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01/08/2008 - Jornal de Uberaba Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Condenados policiais civis que integravam quadrilha especializada em clonagem de cartões

Por: Maria das Graças Salvador


O juiz da 1ª Vara Federal de Uberaba proferiu sentença na Ação Penal nº 2006.38.02.002426-2 e condenou os quatro policiais civis denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em junho de 2006, pelo crime de formação de quadrilha. Os policiais condenados são Evaldo José de Souza, Jenner Silvério Jaculli, Osmar Manoel Guedes e César Eduardo Santiago.
Evaldo, Jenner e Osmar foram condenados também pelo crime de concussão, que é a extorsão praticada por servidor público. Já quanto ao crime de furto qualificado, o juiz entendeu não existirem provas suficientes contra Jenner, Osmar e César Eduardo, condenando por esse crime apenas Evaldo de Souza.
Com a condenação, o juiz decretou, também, a perda do cargo que os réus exerciam na polícia e o perdimento dos bens adquiridos com a prática dos crimes.
Evaldo de Souza irá cumprir seis anos de reclusão; Jenner e Osmar, quatro; e César, dois anos. Apenas o primeiro deles deverá continuar preso, devendo cumprir a pena no regime semi-aberto; os demais foram soltos por ordem judicial e irão cumprir a pena em regime aberto.

O caso - No dia 26 de abril de 2006, a Polícia Federal deflagrou em quatro estados brasileiros e no Distrito Federal a Operação Piraíba, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes com cartões bancários, bem como na exploração clandestina de serviços de telecomunicações.
O esquema desenvolvido pela quadrilha consistia no desvio do dinheiro de correntistas, clonando cartões magnéticos e do respectivo uso dos cartões montados, utilizando equipamentos eletrônicos, e os utilizavam para saques, compras em supermercados e lojas e transferências bancárias. Também adulteravam o código de barra dos boletos de cobrança bancária para o desvio de pagamento em contas abertas em nome de laranjas ou de empresas fantasmas. Durante as investigações, apurou-se que o alvo preferido dos criminosos era a Caixa Econômica Federal, cujo prejuízo, apenas no Triângulo Mineiro, até outubro de 2005, chegava a mais de R$ 1,3 milhão.
Os crimes praticados pelos réus foram apurados em investigações conduzidas pela Polícia Federal com apoio do MPF. As investigações culminaram na realização da Operação Piraíba, quando foram presas 31 pessoas envolvidas nos crimes de furto e estelionato efetuados por meio da clonagem de cartões bancários e de celulares. Os criminosos possuíam núcleos de operação em Uberaba, São Paulo, Brasília e Recife.
Os policiais civis participavam do esquema para garantir a impunidade dos golpistas e, algumas vezes, agiam diretamente nas fraudes, efetuando saques ilegais. Durante as investigações, verificou-se a participação desses policiais em outros delitos - como corrupção, prevaricação, escutas ilegais, participação em homicídio e em tráfico de armas e drogas. Os autos foram desmembrados em relação a esses crimes e enviados à Justiça Estadual.
Na época do oferecimento das denúncias, o MPF requereu o desmembramento dos autos, para que cada núcleo da quadrilha fosse processado no local onde tinha sua base de atuação. Três dos policiais civis condenados estavam lotados na 15ª Delegacia Regional de Polícia de Uberaba e o outro na Delegacia de Polícia de Frutal.
Em Uberaba continuam em curso outras duas ações penais contra integrantes da organização criminosa.

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