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23/09/2006 - A Tarde Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Instituição vende doutorado em 90 dias

Por: Lucas Esteves


Se o estudo aprofundado da história das religiões, conhecimento da filosofia da Bíblia e o significado de Deus em todas as civilizações parecem conceitos de difícil apreensão para um aspirante a teólogo, não é preciso mais agonia. Uma instituição mineira oferece cursos acadêmicos na área com apenas seis módulos de aprendizado à distância e 90 dias de estudo para que qualquer pessoa possa ter o título de bacharel, mestre ou doutor. Com direito a diploma e tudo.

Não é preciso atravessar a hierarquia tradicional para alcançar os títulos mais altos da academia no Seminário Brasileiro de Teologia (SBTe). Por apenas R$ 1.800 qualquer pessoa poderá receber em casa seis módulos de ensino associado a mais de 500 perguntas relacionadas à Bíblia Sagrada para alcançar o título de doutor. O pré-requisito é apenas ter boa memória para associar o assunto contido nas escrituras milenares às perguntas do curso, dedicação à leitura e rapidez de raciocínio. Tudo para a "defesa dos interesses bíblicos".

Um aluno com dedicação exclusiva poderá concluir em apenas 90 dias, segundo propaganda do site. Basta responder corretamente às questões e escrever uma tese de doutorado com apenas 50 páginas, relacionada a um dos 20 assuntos oferecidos pelo SBT. No final do processo, terá o poder de saber absolutamente tudo sobre Teologia e Bíblia e até a contagem estatística de quantas pessoas já viveram desde Adão e Eva até os tempos atuais e quantas morrerão nas futuras 3ª e 4ª Guerras Mundiais.

Seria um presente de Deus para qualquer temente a Ele se um pequeno detalhe não pudesse pôr tudo a perder: os títulos acadêmicos, oficialmente, não têm nenhum valor de reconhecimento junto ao Ministério da Educação. O parecer 241 do MEC, de 1999, que regulariza cursos de teologia em todo País, não aprovou o modelo do SBTe, por não atender às exigências curriculares e de carga horária similares às das demais formações acadêmicas vigentes e foram enquadradas na categoria de cursos livres.

Os cursos do SBTe são plenamente legais se forem considerados livres, o que significa que têm validade somente dentro das comunidades eclesiásticas às quais são associados ou qualquer outra instituição não-pública que o aceite como formação curricular. "Mas se uma pessoa quiser usar um titulo, por exemplo, de bacharel, para solicitar o ingresso em um mestrado de uma faculdade autorizada pelo MEC, não poderá fazê-lo", explica o coordenador-geral de Orientação e Controles da Educação Superior do MEC, Jorge Gregori.

Desconhecimento - Gregori também afirma que o Seminário jamais solicitou ao ministério o credenciamento de qualquer um dos cursos ditos acadêmicos. "Uma instituição que oferta cursos universitários precisa enviar documentos dessa solicitação e ser avaliada pelo MEC para provar que tem condições de oferecer estes cursos. O reconhecimento
é feito após uma avaliação da primeira turma de formandos", relata o coordenador, lembrando que o SBTe jamais entrou com nenhum tipo de documentação junto ao órgão federal.

Surpreendido pelo uso das alcunhas "bacharelado", "mestrado" e "doutorado" nas ofertas do site, Gregori disse que o MEC enviará uma notificação à empresa para que substitua as denominações dos cursos. Em caso de persistência, a infração será encaminhada ao Ministério Público para averiguação criminal. "O Seminário comete estelionato, pois ela não pode se beneficiar da legislação vigente se não se enquadra nos padrões designados."

O presidente do SBTe, Omar Silva da Costa, assegura que o site não deixa dúvidas sobre a condição livre dos cursos do SBTe. "Não queremos enganar ninguém, pois somos transparentes e o site claríssimo", argumenta. Porém, não há no site Curso de pastor (www.cursodepastor.com.br) nenhum texto que reconheça que o curso é livre. Apenas um link intitulado "MEC" explica ao público que os cursos não são reconhecidos pelo Ministério.

A existência do SBTe, segundo Costa, é explicada especialmente devido à necessidade de pastores do interior do país que não têm acesso às escolas de teologia legalmente instaladas em universidades e igrejas das capitais. "Uma pessoa do interior, que está integrada e trabalha em uma igreja, não tem como ir à capital estudar e pagar dois salários mínimos por mês durante quatro ou cinco anos e conseguir esta graduação".

O pastor não vê nenhum problema em utilizar os termos típicos acadêmicos, já que as formações que oferece não estão relacionadas ao Ministério da Educação e visam apenas a comunidade eclesiástica. "São cursos para pessoas que estão inseridas nas realidades de uma igreja. Por isso especificamos o curso como "eclesiástico". O MEC oferece cursos de "Teologia". Nós oferecemos "Teologia Eclesiástica", que é algo de aplicação restrita e completamente dentro da lei".

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