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22/09/2008 - Zero Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Notas fiscais gaúchas são clonadas para esquentar mercadoria ilegal vinda do Paraguai

Por: Giovani Grizotti


Notas fiscais clonadas de empresas gaúchas são usadas por contrabandistas paraguaios para "esquentar" a mercadoria ilegal remetida ao Brasil.

O artifício faz parte de um esquema criminoso revelado por uma reportagem da RBS TV exibida pelo programa Teledomingo. Pela nova operação, grupos passaram a fazer a travessia irregular de produtos pelas águas do Rio Paraná, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, sem passar pela aduana.

Para garantir a chegada do contrabando até o Brasil com aparência de legalidade, os atravessadores oferecem notas fiscais clonadas de lojas brasileiras. Por R$ 10 cada folha, a reportagem conseguiu comprar notas de produtos de informática de lojas de Porto Alegre e Santa Maria. Para mostrar que o esquema dá certo, os criminosos fazem questão de demonstrar, por meio de consultas ao site da Receita Federal na internet, que o CNPJ da empresa cuja nota fiscal foi clonada é verdadeiro.

— Nós clonamos, é nota quente isso aqui. Pode consultar o CNPJ. Isso aí é clonado — observou um dos atravessadores.

Na Capital, a loja que sofreu a falsificação de uma de suas notas fica em uma galeria da Avenida Goethe. O proprietário, que pediu para não ser identificado, disse já ter conhecimento dessa prática:

— Esses dias, me ligaram de um posto dos Correios em Cuiabá (MT) e disseram que encontraram uma nota da minha empresa junto com uma mercadoria vendida pelos Correios. Era clonada — confirmou.

A travessia de mercadorias pelo rio ganhou força após as mudanças no trabalho de fiscalização da aduana na Ponte da Amizade, em 2006, que obrigaram os compradores brasileiros a declarar bagagem. Por causa disso, segundo estimativa da Receita Federal em Foz do Iguaçu, 90% do contrabando chega atualmente ao Brasil por meio do rio ou do Lago de Itaipu. Para garantir a travessia aquática, as quadrilhas de contrabandistas usam portos clandestinos. Só no Lago de Itaipu, por exemplo, foram descobertos pelas autoridades cerca de 300 locais desse tipo.

— Nós temos vários pontos de passagem que sempre acabam confluindo em alguma favela, algum bairro próximo às margens do rio que acaba favorecendo a logística deles — afirma o delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Gilberto Tragancin.

Olheiros vigiam o lado brasileiro

Os contrabandistas agem armados. Cada quadrilha, conforme a Polícia Federal, atua em um ponto diferente do rio. Nas operações montadas para combater o esquema ilegal, os policiais utilizam lanchas blindadas.

— A maior dificuldade que a gente tem é o poder de adaptação e de mutação das quadrilhas. Se a gente faz um cerco maior no Rio Paraná, eles têm toda uma operação de logística rápida, imediata, que permite passagem das mercadorias pelo Lago de Itaipu — afirma o delegado Alexandre Dias, chefe do Núcleo de Operações da Polícia Federal em Foz do Iguaçu.

Pelas ruas de Ciudad del Este, no lado paraguaio, é fácil encontrar quem se dispõe a fazer a travessia. Caixas contendo o contrabando são hermeticamente fechadas com fita adesiva para evitar prejuízo, caso caiam na água. O custo do serviço é R$ 120 por volume. Mas os atravessadores também cobram comissão sobre o valor da carga. Nesse caso, chegam a dar garantia.

— Sou de confiança, todo mundo me conhece aqui. Eu passo 40, 50 volumes por dia. São R$ 120 cada volume — afirmou uma atravessadora paraguaia, sem saber que estava sendo gravada pela equipe de jornalismo.

Pensando serem contrabandistas, a paraguaia aceitou levar os repórteres até o porto clandestino onde atua. O local fica na periferia de Ciudad del Este, onde os integrantes da quadrilha mantêm contato via rádio com olheiros que mantêm vigilância no lado brasileiro. Para chegar aos barcos, é preciso descer uma escadaria de aproximadamente cem metros, feita de concreto. A travessia dura menos de 10 minutos.

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