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14/09/2008 - O Estado de Minas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Espionagem italiana

Por: Maria Clara Prates


Denúncia do Ministério Público da Itália para apuração de um caso de espionagem, lavagem de dinheiro e corrupção, entre outros crimes, cuja íntegra foi obtida com exclusividade pelo Estado de Minas, revela que entre 2004 e 2007 empresas italianas de investigação foram responsáveis pela instalação no Brasil, França, Uruguai e naquele país de pelo menos 9 mil grampos ilegais – para interceptação telefônica e de e-mails –, sendo que pelo menos 2 mil pessoas foram espionadas no período, incluindo empresários, políticos, jornalistas, além de colaboradores diretos da Presidência da República brasileira. As gravações foram promovidas em ações de espionagem e contra-espionagem durante a disputa pelo bilionário mercado das empresas de telecomunicações no Brasil, a partir de sua privatização.

Para se ter uma idéia, as empresas italianas envolvidas na arapongagem receberam, no período, da Pirelli e Telecom Itália, mais de 17 milhões de euros, o equivalente a quase R$ 50 milhões. Para fazer o trabalho sujo, que, de acordo com a denúncia criminal da Justiça italiana envolveu 34 pessoas, foram cooptados integrantes das polícias mais respeitadas do mundo, como a antimáfia e os carabinieres, da Itália, ex-agentes da CIA (EUA) e a Europol (França), além de autoridades da área fiscal e dos setores de inteligência.

No Brasil, segundo depoimento de uma testemunha, novamente, a arapongagem contou com a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de policiais federais aposentados. Até mesmo hackers soviéticos foram chamados para promover a invasão dos sistemas de computadores alheios.

Neste cenário, o grampo hoje investigado com tanto rigor por envolver o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) parece brincadeira de criança, não fosse o ressurgimento de um personagem central também nessa guerra de espionagem: o banqueiro Daniel Dantas.

Foi a partir da prisão de Dantas, durante a Operação Satiagraha, da PF, em julho, que houve o debate nacional sobre a prática das interceptações telefônicas ilegais. Mas o próprio empresário – dono do Banco Oportunity, que foi um dos maiores acionistas da Brasil Telecom – também é suspeito de ter espionado adversários nos negócios com a contratação da empresa Kroll. A espiã americana bisbilhotou a vida de concorrentes, políticos brasileiros como Marta Suplicy, Antônio Palloci (ex-ministro da Fazenda de Lula), jornalistas e vários outras pessoas, numa ação denominada Operação Tokyo.

O CONTRA-ATAQUE DA TELECOM ITÁLIA

O Ministério Público da Itália chegou ao esquema de arapongagem a partir da investigação de lavagem de dinheiro, já que as empresas de espionagem movimentaram milhões, tendo apenas grupo restrito de funcionários e apenas uma sala como sede. Foi exatamente para se defender da ação da Kroll que a Telecom Itália montou seu serviço de contra-espionagem no Brasil, feita por uma empresa de arapongagem – a Global Security Service. Segundo a denúncia, além dos grampos telefônicos, foram interceptados e-mails de vários funcionários do Oportunity e até da presidente da Brasil Telecom, Andrea Cico, que deixou os quadros da tele italiana para se associar a Dantas, levando com ela toda sua experiência e a carteira de clientes. A contra-espionagem dos arapongas italianos recebeu o nome de Operação K, numa clara referência à empresa espiã americana Kroll, contratada pelo empresário brasileiro.

Testemunha do processo que tramita na Justiça italiana, a tradutora brasileira Luciane Araújo, contratada pela Global Security Service para traduzir as conversas gravadas dos brasileiros espionados, confirmou em depoimento ao Ministério Público italiano a existência dos grampos: "Esclareço que minha tarefa no interior dos acima citados escritórios era unicamente de imediato aquela de traduzir os CDs de áudio contendo interceptações telefônicas em português entre os altos dirigentes da Telecom Brasil e Telecom Itália".

E pior. Seu depoimento revela também as negociatas promovidas pela duas teles ao falar do teor da interceptações: "O conteúdo das conversas por mim traduzidas referia-se a estratégias de mercado, operações de balanço que eram falsificadas, manobras para que determinados personagens exercessem determinados cargos na empresa em vez de outros, informações de caráter privado sobre determinadas pessoas em eventuais empreitadas, identificação de testas-de-ferro na compra e venda de imóveis e sociedades, já que a pessoa ou a sociedade diretamente interessada não devia figurar".

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