lares, creches, hotéis, a Misericórdia de Gaia, clínicas, empresas têxteis e de calçado foram alguns dos alvos da arguida Olga. A predilecção por empresas a privados justificou-a Olga por preferir "tirar aos ricos a tirar aos pobres".

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