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07/09/2006 - Tribuna da Imprensa Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraudes contábeis e executivos escroques


Os executivos-chefes (CEOs), como escrevi tantas vezes nesta coluna, perderam a imagem de herói. Em 2002 Jack Welch, da GE, embolsara como adiantamento para um livro mais do que o papa. O título de outro livro, publicado antes ("Jesus CEO"), aproximava executivos de Cristo. A capa do "Time" os premiava como "homens do ano" (como foi feito com Jeffrey P. Bezos, da Amazon.com, e Andrew S. Grove, da Intel).
Não é mais assim. Nas reuniões de acionistas eles já não são reverenciados e sim questionados - até ridicularizados. De Stephen Case, glorificado nas primeiras páginas à época da desastrosa fusão da AOL com a Time Warner, exigiram-se explicações depois para perdas bilionárias. Na GE, Jeffrey Immelt foi encurralado como nunca se fizera com Welch, cujo passado passou também a ser revisto com olhos críticos, de forma implacável.
O que aconteceu nos EUA para mudar tão radicalmente a cabeça do acionista, do contribuinte, do consumidor, do americano comum? Por que os CEOs perderam a imagem de herói reverenciado pela de vilão abjeto - criminoso de colarinho branco, ladrão de casaca? E por que tal reavaliação afeta ainda o presidente George W. Bush, que no início do mandato adorava declarar-se "um CEO à frente da Casa Branca"? A vigarice não é só da Enron O processo de desmitificação começcou com o escândalo da Enron, a corporação da área de energia que antes era encarada como exemplo de modernidade capitalista - no governo, no mundo dos negócios e na mídia. A modernidade dela, na verdade, resultava de receitas fradulentas produzidas pela desregulamentação e pela privatização, para as quais se buscou o apoio de políticos em troca da generosidade duvidosa das contribuições de campanha.
A Enron foi a maior patrocinadora da carreira política de Bush. Obteve, em troca, papel privilegiado na formulação do programa de energia do governo. Quando o país descobriu a realidade sobre as práticas contábeis dela, as parcerias fraudulentas, de nada mais adiantou a Enron ter investido em políticos (e não só republicanos). Tornou-se impossível salvá-la do colapso.
Acionistas e empregados, que nada sabiam sobre a contabilidade "criativa" dos executivos, foram as grandes vítimas da Enron - alguns ficaram sem emprego, sem as economias da vida inteira e até sem as aposentadorias. Executivos como Ken Lay (ligado pessoalmente aos Bush), Jeffrey Skilling, Andrew Fastow e mesmo Clifford Baxter, que se matou em meio ao escândalo, faturaram milhões de dólares vendendo ações ilegalmente, às escondidas.
No início de dezembro de 2001 já não era mais possível esconder a extensão dos estragos da Enron. Mas a cobertura da mídia - talvez em atenção ao ex-executivo Bush e seu papel na guerra sem prazo e sem fronteiras contra o terrorismo - foi extremamente discreta até meados de janeiro de 2002. Só então o país começou a tomar consciência de que as práticas fraudulentas das corporações não se limitavam à Enron.
Rota da ganância desenfreada A generalizada suspeita sobre as corporações e seus executivos passou a derrubar as ações em Wall Street - e os novos escândalos contribuíram para ampliar a crise de confiança. Vieram, um atrás do outro, os casos da Global Crossing, Adelphia, Tyco International, ImClone, Dynergy, WorldCom e Xerox, junto com mais suspeitas, que não poupavam nem algumas das mais conhecidas e respeitadas corporações do país.
A cada novo escândalo o público ficava sabendo de mais abusos, excessos e fraudes de seus mais altos executivos - CEOs que tinham jatos, helicópteros, iates e um inacreditável padrão de gastos, vivendo cercados de acólitos submissos. Como Gary Winnick, da Global Crossing, que tivera infância humilde mas passara a viver em Bel Air, na residência unifamiliar mais cara (US$ 60 milhões) já adquirida por qualquer pessoa no país.
Dennis Kozlowski, CEO da Tyco, filho de modesto detetive de Nova Jersey, descobriu a maneira de sonegar impostos comprando milhões de dólares em quadros de artistas, em especial impressionistas. Ele costumava dizer aos jornalistas que seria o novo Jack Welch - e a Tyco, nova GE. Bernie Ebbers, da WorldCom, prometia derrubar a AT&T e se tornar a maior operadora de telefonia interurbana no país. Os dois se arrebentaram.
A falácia das fusões e aquisições Em vez de estranhar ou questionar a audácia das fusões e aquisições, a mídia dava a eles amplo espaço, saudando-os como gênios do capitalismo e não meros escroques determinados a enganar incautos e a mídia. A revista "Forbes", por exemplo, enfeitou sua capa com Winnick (a 24 de dezembro de 2001), Kozlowski (16 de outubro de 2000) e Chuck Watson, da Dynergy (19 de abril de 1999). Três vigaristas.
Ao surgirem as primeiras dificuldades, decorrentes das fraudes contábeis e demais abusos internos, os executivos anunciavam medidas mirabolantes. Como fez Ebbers: para reduzir gastos e salvar a WorldCom, ele imaginou um "plano de sete pontos", segundo o qual subordinados de sua confiança foram encarregados de cortar gastos - nãos os deles, mas o consumo de chá e café e outras migalhas, o que transformaria empregados humildes em suspeitos da ladroagem dos chefões.
Os escândalos em Wall Street escancaram, ao contrário, que ladrões mesmo são aqueles altos executivos, beneficiários de esquemas generalizados segundo os quais determinados resultados significariam ganhos na forma de opções de ações. Na ânsia de embolsarem os ganhos eles recorriam à "criatividade" contábil (leia-se: fraudes para fabricar resultados positivos fictícios). E depois, ante a iminência do escândalo, ainda vendiam suas ações às pressas.

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