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04/01/2009 - Midiamax News / Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Mentirosos têm cérebro maior, dizem cientistas


Ao considerar o comportamento de supostos fraudadores como Bernard Madoff do "esquema Ponzi," ou o boca-suja Rod Blagojevich, sinta-se livre para expressar ultraje, indignação, repulsa, desespero, divertimento e um certo sadismo.

Mas surpresa? Não me faça rir.

Claro, Madoff pode ter roubado US$ 50 bilhões de seus clientes, e Blagojevich, governador de Illinois, é acusado pela venda ilícita de uma propriedade pública, um assento no Senado, para benefício pessoal.

Contudo, enquanto o nível de suas manobras pode ter sido excepcional, sua aparente inclinação a mentir, trapacear, blefar e enganar certamente não é. O comportamento enganoso possui uma longa história na evolução da vida social, e quanto mais sofisticado o animal, ao que parece, mais lugar-comum se tornam as trapaças e mais perspicazes são seus contornos.

Em uma pesquisa comparativa sobre o comportamento de primatas, Richard Byrne e Nadia Corp, da Universidade de Saint Andrews na Escócia, descobriram uma relação direta entre dissimulação e tamanho do cérebro.

Quanto maior o volume médio do neocórtex ¿ a região mais nova e "mais elevada" do cérebro ¿ de um primata, maiores eram as chances dele aplicar truques, como o descrito pela New Scientist: um jovem babuíno, sendo caçado pela mãe furiosa que deseja lhe aplicar um castigo, de repente pára no meio da perseguição e começa a observar o horizonte com atenção, um ato que convenientemente distrai toda a tropa de babuínos, que passa a se preparar para invasores inexistentes.

Muitos indícios sugerem que nós humanos, com um neocórtex densamente enrugado, mentimos um para os outros cronicamente e com segurança. Investigando o que eles chamam de "mentiras do dia-a-dia," Bella DePaulo, atualmente professora visitante de psicologia da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, e seus colegas pediram que 77 universitários e 70 pessoas da comunidade mantivessem diários anônimos por uma semana e anotassem as formas e razões de cada mentira que contassem.

Ao somar os resultados, os pesquisadores descobriram que os universitários contavam uma média de duas mentiras por dia, enquanto os membros da comunidade uma por dia, e que a maioria de suas mentiras se enquadrava na categoria de coisas triviais. "Disse a ele que sentia saudades e pensava nele todos os dias quando na verdade nem penso nele," escreveu um participante.

"Disse que ia mandar o cheque essa manhã," escreveu outro. Em um estudo de acompanhamento, os pesquisadores pediram que os participantes descrevessem as piores mentiras que já contaram, e então vieram confissões de adultério, fraude a empregadores e testemunhos falsos sob juramento para proteger o patrão.

Ao serem questionados sobre como se sentiram em relação às mentiras, muitos disseram que eram perseguidos pela culpa, mas outros confessaram que, após perceberem que se safaram de uma lorota, voltaram a repeti-la várias vezes. Na verdade, mentir é muito fácil. Em mais de 100 estudos, os pesquisadores perguntaram aos participantes coisas como, "a pessoa no vídeo está mentindo ou dizendo a verdade?"

Os participantes acertaram em cerca de 54% das vezes, o que é apenas um pouco melhor do que se tivessem somente jogado cara ou coroa. Nossa cegueira à mentira sugere a alguns pesquisadores que ser enganado é um desejo humano, uma preferência pela fábula floreada à verdade nua e crua.

"Deve existir uma motivação contra-intuitiva para não detectarmos mentiras, ou já teríamos nos tornado muito melhores nisso," disse Angela Crossman, professora-assistente de psicologia da Faculdade John Jay de Justiça Criminal em Nova York.

"Mas você pode não querer realmente saber que o jantar que cozinhou ficou uma droga, ou até mesmo que seu esposo está traindo você." O mundo natural está cheio de trapaças e lorotas, coisas que não são o que parecem. Inofensivas borboletas vice-rei imitam as tóxicas borboletas monarcas, pássaros afastam predadores do ninho com seus filhotes fingindo que estão com a asa quebrada, peixes caçadores enganam suas presas com apêndices que balançam como minhocas.

No entanto, biólogos diferenciam os casos de mentira inata ou automática das chamadas mentiras táticas, ou seja, o uso de um comportamento normal em uma situação nova, com o propósito expresso de enganar o observador. A mentira tática requer uma considerável flexibilidade comportamental e por isso é observada com maior freqüência nos animais mais espertos. Grandes primatas, por exemplo, são ótimos fingidores. Frans B.M. de Waal, professor do Centro Nacional de Pesquisa Primata Yerkes da Universidade Emory, disse que os chimpanzés ou orangotangos de cativeiro às vezes tentam atrair humanos desconhecidos para dentro da área cercada segurando um pedaço de palha com uma expressão amigável.

"As pessoas pensam, ah, ele gosta de mim, e se aproximam," de Waal disse. "E antes de percebermos, o macaco já agarrou o tornozelo da pessoa para mordê-la. É uma situação muito perigosa." Os macacos não tentariam fazer isso uns com os outros. "Eles se conhecem bem demais para se safarem disso," de Waal disse. "Segurar um pedaço de palha com uma expressão meiga é um truque tão barato que apenas um humano ingênuo cairia nessa."

Mas os macacos ainda tentam enganar uns aos outros. Os chimpanzés sorriem quando estão nervosos, e quando machos rivais se encontram, às vezes viram de costas e desmancham o sorriso com as mãos.

Similarmente, quando um macaco jovem está cortejando uma fêmea e vê o macho dominante nas proximidades, o chimpanzé subordinado imediatamente tenta ocultar suas intenções amorosas colocando as mãos sobre sua ereção. Macacos-rhesus também se esquivam com astúcia.

"Existe uma longa série de estudos mostrando que os macacos são muito bons em roubar de nós," disse Laurie R. Santos, professora associada de psicologia da Universidade de Yale. Santos e seus colegas relataram recentemente na Animal Behavior que, após mostrar comida sendo colocada em duas caixas diferentes, uma com sininhos de som alegre na tampa e outra com sinos sem o badalo, os macacos-rhesus preferiam roubar da caixa com os sinos silenciosos.

"Foi difícil chegar a uma explicação que não fosse mentalista," Santos disse. "Os macacos têm que fazer uma generalização - consigo ouvir essas coisas, então eles, os humanos, também conseguem." Uma generalização segura parece ser a de que os humanos são mesmo tapados.

Depois que treinadores do Instituto de Estudos de Mamíferos Marinhos no Mississippi ensinaram os golfinhos a limpar o lixo das piscinas, recompensando os mamíferos com peixes para cada detrito que trouxessem, um golfinho fêmea descobriu um jeito de esconder lixo sob uma rocha no fundo da piscina e trazer aos treinadores um pouco por vez. Queremos acreditar desesperadamente que nossos entes queridos dizem a verdade. E agora descobrimos que não é bem assim. Ah, até tu, Flipper?

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