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13/09/2006 - O Dia Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

31 atestados foram forjados

Por: Flavia Duarte


Rio - Investigações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) sobre a atuação da Máfia dos Corpos revelam que foram forjados 31 de 200 atestados com a assinatura do clínico-geral Jorge Nunes Amorim Filho. O levantamento foi realizado em 25 cemitérios no estado por policiais da especializada, que checaram se o enterro havia sido realizado nos locais descritos nos registros de óbito. A fraude vai além: pelo menos em 24 desses casos, os endereços dos mortos e dos declarantes também não conferem.

Num deles, um parente afirma que o morto foi enterrado, embora não haja registro no livro do cemitério. Os policiais ainda terão que checar outros quatro endereços em áreas de risco. O DIA vem denunciando em reportagens, desde 13 de maio, a atuação da máfia, que vende atestado forjado, enterro e até corpos guardados no IML para fraudes, geralmente de seguros de vida e pensões, e até para condenados escaparem da Justiça.
“As investigações continuam até chegarmos aos fraudadores. Existe a suspeita do envolvimento de pessoas ligadas ao IML (Instituto Médico-Legal) e a funerárias nesses crimes”, afirma o delegado titular da Draco, Milton Olivier.

Em todos os 31 documentos de óbito com a assinatura do médico, está escrito que as pessoas morreram em casa. Há casos em que os endereços do morto e do declarante não existem. Em outros, a pessoa nunca viveu no local. Os registros suspeitos estão espalhados por 10 cartórios do estado. As unidades também estão sendo investigadas pela Corregedoria do Tribunal de Justiça.

TROCA DE TIROS

Na tarde de terça-feira, policiais que checavam um dos atestados forjados trocaram tiros com bandidos na esquina da Estrada de Itararé e Rua Jenovan da Costa, no Complexo do Alemão, em Ramos. Os dois agentes tinham acabado de chegar ao local, em carro descaracterizado, quando foram abordados por bandido armado. Ele chegou perguntando de quem era o carro e logo começou a atirar. Os agentes pediram reforço da PM. Apesar do tiroteio, os policiais escaparam ilesos e o marginal fugiu. “Temos indícios de que o ataque foi uma tentativa de intimidação dessa máfia”, afirma Olivier.

Segundo o delegado, continuam sob investigação os 169 atestados de óbitos em que os enterros foram confirmados. A Draco pedirá informações sobre os mortos ao INSS e às seguradoras.

Cartórios também na mira

Os responsáveis pelo serviço de registro nos 10 cartórios onde foram lavrados os 31 atestados forjados também serão chamados para dar explicações na Corregedoria-Geral da Justiça, que determinou à Draco a instalação de inquérito sobre a ação da Máfia dos Corpos.

Registros espalhados por vários cartórios do Rio pode ser uma estratégia para não levantar suspeitas sobre as fraudes. Entre eles, há certidões da 8ª Circunscrição de Registro Civil, onde foi assentado o atestado de óbito de G., um desaparecido cujo falso óbito foi assinado pelo médico Jorge Nunes Amorim Filho.

Para o corregedor de Justiça, desembargador Luiz Zveiter, as investigações devem ser aprofundadas, para que se identifique imediatamente aos autores da fraude. “Há indícios da prática de um delito que deve ser apurado. A investigação compete à Draco, mas aguardaremos o resultado do inquérito para tomar as providências que nos cabem”, assegura o desembargador.

OUTROS CASOS: GOLPES EM IMLS NO RIO E NA BAIXADA

A venda de corpos e a falsificação de atestados de óbito foi constatada em três casos, noticiados por O DIA, e são alvo de investigações. A Delegacia de Defraudações apura envolvimento do técnico de necropsia do IML de Nova Iguaçu, Alexandre dos Santos Vieira, 30 anos, na negociação de cadáver e dos documentos de óbito ao ex-cabo da Aeronáutica Madi da Silva Gomes, que está preso.

A Corregedoria de Polícia Civil também investiga o esquema no IML de Duque de Caxias. Nele, o ex-oficial da Marinha Mercante Yussef Georges Sarkis, 52, é acusado de forjar a própria morte para receber quase R$ 1 milhão em seguros de vida. Já o médico Jorge Nunes Amorim Filho e a ex-papa-defunto Maria Teresa da Costa Habib, 66, são alguns dos indiciados no processo da 23ª Vara Criminal, que reúne provas da atuação da máfia no Rio, possivelmente com participação de funcionários do IML. O clínico teria atestado 391 mortes em dois anos.

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