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29/07/2008 - Visão Online / Lusa Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Contrafacção de quadros: Imprevidência estimula a arte de bem falsificar toda a tela


Porto, 29 Jul (Lusa) - A falsificação de obras de arte disparou nos últimos anos em Portugal, mas muitas das potenciais vítimas continuam a dar o flanco, arriscando a compra sem a ajuda de quem sabe um pouco mais.

"É como investir na Bolsa sem se saber nada de acções e sem se procurar aconselhamento", disse à Lusa Bernardo Pinto de Almeida, um estudioso da obra do surrealista Mário Cesariny, um dos mais pirateados.

De acordo com o especialista, a exigência de peritagem das obras, antes da compra, é algo praticamente inexistente em Portugal, apesar do país já dispor de especialistas em número suficiente para garantir a todos os interessados um aconselhamento correcto.

"Há uma certa falta de rigor dos comerciantes de arte, em particular do segundo mercado - o que não trabalha directamente com os artistas. E sempre que isso ocorre, estamos em presença de falta de profissionalismo", afirma o especialista, num recado directo aos leiloeiros.

O próprio comprador de arte que recorre ao segundo mercado, para deleite próprio ou como investimento, não escapa à crítica de Bernardo Pinto de Almeida, porque compra sem ter a certeza da autenticidade da obra.

A Polícia Judiciária (PJ) assina por baixo a observação do especialista e avança uma desculpa: muitos leiloeiros são pessoas que só têm um conhecimento "empírico" das obras e outros "nem isso".

Quanto aos consumidores, o problema é que às vezes se entregam por completo à sorte.

"Não há tradição de sermos previdentes. Só quando a casa está roubada é que se põem trancas à porta", disse à Lusa o inspector-chefe Lemos Gonçalves, que tem a seu cargo a investigação destes casos na Directoria do Porto da Polícia Judiciária (PJ).

Não admira, por isso, que muitos passem a vida inteira a contemplar um quadro que sempre pensaram ser genuíno, mas que, afinal, não passava de uma imitação pacientemente trabalhada.

"Há casos em que só 40 anos ou 50 anos depois da compra é que se detecta a falsificação, no momento em que os herdeiros as resolvem vender", refere o investigador.

Em Portugal, a contrafacção de obras de arte ocorre sobretudo em Lisboa e Porto e visa particularmente os pintores dos séculos XIX e XX.

Um dos casos foi conhecido em Abril deste ano, altura em que a PJ/Porto deteve em Cascais uma mulher de 52 anos suspeita de falsificar obras de mestres da pintura portuguesa como Cargaleiro, Júlio Pomar ou Júlio Resende.

Este terá sido, contudo, um dos poucos casos em que o falsário foi detectado.

"Em geral, chega-se bem à peça, ao falsificador, não", admite Delfim Torres, que coordena na PJ/Porto a investigação dos crimes contra o património e vida em sociedade.

Foi esse o caso da última apreensão, registada em princípio de Julho, a de um falso quadro de Mário Cesariny, que ia a leilão no Porto com uma base de licitação de nove mil euros.

Meses antes, também no Porto, a PJ já tinha apreendido obras falsas de Júlio Pomar mas, num caso como o outro, o criminoso ficou por encontrar.

Por estas e por outras, torna-se difícil traçar um retrato-robô do falsário de arte.

"Pode até ser um condiscípulo do autor. E muitas vezes é do exterior", equaciona Delfim Torres.

Em todo o caso, é sempre "um medíocre e um frustrado", defende Bernardo Pinto de Almeida. (JGJ)

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